México. Promotoria é criticada por culpabilizar mulher morta em universidade

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Por: João Flores da Cunha | 06 Mai 2017

A Promotoria-Geral de Justiça da Cidade do México está sendo criticada no país por culpabilizar a vítima de um crime. O órgão tornou públicos aspectos da vida pessoal de uma mulher assassinada na Universidade Nacional Autônoma do México – Unam.

Lesby Berlín Osorio Martínez, de 22 anos, foi encontrada morta no dia 3-5 no campus da Unam. Ela foi estrangulada com um cabo telefônico. Ainda não há informações sobre o assassino.

Para além do crime, o caso provocou indignação por conta de sua repercussão. A Promotoria-Geral publicou informações dando conta de que “no dia dos acontecimentos”, Berlín “se reuniu com vários amigos na Cidade Universitária, onde estiveram se alcoolizando e drogando-se”.

O órgão também registrou que a mulher assassinada já não era mais estudante da Universidade, tendo atrasado disciplinas do curso que fazia até 2014, e que ela havia “saído de casa, e vivia em concubinato com seu namorado”.

As mensagens, publicadas no Twitter, foram posteriormente deletadas. O promotor-geral, Rodolfo Ríos, afirmou que os tuítes são “inapropriados”, e “contrários aos protocolos e princípios” do órgão.

“Jamais a conduta, a vida privada ou a condição social de uma vítima afetará uma investigação. Ordenei retificar este grave erro”, disse Ríos. A Comunicação Social da Promotoria pediu desculpas pelo que chamou de “grave erro”.

Mulheres expressaram sua indignação em redes sociais utilizando a hashtag #SiMeMatan em que chamaram atenção para o machismo presente na reação da Promotoria. Também publicaram mensagens especulando sobre o que seria dito se elas fossem assassinadas.

Assim, viralizaram tuítes como “se me matam, espero que a polícia (e a mídia) se foquem no meu assassino e não na minha roupa, nos meus estudos, meu trabalho ou com quem durmo” e “se me matam, é por andar livre pela rua, a qualquer hora, por me defender do assédio e por denunciar o sexismo”.

A jornalista Laura Castellanos publicou no Twitter a mensagem “se me matam, foi por ser repórter mexicana. Por me meter onde não sou chamada. Por escrever sobre massacres e subversão. Por não me calar”. O México é o país mais perigoso para jornalistas da América Latina, de acordo com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos – CIDH.

O reitor da UNAM, Enrique Graue Wiechers, enfatizou “a indignação que nos provoca a tragédia que significa o falecimento de uma mulher tão jovem, é a cara de um México descolorido, lastimado e violentado”.

Para ele, a morte da jovem “representa tudo o que como sociedade não queremos ser”, bem como “o medo justificado com o qual vivemos, a constante insegurança que percebemos e a violência atroz à que indevidamente parece que nos acostumamos”. Nesse cenário, são as mulheres que mais sofrem, assinalou Graue.

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