Adeus ao cardeal Müller: cai outro notável da Cúria Romana. E assume um jesuíta

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04 Julho 2017

Na Gregoriana, onde ele ensinou teologia dogmática durante anos, ainda se lembram dele, não só porque ele era um dos poucos que precisava da Aula Magna para os seus cursos, por causa da quantidade de estudantes, mas também, como disse o ex-decano Michael Paul Gallagher, por causa da “correção do seu pensamento, a segurança dos julgamentos, a capacidade de visão abrangente, o caráter teológico não polêmico”.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 02-07-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Características do novo prefeito da Doutrina da Fé, chamado a suceder, por vontade de Francisco, o cardeal Gerhard Ludwig Müller, que apagam, desde o nascimento, as hipóteses de “demissão” do purpurado alemão por causa da sua linha conservadora demais.

Na verdade, Luis Francisco Ladaria Ferrer, 73 anos, natural da Ilha de Maiorca, arcebispo jesuíta, secretário do próprio Santo Ofício por vontade de Ratzinger, foi nomeado pelo papa mais do que qualquer outra coisa por causa da sua reserva, por não amar, ao contrário de uma certa inclinação do seu antecessor, os holofotes da mídia, por saber estar com medida no seu lugar.

“Devo dizer que eu não gosto dos extremismos, nem dos progressistas, nem dos tradicionalistas. Acho que há um caminho do meio”, disse Ladaria há algum tempo à revista 30 Giorni. O que confirma uma personalidade reservada, mas, ao mesmo tempo, de um perfil de continuidade quanto a posições teológicas com o seu antecessor na Suprema.

É claro, as divergências sobre os não homogêneos posicionamentos entre Bergoglio e Müller existiram. O momento mais crítico ocorreu durante o Sínodo dos Bispos sobre a família em 2014. O purpurado alemão até assinou a carta dos 13 cardeais que declaravam uma série de “preocupações” sobre os procedimentos do próprio Sínodo, na sua opinião “configurados para facilitar resultados predeterminados sobre importantes questões controversas” e sobre o Instrumentum laboris, considerado inadequado como “texto-guia e fundamento de um documento final”.

Mas não devem ser encontradas aí as motivações da substituição naquele que, para todos os efeitos, é o dicastério mais importante da Santa Sé. Mas sim em uma gestão nem sempre à altura do próprio dicastério e, dizem do outro lado do Rio Tibre, também naquela propensão a expor os próprios pontos de vista não diretamente em uma conversa com o papa.

Em todo o caso, a nomeação soa como uma virada nada pequena. “Como ocorreu com João XXIII que, com a morte do secretário de Estado, Domenico Tardini, em 1961, pôde dar uma marca mais pessoal ao seu pontificado, a não recondução de Müller representa a mesma virada”, comenta o historiador Enrico Galavotti.

A Congregação para a Doutrina da Fé é um ministério crucial nas dinâmicas vaticanas. De lá, dão-se impulso e vigor doutrinais à linha papal. Vigia-se que a própria doutrina não seja traída, tentando favorecer a sua “encarnação” na vida dos fiéis de todos os dias. Ao mesmo tempo, é do ex-Santo Ofício que, de acordo com as últimas disposições, partem as diretrizes para enfrentar os casos de pedofilia cometidos por expoentes do clero. Não só: de acordo com um recente motu proprio papal, cabe à Doutrina da Fé abrir os processos contra os bispos responsáveis por terem acobertado os próprios pedófilos.

A gestão de Müller do dossiê da pedofilia criou alguns atritos com alguns membros da Comissão Pontifícia para a Proteção dos Menores. Acima de tudo, uma polêmica gerada com Müller pela ex-vítima Marie Collins. Talvez também por esse motivo a relação com Francisco nunca decolou totalmente, embora pareça não ter sido esse o ponto delicado que levou o papa a licenciar o cardeal alemão. Que parece determinado a não aceitar nenhum cargo romano em favor de uma retirada quase monástica às terras alemãs.

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