Primeiro cardeal do Mali a promover a paz e a compreensão na região

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22 Junho 2017

O cardeal eleito Jean Zerbo, de Bamako, Mali, o primeiro do país da África Ocidental, usará seu cargo para abrandar as múltiplas crises enfrentadas pelas regiões subsaarianas, disse um assessor, apesar das novas acusações da mídia ligando-o a um escândalo financeiro.

A reportagem é de Jonathan Luxmoore, publicada por Catholic News Service, 21-06- 2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Theodore Togo, secretário-geral da Caritas do Mali, disse que o sucesso do cardeal eleito Zerbo na construção de relações inter-religiosas e na colaboração para reduzir as tensões entre o governo e os rebeldes tem sido positivo para o país, que tem 17 milhões de habitantes.

"Mas nossos próprios problemas relacionam-se às crises que estão ocorrendo nessa região e nós somos parte de um contexto mais amplo. O que os cristãos podem fazer pela paz e pela justiça aqui também tem consequências em outros lugares", disse Togo.

Zerbo receberia seu chapéu vermelho no consistório do Vaticano de 28 de junho.

Em uma entrevista de 1º de junho ao Catholic News Service, Togo disse que o anúncio do Papa do primeiro cardeal do Mali, em 21 de maio, foi "recebido com alegria" e considerado uma oportunidade de a Igreja ser "mais eficaz e dinâmica em sua missão diária" e de o novo cardeal intensificar seu "engajamento na reconstrução nacional e na reconciliação", que vem de longa data.

No entanto, a alegria pela nomeação foi manchada em 31 de maio pelas reportagens do jornal francês Le Monde e de outros jornais, que acusavam o cardeal eleito, de 73 anos, de ter contas secretas na Suíça.

O Le Monde informou que no ano de 2007 haveria US$ 13,4 milhões em sete contas, abertas pela conferência dos bispos católicos do Mali no banco HSBC britânico em 2002. Os depósitos, revelados por um grupo de jornalistas, o Swiss Leaks, formaram um "vasto sistema de evasão fiscal" e foram associados a Zerbo e ao bispo Jean-Gabriel Diarra, da diocese de San, segundo informações do jornal.

As alegações de que os líderes da Igreja "desviaram fundos dos fiéis católicos" foram rejeitadas pela conferência episcopal de Mali em um comunicado, que afirmou no dia 1º de junho que o dinheiro da igreja era controlado por uma comissão interdiocesana, criada em 1988 para coordenar o trabalho pastoral, catequético e de caridade, e foi usado "com total transparência".

"A igreja de Mali realiza sua missão de evangelização com dignidade. Ela não pode usar dinheiro sujo para proclamar o Reino de Deus", disse o comunicado.

Os rebeldes étnicos do Tuareg que queriam separar o estado invadiram grande parte do norte de Mali durante 2012, atuando em conjunto com insurgentes islâmicos que acredita-se que tenham ligação com a Al Qaeda.

A França interveio com ataques aéreos em janeiro de 2013 para impedir uma marcha rebelde em Bamako e, mais tarde, entregou a segurança às forças do governo maliense e à missão militar das Nações Unidas.

As assembleias regionais devem ser eleitas sob um acordo de paz firmado em junho de 2015 com o governo do presidente Ibrahim Boubacar Keita, e os combatentes rebeldes, integrados às forças de segurança nacional.

No entanto, os ataques continuaram após o acordo, atrasando o retorno de 140 mil malianos deslocados dos países vizinhos de Níger, Mauritânia e Burkina Faso.

Nascido em San em 1943, Zerbo foi ordenado em 1971, estudou em Lyon, na França, e no Pontifício Instituto Bíblico de Roma entre 1977 e 1981.

Após seis anos de ministério paroquial e ensino no seminário, ele foi ordenado bispo auxiliar de Bamako em 1988 e tornou-se bispo de Mopti em 1994. Em junho de 1998, ele foi designado para suceder o arcebispo de Bamako, Luc Auguste Sangare. Ele foi elogiado por promover o diálogo entre cristãos e muçulmanos e por participar das negociações de 2012 entre governantes militares do Mali e partidos da oposição.

Em uma declaração, Keita descreveu a elevação do cardeal eleito Zerbo como "uma grande honra para toda a Igreja Católica na África" e disse que desejava ao cardeal "a necessária saúde e discernimento" para sua nova missão.

Togo disse ao CNS que os líderes religiosos louvaram o cardeal eleito Zerbo por manter um discurso conciliatório durante a inauguração de Keita em setembro de 2013, bem como por permitir que a Caritas do Mali fosse a primeira organização católica da região a atuar no monitoramento oficial das eleições.

"Embora Mali não seja um país cristão, e nossa comunidade católica seja pequena, ele encoraja a todos, desde seus irmãos bispos até os demais membros, ao diálogo e à reconciliação", disse Togo.

"E enquanto suas principais contribuições para a paz continuarem sendo sentidas aqui, ele certamente também participará dos assuntos internacionais da Igreja, dependendo das tarefas que o Papa atribuir", acrescentou. "Ele é uma pessoa aberta, que sabe que é possível avançar em um caminho positivo com os valores certos."

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