Igreja Santuário. Pastor presbiteriano defende vulneráveis de deportação

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20 Abril 2017

Foi num bairro de Tucson, no ano de 1991, que Charles Booker, então seminarista presbiteriano, veio a conhecer e jamais se esqueceu das pessoas conhecidas como “feet people” – refugiados desesperados que fugiam dos esquadrões da morte financiados pelos EUA em El Salvador e na Guatemala

O comentário é de Colman McCarthy, diretor do Center for Teaching Peace, organização não governamental localizada em Washington, publicado por National Catholic Reporter, 19-04-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Em Tucson, juntou-se ao ministério do Pastor John Fife, um dos fundadores do “movimento santuário” (ou de refúgio) que, começando na década de 1980, iria crescer e ultrapassar mais de 500 igrejas. Muitos desafiaram leis federais de imigração para dar refúgio aos que fugiam. Processos contra as casas de abrigo que acolhiam estas pessoas se sucederam.

Aproximadamente 26 anos depois deste trabalho misericordioso em Tucson, quando mais de 70 refugiados e sobreviventes de torturas dormiam todas as noites sobre o piso da igreja de John Fife, o trabalho apaixonado de Charles Booker permanece firme. Apoiado pelo conselho de sua congregação presbiteriana de Betesda, em Maryland, onde serviu como pastor por oito anos, uma enorme placa no gramado em frente diz: “Somos uma Igreja Santuário. Refugiados São Bem-Vindos Aqui”.

Assumir um lado da problemática dos refugiados não é novidade para Booker. Durante 11 anos, de 1998 a 2009, trabalhando à frente da Igreja Presbiteriana de Northside, em Ann Arbor, Michigan, ele viajou para Fort Benning, no estado da Geórgia, para estar entre os milhares que protestavam contra o que era então chamado de a Escola das Américas. A base do exército era um local de treinamento para recrutas vindos de países latino-americanos. O número dos que retornariam a países como El Salvador e Colômbia para assassinar padres, freiras, profissionais do serviço social e lideranças sindicais foi grande o suficiente para a operação ser chamada pelos críticos como a “Escola dos Assassinos”. Por 26 anos, a terceira semana de novembro reuniu manifestantes que procuravam acabar com o financiamento desta operação militar. A data marca o aniversário, em novembro de 1989, das mortes de seis padres jesuítas, da empregada doméstica e sua filha , todos assassinados em El Salvador por forças militares graduadas na Escola das Américas. O evento anual é organizado pelo heroico Roy Bourgeois. (Em novembro passado, o evento aconteceu na fronteira dos EUA com o México para destacar a militarização do local.)

Em 2001, Booker foi detido junto com mais de 100 pessoas que invadiram a área da base militar. Ele se negou a pagar uma fiança de 5 mil dólares e ficou 3 meses em uma prisão federal na Pensilvânia. “O que estava acontecendo em Fort Bening”, lembra ele, “era realmente uma escola do terror em nosso próprio quintal”.

No domingo, 26 de março, Booker foi o anfitrião de um encontro à tarde, na Igreja Presbiteriana de Betesda, para definir a estratégia, junto de uma dúzia de paroquianos, em caso precisarem dar uma “resposta rápida” às pessoas vulneráveis à deportação, se acabarem capturadas em suas casas, no trabalho ou alhures pelos agentes de imigração.

Numa folha de papel distribuída por Booker, a estratégia continha essencialmente o seguinte:

• Os agentes devem ter um mandado assinado por um juiz.
• Sem a presença de um mandado, a pessoa não é obrigada a abrir a porta.
• Se a pessoa não entender, ela tem direito a um intérprete.

Referindo-se à opinião do Papa Francisco, de que é “hipocrisia considerar-se cristão e perseguir um refugiado ou uma pessoa que procura ajuda”, Booker descreveu este pensamento como uma “declaração forte. Ela vai direto ao centro da nossa fé, diz que onde houver um quebrantamento, onde houver sofrimento humano, é aí onde os cristãos devem estar”.

Caso os que temem a deportação precisarem de abrigo na igreja de Betesda, o salão ao lado dela conta com uma cozinha, um banheiro e espaço para abrigar três ou quatro pessoas. Certamente não seria imposto um tempo limite. Sobre a atual expansão no número de deportações imposta pelo governo Trump, Booker lembra da “longa e sórdida história de determinar sobre se alguém que está ilegalmente no país tem acesso aos direitos humanos. Acho isso terrível, uma atrocidade. É algo a que o presidente Obama poderia ter dado mais atenção. A deportação não é novidade. O caso é que, agora, com Trump estamos lidando com um nível de medo mais elevado. O nosso país é viciado em segurança através do medo. Nenhuma grande religião possui escrituras que falam sobre o medo. Cristo e outros profetas disseram não ao medo”.

Na qualidade de pastor que diz que o “testemunho de sua congregação tem menos a ver com o que acreditamos, e mais com aqueles que defendemos. A nossa resposta às injustiças das investidas atuais de deportação do governo é prover hospitalidade a algumas pessoas vulneráveis (...). Temos membros fantásticos nesta igreja”.

Uma das pessoas que apoiam a acolhida aos refugiados e o próprio ministro por de trás da iniciativa é Lisa Mensah, frequentadora da Betesda há oito anos. “O pastor Booker’’, disse ela, “vive, ensina e incorpora o amor na ação. Ele é um pastor que ouve e ama compreender o seu rebanho. Ele nos deixa ser nós mesmos. Que alegria!”.

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