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16 Junho 2017

A reflexão é de Marcel Domergue (+1922-2015), sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras do 11º Domingo do Tempo Comum, do Ciclo A (18 de junho de 2017). A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.

Eis o texto.

Referências bíblicas


Êxodo 19,2-6

Salmo 99

Romanos 5,6-11

Mateus 9,36 a 10,8

Reconciliados pela morte de Cristo

Esta é a forma como Paulo se exprime, na 2ª leitura. E reconciliação supõe ter havido uma divisão. Qual divisão? Sem dúvida, a que nos separa de Deus. Mas o que isto quer dizer? Desembaracemo-nos da imagem daquele ser soberano, administrador arbitrário do céu e da terra.

Quando dizemos que estamos separados de Deus, queremos significar que estamos separados da nossa própria vida, da nossa verdade de seres humanos. Em outra linguagem: esta divisão nos separa de quem nos faz existir; faz com que saiamos do caminho da nossa criação.

De fato, a nossa criação está em curso, mas não pode realizar-se sem o assentimento da nossa liberdade. Assentimento este que é a fé. Tendo dito isto, devemos nos perguntar em que consiste a reconciliação e como ela se opera. E é aí que vamos encontrar Jesus, o Cristo. Vamos ler com atenção a segunda leitura.

Convém, obviamente, que superemos as imagens de um Deus raivoso, por causa das nossas faltas, e apaziguado pelo sangue de seu Filho; um Deus que exige que as dívidas sejam pagas, enquanto nos pede para perdoá-las. A morte de Cristo, para Paulo, é a prova do amor de Deus por nós.

O Pai e o Filho estão de acordo em nos fazer recuperar a vida. Mas porque isto tem de passar pela cruz? Porque a morte é a figura histórica assumida pela separação entre nós e Aquele que nos faz ser.

São, aliás, as nossas condutas, que reduzem Deus à impotência impedindo-O de nos fazer avançar no caminho da nossa criação, que O eliminam e O levam à morte. A cruz nos diz que Ele aceita isto e que, ao aceitá-lo, o desarma. Por isso era preciso que o Cristo ressuscitasse dentre os mortos.

O semeador e a Palavra semeada

O Evangelho (3a. leitura) nos conduz ao final deste processo de reconciliação. Temos aí os filhos perdidos, como ovelhas sem pastor. São todos os que devem se reconciliar com a sua vida, por via da fé, da esperança e do amor.

Jesus passa imediatamente da imagem do rebanho à da messe: ovelhas desgarradas servem para falar da aflição, já a messe nos fala de frutos e abundância. Esta messe já está pronta para ser colhida; faltam apenas os trabalhadores.

Jesus vai contratá-los. E, irresistivelmente, pensamos em João 4,35-39: aqui, é outro semeador e são outros trabalhadores. Quem é o semeador? Deus, claro. E o que representa o grão semeado? O Cristo, sem dúvida nenhuma. Mateus 13,19 e Lucas 8,11 falam na “Palavra de Deus”.

A Palavra “que se fez carne” será lançada na terra: sob esta condição é que poderá dar fruto (João 12,24). Esta metáfora da semente serve também para Paulo, em 1 Coríntios 15,35-38: “O que semeias, não readquire vida a não ser que morra.”

Enfim, Deus, em Cristo, é que é a uma só vez o semeador e o grão semeado. Desta forma, Deus é visto como a Origem absoluta e o Cristo como a Palavra do começo: a Palavra na qual toda messe, todo ser, tudo o que é bom tem o seu nascimento.

Os gregos chamam de “logos spermatikos”, ou seja, palavra semente. Mas é preciso que esta Palavra morra na terra, para, integrando-se a ela, transformar a esterilidade em fecundidade.

Os trabalhadores

Se Deus de algum modo detém o monopólio das semeaduras, são os homens que entram neste campo; campo que, de origem, não é o seu e nem foram eles que semearam. Mas são eles que irão se beneficiar da colheita.

Quando o Cristo é lançado na terra, Deus semeia em lágrimas, e os homens fazem a colheita cantando. E Deus deveria então “chorar”? Por isso é que, em João 4,36, Jesus se vê obrigado a precisar que o semeador e os que fazem a colheita se alegram juntos.

Já se encontra aí a reconciliação de que nos fala Paulo. O tempo da morte e do sepulcro é absorvido pela vida. No evangelho de hoje, no entanto, Jesus está desolado com a falta de trabalhadores para a colheita, o que deixa as multidões – a messe – como ovelhas sem pastor.

Por isso Jesus chama seus doze discípulos e os envia ao campo, para colher. Não vamos passar ligeiros demais por sobre a lista dos trabalhos que estes operários terão de executar. Logo de início, ele lhes confere um poder que não é outro senão o seu poder (10,1).

E estes homens se tornarão assim, de algum modo, outros Cristos. Paulo dirá que juntos eles formam o Corpo de Cristo. Em seguida, se somos capazes de superar a linguagem do milagre e das maravilhas, notemos que toda ação dos discípulos é orientada para o bem dos homens.

Não se trata de doutriná-los nem de colocá-los em situação de dependência, mas, ao contrário, de libertá-los de tudo o que os oprime, anunciando-lhes a Boa Nova do Reino, ou seja, a tomada do poder pelo amor.


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