"A homossexualidade, a ponte a ser construída na Igreja Católica". Entrevista com James Martin

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01 Agosto 2017

Foi no verão de 2016, após o tiroteio em uma boate gay em Orlando, onde foram mortas 49 pessoas, que o padre James Martin, jesuíta e editor at large (uma espécie de consultor do diretor) da revista America, decidiu que estava na hora de escrever o livro que acabou de chegar às bancas nos EUA, Building a Bridge (Construindo uma ponte, em tradução livre), ou seja, construir uma ponte entre a comunidade LGBT e a Igreja. Um livro que já causou muita polêmica e, significativamente, exibe uma introdução assinada pelo cardeal Kevin Farrell, o cardeal norte-americano que o papa Francisco escolheu, em agosto de 2016, para liderar o novo dicastério para os laicos, a família e a vida. Além disso, padre Martin não é um nome qualquer: é um dos autores católicos mais lidos nos Estados Unidos (livros como Jesus: A Pilgrimage e My Life with the Saints foram best sellers) e o rótulo de sacerdote próximo ao mundo LGBT (abreviatura que representa pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) não impediu ao papa Francisco de nomeá-lo consultor do Secretariado do Vaticano das comunicações.

A entrevista é de Chiara Basso, publicada pela revista italiana Jesus, 28-07-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Padre James Martin, nasceu em 1960 na Pensilvânia (EUA), depois de ter se graduado em Economia e trabalhado por seis anos na General Electric em Nova York e Stamford, em 1988 entrou para a Companhia de Jesus e em 1999 foi ordenado presbítero. Durante sua formação como jesuíta estudou Filosofia em Chicago e Teologia em Cambridge. É editor at large de America, a revista oficial dos jesuítas nos Estados Unidos. Em 12 de abril último, o Papa Francisco nomeou-o como consultor da Secretaria do Vaticano para as comunicações.

Eis a entrevista.

Padre Martin, durante muitos anos o senhor ajudou e trabalhou com a comunidade LGBT, de maioria católica. Por que justamente aquele episódio de Orlando inspirou-o a escrever este livro?

Eu acredito que se Jesus estivesse entre nós, estaria agora entre os homossexuais

Orlando foi o maior tiroteio em massa na história dos EUA. Em resposta, milhões de pessoas neste país manifestaram seu apoio para a comunidade LGBT. Ainda assim, uma coisa me incomodou profundamente: embora muitos líderes da igreja tivessem expressado tristeza e horror, apenas um pequeno grupo entre os mais de 250 bispos católicos usou as palavras ‘gay’ ou ‘LGBT’ e cito-os no começo do meu livro. Foram o Cardeal Blase Cupich de Chicago, o bispo Robert Lynch de St. Petersburg, na Flórida, o bispo David Zubik de Pittsburgh, o bispo Robert McElroy de San Diego e o bispo John Stowe de Lexington, Kentucky.

Não muitos...

Muitos outros se mantiveram, inclusive, em silêncio. O fato de que apenas alguns bispos católicos tenham reconhecido a comunidade LGBT ou mesmo tenham usado a palavra gay frente a tamanha tragédia foi para mim reveladora: era a prova de que a comunidade LGBT ainda é invisível em muitos ambientes da Igreja. Eu acredito que a obra do Evangelho não pode ser realizada se uma parte da Igreja está substancialmente separada de qualquer outra parte. Entre os dois grupos, a comunidade LGBT e a Igreja institucional, formou-se uma rachadura, uma separação sobre a qual deve ser construída uma ponte. Então, algumas semanas após a tragédia de Orlando, o New Ways Ministry, um grupo que apoia e promove a presença de católicos LGBT na Igreja, perguntou-me se eu aceitaria receber o prêmio ‘Bridge Building‘ e falar durante a cerimônia de premiação. O nome do prêmio inspirou-me a traçar uma ideia para uma ‘ponte em dois sentidos’, que poderia ajudar a reunir a Igreja institucional e a comunidade LGBT.

Como funciona exatamente essa ponte em dois sentidos?

Toda ponte leva as pessoas para ambos os lados. Meu objetivo com este livro é exortar a Igreja a tratar a comunidade LGBT com ‘respeito, compaixão e sensibilidade’ (uma frase do Catecismo da Igreja Católica) e incentivar a comunidade LGBT a fazer o mesmo, refletindo sobre essas virtudes em uma relação com as instituições da igreja. Caminhamos primeiro na direção que leva da Igreja, entendida como a hierarquia eclesiástica, para o mundo gay.

Primeiro de tudo, respeito significa reconhecer que existe a comunidade LGBT

Primeiro de tudo, respeito significa reconhecer que existe a comunidade LGBT. Como qualquer comunidade, gays e lésbicas também querem ser reconhecidos. Reconhecê-los também traz importantes implicações pastorais. Significa concretizar ações que algumas dioceses e paróquias já exercem com sucesso, como a celebração de missas com grupos LGBT, o patrocínio de programas diocesanos e paroquiais e, de forma mais geral, a garantia de que os católicos se sintam parte da Igreja e se sintam amados. Em segundo lugar, respeito significa chamar um grupo como deseja ser chamado. Se o papa usa a palavra ‘gay’, sem problemas, o mesmo pode ser feito pelo resto da Igreja, e precisam ser esquecidas palavras como "pessoa que sentem atração por pessoas do mesmo sexo".

Compaixão significa ouvir e viver através de suas palavras a história e o sofrimento dos outros, portanto, daqueles que se identificam como gay. Sensibilidade tem a ver com entender o que sente a outra pessoa, mas é impossível fazê-lo à distância. É preciso chegar perto daqueles que consideramos diferentes de nós, tornarmo-nos amigos.

Mas alguns católicos poderiam considerar uma abordagem desse tipo como um acordo tácito com tudo o que qualquer pessoa da comunidade LGBT diz ou faz. O que o senhor responde a tal objeção?

Parece uma objeção injusta porque nunca é levantada para qualquer outro grupo. Se uma diocese promove, por exemplo, um grupo de orientação para empresários católicos, não significa que a diocese esteja de acordo com cada valor da cultura corporativa norte-americana de molde capitalista. Também não significa que a Igreja santifica tudo o que um empresário ou empreendedor diz ou faz. Por que não? Porque as pessoas entendem que a diocese está tentando ajudar uma determinada comunidade a se sentir mais próxima da própria Igreja.

Neste sentido, o livro trata de "discriminação seletiva" por parte de alguns religiosos em relação aos gays. Pode nos explicar o que significa e por que isso acontece?

O que infelizmente acontece hoje, é sim um ‘sinal de discriminação injusta’ algo que devemos evitar

Pessoalmente, fico desanimado pela tendência, em algumas instituições religiosas, de demitir homens e mulheres homossexuais. É claro que as organizações da Igreja têm autoridade para exigir que seus funcionários sigam os ensinamentos da Igreja, mas o problema é que esta autoridade é aplicada de forma altamente seletiva. Quase todas as demissões nos últimos anos centraram-se sobre funcionários que oficializaram casamentos gays. Claro, tais uniões são contra o ensinamento da Igreja, mas, então, as dioceses e paróquias precisam ser coerentes. Também vamos demitir os divorciados que se casaram novamente sem uma anulação? Vamos afastar mulheres que têm filhos fora do casamento? E o que acontece com aqueles que vivem em união estável? Todas essas coisas também são contrárias à doutrina da Igreja.

Quais são as razões para esta discriminação seletiva?

Eu acho que isso acontece principalmente por duas razões: por um lado, o medo e preconceito contra o que é diferente e não conhecemos, por outro lado, alguns católicos podem ser seletivos sobre que ensinamentos da Igreja são importantes com base no que poderia ou não acontecer com eles, como me sugeriu um jovem gay. Ninguém levanta um dedo contra um divorciado, ele me disse, porque no fundo sabe que um dia poderá se divorciar, enquanto sente-se certo de que jamais vai ser gay. Mas ninguém pode realmente se considerar excluído.

O que quer dizer?

Que um dia, mesmo aqueles que se sentem muito distantes dos homossexuais, poderão descobrir que o seu filho ou filha, irmão ou irmã, sentem atração por alguém do mesmo sexo. Então, como muitas vezes já vi acontecer, a perspectiva muda radicalmente. Recentemente, por exemplo, uma senhora idosa veio me agradecer por esse livro. Ela me disse: ‘O senhor sabe, minha neta é transexual. Para mim, foi muito bom ler o que o senhor escreveu e eu espero que a minha neta não abandone a Igreja’. Talvez 15 ou 20 anos atrás, aquela mulher não conhecia nenhum gay, e pensava que eles fossem apenas pervertidos. Agora ela conhece uma e está disposta a abrir-se, porque ela ama a sua neta. Afinal, o amor perfeito, como São João escreve, lança fora o temor. O que infelizmente acontece hoje, nas palavras do catecismo católico, é sim um ‘sinal de discriminação injusta’ algo que devemos evitar.

Os meios de comunicação certamente desempenham um papel importante nesse sentido porque, como o senhor afirma neste livro, nos últimos anos têm falado bastante da comunidade LGBT e muitos alinharam-se a seu lado. Acha que isso pode favorecer ou prejudicar o diálogo entre Igreja e gays?

Em geral, os meios de comunicação têm um papel positivo porque expõem mais as pessoas ao mundo LGBT, por isso alcançam mesmo aqueles que vivem em cidades pequenas onde as pessoas não se manifestam com tanta facilidade. No entanto, às vezes eles parecem exagerar o percentual dos que são gays, fazendo com que pareça uma grande ameaça para aqueles que não são, e isso poderia tornar o diálogo mais difícil. Mas a maioria dos meios de comunicação faz um bom trabalho em educar as pessoas sobre a comunidade gay.

O senhor observa grandes diferenças entre a Itália e os EUA a este respeito?

Entre a geração millennial, ter um amigo gay é quase considerado ‘cool’ porque é um sinal de abertura de pensamento

Há alguns dias, falava justamente sobre isso com um amigo italiano. Ele me disse que meu livro não seria entendido na Itália, afirmando que a Itália ainda tem muitos problemas para lidar com esta temática. Segundo ele, especificamente, os homens italianos ainda estão muito preocupados em defender sua masculinidade e uma abertura ao mundo gay é vista como uma grande ameaça. Eu diria que, em geral, os católicos americanos estão mais abertos aos gays do que os católicos italianos. Aliás, aqui na nos Estados Unidos, especialmente entre a geração millennial, ter um amigo gay é quase considerado ‘cool’ porque é um sinal de abertura de pensamento. E assim resulta que a Igreja, aquela que ao contrário fecha a porta aos homossexuais, afasta também aqueles jovens heterossexuais que não entendem tal falta de abertura. Costumo ouvir a seguinte frase ‘eu não quero pertencer a uma igreja que não aceita meu amigo LGBT’. Este livro, na verdade, não foi escrito apenas para os gays, mas também para as suas famílias e amigos.

Existe alguma confissão cristã ou crença que já foi capaz de construir uma ponte?

Existem várias igrejas nos Estados Unidos, onde os gays se sentem perfeitamente aceitos. Falo da Igreja Episcopal, que tem padres gays e nenhuma barreira contra quem quer que seja. E é para essas igrejas que acabam indo os católicos LGBT que não se sentem aceitos.

Mas, voltando à metáfora da ponte em ambos os sentidos, o que se espera do mundo gay para facilitar o diálogo?

Três chaves do diálogo: respeito, compaixão e sensibilidade

Um retorno às três chaves do diálogo, que são: respeito, compaixão e sensibilidade. Nesse caso, significa que os gays não devem zombar das instituições religiosas ou dos bispos pela forma como se vestem ou por outras suas práticas. Zombar deles significa fazer aos outros, o que você não quer que seja feito a você. Compaixão significa tentar compreender os bispos e a complexidade do seu ministério, tentar entender como vivem e o que eles enfrentam. Sensibilidade é entender também que, por vezes, alguns sacerdotes tiveram que lidar com o fato de serem gays.

É um dado bem conhecido que muitos padres e seminaristas são homossexuais. Que tipo de problemas representa esta realidade para a Igreja Católica? É possível ser gay e bom sacerdote?

Claro, conheço dezenas de excelente religiosos gays que vivem uma vida de castidade. Alguns foram meus guias espirituais ou meus superiores. Mas eu quero ser claro para não ser mal interpretado: estou dizendo que são gays, mas não sexualmente ativos.

Eles admitem ser gay, então?

Bem, só em privado, mas acho que uma das dificuldades para eles seja justamente falar sobre isso publicamente. E isso por várias razões. Primeiro, eles podem ser reservados por natureza; segundo, seus superiores poderiam tê-los orientado para não falar sobre isso em público; terceiro, poderiam temer a resposta e a crítica de seus paroquianos. Tudo isso contribui para o seu silêncio. Acredito que se amanhã todos os padres e religiososos gays viessem a público manifestar sua orientação sexual, todos ficaríamos em choque. O segredo em torno desse tema é realmente infeliz.

O senhor acha que se eles se manifestassem seria mais fácil construir essa ponte?

Certamente que sim, seria um grande passo à frente porque as pessoas diriam ‘você vê, também acontece com padres e bispos’. Claro, ninguém quer um padre que fale o tempo todo sobre sua homossexualidade, mas existem momentos, como nos casos em que ocorre homofobia ou perseguição contra os gays, em que eles poderiam falar sobre a sua experiência e talvez dizer ‘eu tive problemas com minha homossexualidade quando eu era mais jovem, mas Deus me ajudou para que me sentisse bem e amado’. Algo simples, como isso, mas que seria realmente uma forte mensagem de apoio para os gays e para todas as pessoas. Infelizmente eu não acho que vai acontecer, ainda há muito medo. E também há muita confusão sobre o significado de ser gay, porque se um religioso admitisse ser gay, logo as pessoas pensariam que essa pessoa estaria tendo relações sexuais com pessoas do mesmo sexo.

Talvez os escândalos ligados à pedofilia não tornem mais fácil declarar a orientação sexual, certo?

Se amanhã todos os padres e religiosos gays viessem a público manifestar sua orientação sexual, todos ficaríamos em choque

Claro, porque as pessoas acabam jogando no mesmo caldeirão castidade, celibato, homossexualidade, pedofilia, clericalismo, papel das mulheres na Igreja, etc. Mas, ao contrário, ser gay não significa ser um pedófilo. Se não há mulheres sacerdotes, não significa que não há sexismo. Todas as questões relacionadas com a sexualidade dentro da Igreja acabam se confundindo e muitas vezes por pessoas que não sabem o que dizem.

Acredita que as religiosas são mais abertas a essas questões?

Não acredito nisso. Nenhuma das que eu conheço declarou sua orientação sexual em público. Uma abertura para os fiéis gays talvez dependa mais de cada instituição e diocese individualmente. Mas não se pode ignorar o fato de que algumas páginas da Bíblia têm sido tradicionalmente lidas como uma condenação da homossexualidade, em termos inequívocos.

Mas é realmente assim, ou essas páginas têm sido mal interpretadas? Em suma, Deus é realmente contra os homossexuais ou somos nós que entendemos mal, culpabilizando os gays?

É difícil responder a esta pergunta, porque eu não sou um teólogo. Deixe-me ser claro: esse livro não questiona qualquer doutrina da Igreja. Apenas afirma que devemos ouvir uns aos outros e que até o momento não o estamos fazendo suficientemente. A Igreja tem falado de LGBT, mas não tem falado com a comunidade LGBT. Aconselho olhar para a segunda parte do livro onde sugiro algumas passagens da Bíblia sobre as quais gays e religiosos podem meditar para entender melhor a sua relação com Deus e com a Igreja sobre esse assunto. Um recurso espiritual para qualquer um.

Como o senhor avalia a abertura do Papa Francisco em relação aos gays?

É interessante ver como este Pontífice tem sido mais aberto para os homossexuais do que seus antecessores. Tenho certeza que ele conhece alguns, como seu amigo gay Yayo Grassi, e isso muda o seu entendimento sobre os homossexuais; não é mais uma categoria, são pessoas.

Muitos defensores da comunidade LGBT, no entanto, criticam o fato de que o Papa mudou sua atitude em relação aos gays, mas não a doutrina. Então, o que é mais importante: estar do lado de pessoas que estão às margens, como Jesus ensinou, ou seguir os ensinamentos doutrinários segundo os quais a homossexualidade é um pecado?

As questões relacionadas com a sexualidade dentro da Igreja acabam se confundindo e muitas vezes por pessoas que não sabem o que dizem

Eu não acredito que deva haver uma dicotomia entre as duas coisas, porque Jesus é a doutrina e quando dividimos as duas coisas tornamos tudo mais difícil. A doutrina é basicamente uma interpretação daquilo que Cristo nos pede. Se olharmos para o Evangelho, veremos que toda vez que as regras entravam em conflito com o seu amor para alguém, ele escolhia o amor. Ele não deveria ter falado com a mulher samaritana no poço, mas falou com ela; não deveria ter tocado os leprosos, não deveria ter falado com o centurião romano, e assim por diante. Jesus sempre chegou perto das pessoas que se sentiam às margens e as trouxe de volta ao centro da comunidade. Às margens é onde os gays se sentem. São os leprosos de hoje. Não há ninguém dentro da Igreja, hoje, que se senta mais marginalizado do que eles. Até mesmo as mulheres, que às vezes se sentem excluídas, assumem funções dentro do Vaticano, tem um dia dedicado a elas.

Ao contrário, não há jornadas LGBT organizadas pelas Igrejas. O senhor acha que haveria necessidade de uma?

Sim, certamente, por que não? Poderíamos assim ouvir as suas experiências, mas é algo ainda muito assustador para as pessoas. Eu acredito que se Jesus estivesse entre nós, estaria agora entre os homossexuais.

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