Reforma de imóvel do cardeal Bertone foi paga com dinheiro de fundação hospitalar

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15 Julho 2017

Giuseppe Profiti e Massimo Spina, dois ex-gestores do Hospital Bambino Gesù, de propriedade da Santa Sé, serão processados pelo Tribunal Vaticano por “distração de fundos”: eles são acusados de terem utilizado dinheiro da fundação do hospital para pagar os trabalhos de reforma do apartamento do cardeal Bertone. A primeira audiência será em 18 de julho, próxima terça-feira.

A reportagem é de Luigi Accattoli, publicada no jornal Corriere della Sera, 14-07-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O decreto do julgamento usa uma linguagem direta, incomum em documentos vaticanos e indica expressamente o envolvimento do cardeal Bertone no caso: “Foram pagos, para fins completamente extrainstitucionais, 422.005.16 euros, utilizando-os para efetuar trabalhos de reforma de um imóvel de propriedade do Governatorado, destinado à residência do secretário de Estado emérito, para beneficiar a empresa de Gianantonio Bandera”.

Os fatos remontam aos meses que vão de novembro de 2013 a maio de 2014, quando a empresa de construção italiana Bandera reformou um apartamento que se encontra no último andar do Palácio San Carlo, dentro do Vaticano, que o cardeal Tarcisio Bertone havia escolhido como residência própria quando deixasse o cargo de secretário de Estado.

O fato de fazer agora um processo penal, depois de mais de três anos, significa duas coisas: que o triênio que se passou, a pressão da mídia, as tentativas de esclarecer o caso por via administrativa ou de amizade fracassaram todos; mas é também um sinal de que segue em frente a política de averiguação “cirúrgica”, em vez de cobertura “para o bem”, dos escândalos sexuais e administrativos iniciada pelo Papa Bento e assumida por Francisco.

É em nome dessa linha que, de 2012 até hoje, foram mantidos os dois processos pelo vazamento de documentos (o primeiro com Ratzinger, e o segundo com Francisco) e ocorreu a investigação de um ex-núncio (depois falecido) por abusos sexuais.

O tribunal deverá esclarecer quem embolsou o dinheiro proveniente da fundação e como a empresa que conduziu a reforma foi – assim parece – paga duas vezes: além dos 422 mil euros, outros 300 mil foram depositados diretamente pelo cardeal Bertone.

“É justo que cada um preste contas dos próprios comportamentos”, disse o secretário de Estado vaticano, o cardeal Pietro Parolin, observando que a decisão tomada pelo Tribunal está “alinhada com a transparência a ser trazida para dentro da Igreja, na qual o papa insistiu muito”.

Giuseppe Profiti, que, na época dos fatos, era presidente da Fundação Bambino Gesù (enquanto o outro investigado, Massimo Spina, era o tesoureiro), antes, havia justificado a operação dizendo que as despesas com o apartamento eram um “investimento” inserido no plano de marketing da fundação, “a fim de angariar fundos de empresas nacionais e estrangeiras”. Isto é, a casa de Bertone devia servir “também” para atividades de representação em favor do Bambino Gesù.

Quando o caso explodiu, o cardeal Bertone fez uma doação ao hospital de 150 mil euros “para ajudar na pesquisa sobre as patologias da infância”, dizendo que não tinha conhecimento da operação que tinha sido realizada, mas reconhecendo que o caso tinha “causado um dano material e moral” ao hospital.

Nessa quinta-feira, 13, o cardeal informou, através de um advogado, que “vai se abster de qualquer comentário sobre o processo, respeitando o trabalho da Magistratura vaticana”.

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