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15 Julho 2017

Giovanni Franzoni, uma das personalidades mais corajosas da Igreja italiana, punido pela hierarquia eclesiástica por ter defendido a liberdade de consciência e de voto político, morreu nessa quinta-feira, 13, nos arredores de Roma, aos 85 anos de idade.

A reportagem é de Luigi Sandri, publicada no jornal Trentino, 14-07-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nascido em 1928, na Bulgária (onde os pais se encontravam a trabalho), ele cresceu em Florença. Tendo-se tornado beneditino, no já distante 1964, foi eleito abade da Basílica de São Paulo Fora dos Muros, e, portanto, chefe também do mosteiro anexo.

Como tal, participou como “Padre” das duas últimas sessões do Concílio Vaticano II. No pós-Concílio, comprometeu-se para ajudar a Igreja romana a ser coerente com aquilo que tinha acabado de afirmar na Grande Assembleia.

Em 1973, com a carta pastoral “A terra é de Deus”, denunciou os compromissos vaticanos com a especulação imobiliária em Roma. Por isso, foi, de fato, obrigado a renunciar como abade. Deixou a basílica e – com um grande grupo de fiéis que sempre o tinham defendido – fundou a Comunidade Cristã de Base de São Paulo.

Em ‘974, lutou para afirmar a liberdade de consciência no referendo sobre a lei do divórcio. Mas, como a cúpula da Conferência Episcopal Italiana tinha se comprometido com o “sim” à revogação daquela normativa, por punição, Franzoni foi “suspenso a divinis”.

E, depois que, em 1976, declarou que, nas eleições políticas de junho daquele ano, votaria no Partido Comunista Italiano, foi removido do estado clerical.

Junto com a Comunidade de São Paulo, porém, ele continuou as suas batalhas em favor do pluralismo político dos católicos na Itália. No plano internacional, ele trouxe muito no coração os dramas do Oriente Médio, esperando em uma paz na justiça entre israelenses e palestinos. E, com a América Latina, esteve perto dos teólogos da libertação.

Escreveu diversos livros de caráter teológico e bíblico, mas sempre envolvido com questões “quentes”. A sua prática de comunidade – que questiona o conceito de “sacerdócio”, insistindo, ao contrário, no de “ministério” (serviço) dentro do “povo de Deus” – abriu perspectivas até agora não acolhidas pela oficialidade católica.

Outro tema de reflexão caro a Franzoni foi o do fim da vida. Quando o cardeal Ruini negou o funeral na igreja de Piergiorgio Welby, ele convidou a sua esposa a uma Eucaristia na Comunidade de São Paulo. Nos últimos meses, ele havia se encontrado com o atual abade de São Paulo, Pe. Roberto Dotta: entre os dois, nascera uma amizade – da qual o Papa Francisco estava perfeitamente a par – que, talvez, poderia ter desenvolvimentos nada evidentes.

Mas a irmã morte levou Franzoni embora, antes que o establishment eclesiástico encontrasse a coragem de pedir desculpas pelos muitos sofrimentos infligidos a um profeta, que, nas suas escolhas concretas e nos seus escritos, indicou uma Igreja mansa, orientada ao lado dos últimos, respeitosa da liberdade humana, rica apenas de Evangelho, companheira de caminho de todas as pessoas de boa vontade, e audaz: porque “Ecclesia semper reformanda”, a Igreja sempre deve estar em um estado de reforma.

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