Papa Francisco na Amazônia: encontro em janeiro de 2018. A ideia de um Sínodo Pan-amazônico

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17 Julho 2017

O primeiro encontro entre o Papa e a Amazônia, que até o momento nunca se concretizou durante as outras viagens latino-americanas, acontecerá no início de 2018, no Peru (18-21 janeiro), no vicariato apostólico de Puerto Maldonado. No cenário de fundo, a ideia de um Sínodo Pan-amazônico.

A reportagem é de Bruno Desidera, publicada por Servizio di Informazione Religiosa - SIR, 15-07-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

A Amazônia está entrando no coração da Igreja. Após a criação da REPAM, a Rede Eclesial Pan-amazônica de envolve igrejas de dez países latino-americanos, e após a Laudato si’, a encíclica que mais se aproximou dos povos amazônicos, em breve será a vez da primeira reunião direta entre o Papa Francisco e as populações da imensa floresta. À espera de um verdadeiro Sínodo pan-amazônico, que venha traduzir o caminho comum dessas igrejas em uma voz forte e em novas escolhas.


Francesco na "selva" em Puerto Maldonado

O primeiro encontro entre o Papa e a Amazônia, que até o momento nunca se concretizou durante as outras viagens para a América Latina (durante as quais Francisco teve vários encontros com os povos indígenas, os movimentos sociais e as periferias), acontecerá no início de 2018, no Peru (a visita ao país latino-americano está programada para 18-21 janeiro), no vicariato apostólico de Puerto Maldonado. Grande alegria do bispo que lidera aquela ampla região no leste do país. Monsenhor David Martínez de Aguirre Guinea declarou:

"Como vocês podem imaginar, a notícia causou-nos surpresa e uma alegria imensa, incrível. É a demonstração que o coração do Papa está perto das periferias. Claro, havia o sonho, então percebemos que ele viria para o Peru. Mas nunca realmente pensamos que viria para Puerto Maldonado. Uma alegria incrível para toda a população. Entre outras coisas, este será o primeiro encontro do Papa Francisco em terra amazônica. Anteriormente, João Paulo II esteve em Iquitos, sempre no Peru".

Continua o Vigário Apostólico de Puerto Maldonado: "Toda a população está muito feliz. Claro, os povos amazônicos nem sempre têm consciência do valor transcendente que tem a figura de um Papa. Mas os líderes certamente estão cientes. E entenderam que na cúpula da Igreja há um coração amigo que os escuta e ajuda, oferecendo palavras de esperança em face às muitas ameaças que enfrentam em suas terras".

Nosso pensamento volta-se imediatamente para a Laudato si’: "É uma encíclica que se posicionou para a escuta da problemática da defesa da terra e dos povos indígenas. O grito da Terra e dos pobres é o mesmo, e a encíclica reforça isso muito claramente. Ao mesmo tempo, o documento denuncia a pilhagem dos recursos naturais desses territórios, como se fossem o jardim dos países ricos, e os efeitos desse fenômeno: conflitos com os povos indígenas, corrupção, etc. A encíclica ouve os gritos provenientes desses povos".

Do Brasil vem uma confirmação, pela voz do padre Dario Bossi, missionário comboniano que atua na fronteira entre os estados do Maranhão e Pará: "Aqui, o principal problema é a exploração mineral, a pilhagem contra indígenas e agricultores. A tal situação, responde-se criando redes comunitárias. Uma delas é a rede eclesial REPAM, nascida de uma intuição do Papa Francisco, juntamente com o cardeal Claudio Hummes. É importante o trabalho de base".


A ideia de um Sínodo Pan-amazônico

O ponto de chegada dessa ação eclesial, graças ao incentivo do Papa Francisco e da atividade das Igrejas amazônicas, poderia até ser um Sínodo Pan-amazônico. Isso foi aventado justamente pelo Papa Francisco, durante a recente visita ad limina dos bispos peruanos, como revelou o presidente da Conferência Episcopal Peruana, Dom Salvador Piñeiro García-Calderón. Por enquanto é só uma ideia, mas está avançando e é vista favoravelmente pelo Mons. Martínez, que confirma: "A necessidade de fazer frente à globalização e investigar as causas, a presença de projetos de mineração cada vez maiores nos obrigam a promover redes". E ainda: "O Papa nos disse que é muito importante que haja um encontro entre nós, bispos da Amazônia, para elaborar linhas comuns e para expressar a riqueza não só ambiental, mas dos povos que habitam essas terras. Estou convencido de que esta ideia do Sínodo já está avançando e está sendo pensada a forma de organizar tal momento eclesial".

Também o padre Bossi apoia a ideia do Sínodo: "A proposta do Sínodo é essencial, imagino dois tipos de compromisso. Um, digamos, 'horizontal': qualificar e incentivar o compromisso local para melhor serviço à vida e ao meio ambiente. Outro, ao contrário, que eu chamaria de 'vertical': o compromisso das Igrejas por uma consciência crítica, por um apelo em defesa da Amazônia, para aumentar a visibilidade junto às instituições e à sociedade civil". O que padre Bossi imagina é "um processo lento, sabendo que muitas das situações de conflitos afetam muitos interesses, nos quais, por vezes, inclusive a Igreja está envolvida". Um processo a ser vivido "em diálogo persistente e na convicção de que a Amazônia deve ser protegida junto com os povos".


No pano de fundo, "o grande tema da ecologia integral"


Prossegue o missionário: "Temos um grande trabalho, que deve necessariamente começar pela escuta, a partir de uma reflexão sobre as formas de espiritualidade de que esses povos são portadores, e do seu modo de vida, o chamado buén vivir, sua relação integrada com o ambiente e com a criação".

Mas falar de um possível Sínodo Pan-amazônico também significa considerar o debate sobre o novo ministério em uma Igreja, como a amazônica, que possui um pequeno número de sacerdotes chamados para servir um vasto território. "Um Sínodo poderia pensar em medidas concretas - afirma o padre Bossi. Sem perder de vista a universalidade da Igreja, Francisco parece-me aberto a experiências para territórios específicos. Nessas regiões, se não for pensado um serviço ministerial mais aberto, não será possível servir a contento as comunidades. Em Chiapas, no México, temos exemplos de 'diaconato indígena', com um caminho que valoriza os casais e um caminho de diálogo intercultural".

Mons. Martínez conclui: "Se acontecer o Sínodo, eu acho que vamos caminhar eclesiasticamente. E nós questionaremos sobre como fazer para que os povos indígenas se reapropriem da Igreja. Será necessária uma capacidade de reinventar, sem esquecer, é claro, a comunhão com a tradição".

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