Anders Arborelius, novo cardeal, o bispo carmelita que aposta nos jovens

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25 Maio 2017

Ele nasceu há 67 anos em Sorengo, um pequeno município no cantão Ticino, na Suíça, mas a sua família era sueca, e foi na Suécia, precisamente em Lund, que ele cresceu: Anders Arborelius, primeiro bispo de Estocolmo, proveniente da sua terra desde os tempos da Reforma e cardeal eleito para o próximo consistório de junho. Uma nomeação que, em Estocolmo, parece ser uma autêntica “surpresa”, de acordo com as declarações de Kristina Keller, responsável pela comunicação da diocese católica, que afirma: “Um fato incrivelmente lisonjeiro que nos honra”, e de Douglas Brommesson, cientista político da Universidade de Lund: “Uma notícia totalmente inesperada”.

A reportagem é de Maria Teresa Pontara Pederiva, publicada por Vatican Insider, 23-05-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mas é justamente o interessado que foi pego de surpresa: Arborelius, no site da diocese, confessa ter tido um “leve choque” diante do anúncio do pontífice ao término do Regina Coeli de domingo passado, embora depois ele tenha declarado à imprensa local: “Certamente, é uma grande alegria para esta parte do mundo. Estamos sob a atenção do papa, embora eu não esconda que sinto uma certa trepidação. Também devemos ficar alegres porque a Suécia, e pode-se dizer toda a Escandinávia, entra ainda mais no mapa do catolicismo mundial, assim como as portas da Igreja Católica se abrem mais em relação à nossa terra. Depois da memória dos 500 anos da Reforma e da visita do Papa Francisco no ano passado, estamos alegres também porque o pontífice reconhece os nossos esforços e o nosso trabalho pela unidade dos cristãos”.

A visita de Bergoglio a Lund, em outubro, foi vista no país escandinavo como o precedente que teria desencadeado a decisão, quase como um reconhecimento dos esforços (e foram muitos e variados) feitos pelo bispo no âmbito ecumênico, mas aqueles que o conhecem podem testemunhar como a sua figura realmente encarna o ideal de pastor que o pontífice argentino tem em mente.

Começando pela história pessoal como cristão e religioso (outro religioso avesso à vida comunitária). De família luterana, converteu-se ao catolicismo aos 20 anos, em 1969, e, dois anos depois, entrou na Ordem dos Padres Carmelitas Descalços junto ao convento de Norraby, no sul da Suécia. Enviado para a Bélgica para continuar os seus estudos teológicos, foi em Bruges que ele fez os votos perpétuos e obteve também o diploma em filosofia. Depois do doutorado no Teresianum, em Roma, foi ordenado sacerdote em Malmö, em 8 de setembro de 1979.

Em dezembro de 1998, aos 49 anos, foi consagrado bispo na catedral católica de Sant’Erik, em Estocolmo, pelo seu antecessor, Dom Hubertus Brandenburg, primeiro prelado católico da Suécia com origens suecas desde o tempo da Reforma. Nas grandes ocasiões, à veste filetada, ele sempre preferiu o hábito branco carmelita: um gesto significativo (em um país onde os membros da família real podem ser encontrados no transporte público) e apreciado por muitos nos escritórios da Cúria local, assim como em cidades e dioceses de todo o país.

E é com o seu hábito simples que ele aparece retratado em uma foto de grupo dos últimos compromissos da Conferência Episcopal Nórdica (que inclui, caso único na Europa, nada menos do que cinco Igrejas locais: Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia), reunida sob a presidência de Dom Czesław Kozon, bispo de Copenhague, no dia 12 de abril passado, para refletir sobre as implicações pastorais da exortação apostólica “Glädjen atta älska”, ou seja, a Amoris laetitia. O tema da família sempre foi muito trabalhado por ele como religioso e como bispo: de 2002 a 2009, ele foi membro da equipe presidencial do então Pontifício Conselho para a Família e, desde 2014, é consultor do Pontifício Conselho para os Leigos.

É uma pastoral de proximidade e de minoria aquela que o cardeal eleito – à frente da sua Conferência Episcopal de 2005 a 2015 – leva adiante em um país onde a secularização abriu caminho na Europa, mas onde, depois da entrada em vigor no ano 2000 da lei que tirava da Constituição a Igreja Luterana como religião de Estado, abrindo a todas as confissões e fés (mas o soberano deve continuar sendo membro da Igreja Luterana, que também gerencia todos os cemitérios), os católicos estão em contínuo crescimento.

Apesar de alguns preconceitos ainda estarem bem enraizados – como a mistura entre a Igreja de Roma e toda forma de poder –, a influência do catolicismo aumenta também no tecido social por causa da conversão, nos últimos anos, de um certo número de figuras conhecidas de intelectuais e artistas.

O que serviu de fermento, de ano em ano, para o número dos fiéis foram os imigrantes que chegam de todas as partes da Europa (muitos da Europa Oriental) e do Oriente Médio. É sobre o tema da acolhida aos imigrantes – não sem a oposição de grupos xenófobos – que se concentra, nesse último ano, a atenção de Arborelius: “Devemos estar unidos entre nós, da Igreja local da Suécia, para testemunhar ao mundo que se pode viver juntos na fé, esperança e caridade”. É uma expressão recorrente dele, que mostra a sua consciência da responsabilidade que repousa sobre a comunidade eclesial católica para construir uma sociedade realmente multiétnica e pluralista.

“A missão da Igreja e da vida de todo cristão se articula com quatro dimensões inseparáveis: koinonía, martyria, leitourghía e diakonia”, afirma o site diocesano, que também fornece os elementos essenciais do Catecismo, enquanto um católico afirma como “o verdadeiro fundamento não são leis e documentos, mas sim a presença viva de Cristo na própria vida e o pertencimento a uma comunidade que parte o pão para, depois, amar o próximo”.

“Os católicos orientais são uma grande riqueza para o nosso país”, declarava o arcebispo em 2011 a um jornal local, no qual, brincando, acrescentava: “Eu diria que, na nossa diocese, temos tantos problemas entre progressistas e tradicionalistas, mas temos problemas de espaço: as nossas Igrejas estão se tornando pequenas demais para celebrar com tantos fiéis com os quais não estamos acostumados...”.

Em outra ocasião, ele não escondeu a sua satisfação ao ver não só jovens imigrantes do Oriente Médio, mas também algumas jovens obterem o seu doutorado na Karoliska (um antigo instituto de pesquisa na capital): “Não é raro que as moças, se em pé de igualdade, sejam melhores”. Ele aposta muito nos jovens e na sua capacidade de se integrar: “As nossas comunidades, graças a eles, devem se tornar ‘laboratórios de integração’”.

Em anos de escassez de clero local, uma forte ajuda lhe é fornecida pelos jesuítas da paróquia de Santa Eugênia, a igreja mais antiga de Estocolmo, fundada em 1783 (uma inegável referência para o Papa Francisco sobre os eventos suecos de hoje): um verdadeiro forno de atividades que vão do serviço aos refugiados até a pastoral universitária.

Ex-membro dos dois Sínodos dos Bispos sobre a família, Dom Arborelius relata com prazer a sua experiência, que ele considera positiva em relação ao método de trabalho e aos conteúdos das discussões. Com uma exceção: “Um dia, quando o Papa Francisco não pôde estar presente, eu me senti um pouco como um menino sem a orientação de um pai...”.

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