Sínodo para os povos da Amazônia: Igrejas de nove nações sul-americanas estariam envolvidas

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19 Maio 2017

É cativante e singular a proposta do Papa Francisco, sugerida no recente encontro com os bispos do Peru no Vaticano para a sua quinquenal visita ad limina: um sínodo para os povos e nações que vivem na floresta pluvial da Amazônia, povos que pertencem atualmente a nove países: Brasil (67%), Peru (13%), Bolívia (11%), Colômbia (6%), Equador (2%), Venezuela (1%), Suriname, Guiana e Guiana Francesa (somados com 0,15%).

A reportagem é de Luis Badilla e Francesco Gagliano, publicada no sítio Il Sismografo, 18-05-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Na região amazônica da América do Sul, habitam 2.779.478 indígenas pertencentes a 390 povos autóctones e 137 povos “isolados” (não contatados). São pessoas que falam 240 línguas diferentes, pertencentes a 49 ramos linguísticos, as mais relevantes do ponto de vista histórico e cultural.

Essas Igrejas locais, portanto, têm uma ou mais dioceses amazônicas, particularmente o Brasil, e, desde setembro de 2014, podem contar com o apoio da Rede Eclesial Panamazônica (Repam), nascida em Brasília por ocasião de um encontro entre bispos de dioceses que incluem no seu território regiões amazônicas, sacerdotes, missionários e missionárias de congregações que trabalham na selva amazônica, representantes de algumas Cáritas nacionais e leigos pertencentes a várias estruturas da Igreja.

Em março de 2015, o cardeal Peter Appiah Turkson, apresentando a Repam em Roma, destacou três das suas características:

1) A transnacionalidade: o elevado número de países envolvidos se deve à consciência de que uma eficaz ação de combate aos desafios que ultrapassam as fronteiras de um único Estado requer a sinergia das forças vivas de todas as nações envolvidas: do nível do Secretariado da Repam ao das dioceses e das outras iniciativas da Igreja nos vários Estados, sem esquecer que, desde o início, a Repam trabalha em sintonia com a Santa Sé, o Celam e as suas estruturas.

2) A eclesialidade: além de agir de modo transnacional, a Repam visa a criar uma colaboração harmoniosa entre os vários componentes da Igreja: congregações religiosas, dioceses, Cáritas, várias associações ou fundações católicas, e grupos de leigos.

3) O compromisso com a proteção da vida: a Repam nasceu para responder a desafios importantes. Está em jogo a defesa da vida de várias comunidades, que, somadas, representam mais de 30 milhões de pessoas. Elas estão ameaçadas pela poluição, pela radical e rápida mudança do ecossistema do qual dependem, e pela falta de proteção de direitos humanos fundamentais. Isso ocorre quando, por exemplo, o desmatamento avança sem controle, ou quando projetos de mineração e de agricultura intensiva são iniciados sem consultar, muito menos envolver, as populações locais da Amazônia, no respeito da sua dignidade.

Nessas considerações, estão todos os elementos fundamentais que dão suporte e perspectiva eclesial à sugestão do Papa Francisco e que o principal animador da Repam, o cardeal Cláudio Hummes, ressaltou assim: “O Santo Padre Francisco nos encorajou fortemente nessa direção, quando, durante a Jornada Mundial da Juventude, em 2013, no Rio de Janeiro, falando aos bispos brasileiros, disse que ‘a Amazônia é um teste decisivo, um banco de provas para a Igreja e a sociedade’ e acrescentou um ‘forte apelo ao respeito e à salvaguarda de toda a criação que Deus confiou ao homem, não para que a explorasse rudemente, mas para que tornasse ela um jardim’. E disse ainda: ‘Gostaria de acrescentar que deve ser mais incentivada e relançada a obra da Igreja na Amazônia’. A criação da Repam se coloca como mais um incentivo e relançamento da obra da Igreja na Amazônia, fortemente desejada pelo Santo Padre. Lá, a Igreja quer ser com coragem e determinação uma Igreja missionária, misericordiosa, profética, próxima de todas as pessoas, especialmente dos mais pobres, dos excluídos, dos descartados, dos esquecidos e dos feridos. Uma Igreja com um ‘rosto amazônico’ e um ‘clero autóctone’, como propôs o Papa Francisco no seu discurso aos bispos brasileiros”.

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