Nigéria. Obedientes ou suspensos “a divinis”. O 'ou...ou” do Papa aos padres rebeldes

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13 Junho 2017

A Diocese de Ahiara, na Nigéria, não é a única sede africana cujo bispo, nomeado por Roma, foi rejeitado pela comunidade local porque pertence a uma etnia estranha. Há menos de um mês, Settimo Cielo documentou um caso análogo na Diocese de Makeni, em Serra Leoa.

A reportagem é de Sandro Magister, publicada por Settimo Cielo, 12-06-2017. A tradução é do Cepat.

Contudo, no caso da Diocese de Ahiara, o Papa Francisco não delegou para outros a solução do conflito, ao contrário, assumiu o tema em suas mãos. Em Roma, pediu um informe aos protagonistas do problema, ao bispo nomeado mas que sofre a rejeição dos padres, Peter Okpaleke, a uma representação do clero e dos fiéis locais e aos anciãos do episcopado nigeriano, diante da presença do cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, e do prefeito da Congregação Propaganda Fide, Fernando Filoni. E ele decidiu o que é necessário ser feito imediatamente após ouvi-los.

O encontro aconteceu no Vaticano, na quinta-feira, dia 8 de junho. Ao término do encontro foi divulgado um comunicado anunciando que o Papa “reservou para si tomar as providências oportunas”.

Na realidade, Francisco já havia tomado as providências oportunas. Imediatamente. Dois dias depois, no dia 10 de junho, foi difundida a transcrição oficial das palavras pronunciadas por ele ao término do encontro.

Palavras duríssimas, pungentes. Aos sacerdotes rebeldes, Francisco ordenou se submeter por escrito, em uma carta dirigida pessoalmente a ele, sob pena de suspensão “a divinis”.

Abaixo, apresentamos, palavra por palavra, o que o Papa ordenou e como advertiu a delegação da Diocese de Ahiara. Um exemplo instrutivo do estilo de comando do jesuíta Jorge Mario Bergoglio, o que evidentemente não coincide com o dos progressistas que querem que os bispos sejam eleitos pelas comunidades locais.

“Uma Igreja em estado de viuvez”

"Cumprimento cordialmente a Delegação e lhes agradeço que tenham vindo da Nigéria com espírito de peregrinação. Para mim, este encontro é um consolo, porque estou muito triste pelos acontecimentos padecidos pela Igreja em Ahiara.

Na realidade, a Igreja (desculpo-me pela frase) está como que em um estado de viuvez ao ter impedido o bispo de chegar até lá. Diversas vezes, veio-me à mente a parábola dos vinhateiros homicidas, dos quais fala o Evangelho (cf. Mt 21, 33-44), que querem se apropriar da herança. Nesta situação, a Diocese de Ahiara está como sem esposo, e perdeu sua fecundidade e não pode dar fruto.

Quem se opôs à tomada de posse do bispo, dom Okpalek, quer destruir a Igreja. Isto não é permitido, talvez não perceba, mas a Igreja está sofrendo e nela o Povo de Deus. O Papa não pode ser indiferente a este problema. Conheço muito bem os problemas que há anos se arrastam na diocese e agradeço pela atitude de grande paciência do bispo, melhor dito, de santa paciência que demonstrou. Ouvi e refleti muito, também com a ideia de suprimir a diocese, mas depois pensei que a Igreja é mãe e não pode abandonar a tantos filhos como vocês. Tenho uma grande dor por causa destes sacerdotes que são manipulados, talvez também a partir do exterior e de fora da diocese.

Considero que, aqui, não se trata de um caso de tribalismo, mas de apropriação da vinha do Senhor. A Igreja é mãe e quem a ofende comete um pecado mortal, é grave. Por isso, decidi não suprimir a diocese. No entanto, desejo dar algumas indicações para comunicar a todos: antes de tudo, é preciso dizer que o Papa está profundamente dolorido, por isso peço que cada sacerdote ou religioso incardinado na Diocese de Ahiara, residente ou que trabalhe em outro lugar, também no exterior, escreva uma carta dirigida a mim, na qual peça perdão. Todos devem escrever individual e pessoalmente; todos devemos ter esta dor comum.

Na carta, (1) deve-se manifestar, claramente, obediência total ao Papa e (2) quem a escreve deve estar disposto a aceitar o bispo que o Papa envia e nomeia. (3) A carta deve ser enviada no prazo de 30 dias, de hoje até 9 de julho. Aquele que assim não proceder “ipso facto” será suspenso a divinis e será interrompido em seu cargo.

Isto parece muito duro, mas por que o Papa faz isto? Porque o Povo de Deus está escandalizado. Jesus recorda que aquele que escandaliza deve sofrer as consequências. Talvez alguém tenha sido manipulado sem pleno conhecimento da ferida inferida à comunhão eclesial.

A vocês, irmãos e irmãs, manifesto-lhes um vivo agradecimento por sua presença; assim como também ao cardeal Onaiyekan por sua paciência e ao bispo Okpaleke, de quem admirei, além da paciência, também sua humildade. Obrigado a todos."

L’Osservatore Romano, de 11 de junho, também informou que “o cardeal prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, Fernando Filoni, pediu a Francisco – que aceitou – que como conclusão destas vicissitudes, a Diocese de Ahiara, com seu bispo, realize uma peregrinação a Roma e se encontre com o Papa”.

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