“Não compartilho a expressão ‘Papa emérito’”, afirma o arcebispo Rino Fisichella

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05 Mai 2017

O arcebispo Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, não compartilha a decisão tomada por Bento XVI, após sua renúncia, de se chamar ‘Papa emérito’. O prelado fez esta afirmação durante a apresentação do livro Il Papa del coraggio, escrito pelo vaticanista do jornal italiano Avvenire, Mimmo Muolo, e publicado pela editora Ancora. “Não compartilho a expressão ‘Papa emérito’, que teologicamente apresenta mais problemas do que os resolve. Respeito-a, mas não a utilizarei”, à espera de outra denominação menos problemática do ponto de vista teológico, disse Fisichella.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 04-05-2017. A tradução é do Cepat.

A voz do arcebispo encarregado do dicastério que justamente Bento XVI quis instituir para promover a nova evangelização se soma a outras vozes que já expressaram suas dúvidas e perplexidades diante da escolha da expressão ‘Papa emérito’. Como a do bispo Giuseppe Sciacca, secretário da Signatura Apostólica, que afirmou que “a unicidade da sucessão petrina não admite em seu interior nenhuma distinção a mais ou duplicação dos ofícios, ainda que já não sejam livres no exercício”. Ou como a do cardeal Walter Brandmüller, que definiu como “não necessária e nem urgente uma legislação que defina e regule” o estatuto de quem foi Papa e deixa de ser após uma renúncia.

Em seu discurso durante a apresentação do livro de Muolo, Fisichella destacou que a corajosa decisão de Ratzinger abriu um “novo horizonte” para o futuro da Sé Apostólica, com a possibilidade que outros Pontífices façam o mesmo. O arcebispo também precisou que a decisão, claramente um divisor de águas e histórica renúncia, foi vivida por todos emotivamente, mas para seu protagonista, Bento XVI, foi uma decisão ponderada e meditada. Fisichella também falou sobre algumas conversas que teve com Ratzinger para convencê-lo a completar a trilogia de encíclicas dedicadas às virtudes teologais: após a caridade (Deus caritas est) e a esperança (Spe salvi), faltava uma sobre a fé.

“Enquanto se inaugurava o Ano da Fé – recordou Fisichella –, nas reuniões com outros encarregados de dicastérios, o então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Levada, disse que o Papa não pretendia escrever a terceira encíclica. Procurei convencer Bento XVI, indicando-lhe que já havia feito muitos discursos e intervenções sobre o tema da fé e que, portanto, material não lhe faltava. Não tinha como saber que já tinha decidido renunciar”. A encíclica Lumen fidei, como se sabe, foi escrita “a quatro mãos” e assinada por Francisco, em 2013.

Após Fisichella, tomou a palavra o padre Federico Lombardi, presidente da Fundação Ratzinger e ex-diretor da Sala de Imprensa vaticana, além de porta-voz do Papa Bento XVI. Lombardi elogiou a profunda leitura proposta por Muolo a respeito de algumas chaves de interpretação, como a da “razão estendida”, “aberta” à possibilidade do transcendente, e o tema da fé, central no Pontificado ratzingeriano. O padre Lombardi ressaltou a inteligência de uma observação do autor do livro sobre um dos eventos mais dolorosos do Pontificado, o famoso caso Vatileaks: “Mimmo Muolo apontou que nenhum dos papéis ou documentos que saíram nesse período podiam lançar o mínimo sequer de descrédito sobre o Papa. Em todos os documentos não havia nenhuma palavra de insinuação ou crítica à pessoa de Bento XVI”.

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