Bassetti, sinal da nova sintonia dos bispos italianos com Bergoglio. Artigo de Alessandro Santagata

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26 Maio 2017

“Pode-se entrever muito claramente uma sintonia entre a maioria dos bispos e o papa argentino em torno de um bispo de perfil ‘pastoral’, que podemos considerar como de ‘transição’ e que deveria (mas o condicional é obrigatório) garantir uma maior sintonia entre a CEI e a Santa Sé.”

A opinião é do historiador italiano Alessandro Santagata, professor da Universidade de Roma Tor Vergata, em artigo publicado por Il Manifesto, 25-05-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Como havia sido levantado depois da divulgação da terna oficial, o Papa Francisco escolheu o cardeal Gualtiero Bassetti como novo presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI). Com 134 votos, o nome do arcebispo de Perugia foi o mais votado pela assembleia: uma indicação que pode ser interpretada, em um primeiro momento, como a resposta de um episcopado que quis conservar a excepcionalidade do sistema eletivo italiano e, ao mesmo tempo, apontar uma candidatura que agrada ao pontífice.

Mas quem é o cardeal Bassetti? Não se trata de um dos nomes mais recorrentes no noticiário, embora se houvesse falado dele recentemente por ocasião do caso “Fabiano Antoniani, DJ Fabo.

“Todas as vezes em que se põe fim a uma vida, somos todos derrotados”, declarou o cardeal, exortando a não confundir testamento biológico e eutanásia. Na mesma entrevista, ele recordou como exemplo positivo a decisão do cardeal Silvano Piovanelli de recusar os tratamentos.

A essa figura, expressão de um certo reformismo florentino do século XX, Bassetti está ligado pelo menos desde os anos 1990, quando dava os seus primeiros passos como vigário-geral da Arquidiocese de Florença.

Em 1994, João Paulo II o fizera bispo de Massa Marittima-Piombino. A partir de 1998, ele iniciava o ministério episcopal em Arezzo, que durou até 2009, quando foi promovido a arcebispo de Perugia-Città della Pieve.

Na biografia publicada no site da diocese, recorda-se desses anos o compromisso pastoral em contato com os jovens, os trabalhadores e os migrantes e, não sem uma boa dose de retórica, ele é aproximado da figura de Leão XIII, o papa da Rerum novarum, que foi bispo de Perugia.

É certo que a sua atenção ao mundo do trabalho se concretizou em uma presença recorrente nas empresas ameaçadas pela crise e encontrou uma sistematização na Carta Pastoral de 1º de maio de 2004: “Na crise: a esperança para além do medo”.

Em 2014, o Papa Francisco lhe concedeu a púrpura de surpresa, rompendo a tradição das dioceses cardinalícias (à qual Perugia não pertence) e, em 2016, ele o inseriu na Congregação vaticana dos Bispos no lugar de Bagnasco.

Por fim, antes da assembleia geral, o papa prorrogou o seu cargo de arcebispo, rejeitando a renúncia por limite de idade. São justamente estes últimos dados que permitem entrever muito claramente uma sintonia entre a maioria dos bispos e o papa argentino em torno de um bispo de perfil “pastoral”, que podemos considerar como de “transição” e que deveria (mas o condicional é obrigatório) garantir uma maior sintonia entre a CEI e a Santa Sé.

Na sua primeira declaração como presidente, Bassetti especificou que não tem “programas pré-preparados para oferecer, porque, na minha vida, eu sempre fui muito improvisador”. É preciso acreditar nele quando ele fala que quer reencontrar a unidade no episcopado, já que, de acordo com os boatos, os meses que antecederam a sua nomeação tiveram muitos confrontos e tensões internas.

O novo presidente é chamado a fazer as contas com um passado bastante turbulento, que viu, muitas vezes, a CEI e o papa se expressando de forma diferente, embora seja difícil entender até que ponto, às vezes, não foi um jogo das partes ou simplesmente um efeito da decisão Bergoglio de respeitar a autonomia da Igreja italiana.

Se tomarmos por exemplo, o caso do confronto sobre as uniões civis, é evidente a distância entre as aberturas pastorais do papa, que, embora reiterando o “não” à equiparação jurídica entre família tradicional e casais homossexuais, não levantou barricadas, e as inúmeras declarações do cardeal Bagnasco contra a [senadora] Cirinnà, substancialmente em continuidade com as rasteiras violentas nos tempos da presidência do cardeal Ruini.

Sabemos que Bassetti se associou à oposição à Step-Child adoption, depois esculpida na fonrmulação final da lei, assumiu as reivindicações do Family Day, mas desposou abertamente a linha do diálogo. Ainda está em aberto, no entanto, o fronte do testamento biológico – no seu último discurso, Bagnasco recordou que “distanciou-se do projeto de lei” – sobre o qual será possível ter uma ideia mais precisa dessa nova presidência do ponto de vista político.

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