O papa relembra o presidente brasileiro de que "não se pode confiar na mão invisível do mercado"

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19 Abril 2017

"Não se pode confiar nas forças cegas e na mão invisível do mercado". O Papa Francisco tornou a insistir nesta advertência, que já havia sido apresentada em Evangelii Gaudium, mas desta vez em uma carta dirigida a Michel Temer. Nela, o pontífice adverte o presidente brasileiro do perigo de adotar "soluções superficiais" para a crise que afeta o país.

A informação é de C. Doody, publicada por Religión Digital, 18-04-2017. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

Na carta, o papa pede a Temer que não tome mais medidas que prejudiquem os setores mais impactados pela crise. Em resposta a uma carta enviada pelo presidente, o Sumo Pontífice também rejeitou um convite para visitar o país.

"Estou muito consciente de que a crise que o país está atravessando não será resolvida facilmente, pois tem raízes sociais, políticas e econômicas, e que não corresponde à Igreja ou ao papa dar uma receita concreta de como resolver algo tão complexo", disse ele em sua mensagem. Francisco explica que por questões de agenda não poderá participar da comemoração do 300º aniversário de Nossa Senhora de Aparecida.

"Mas não posso evitar de pensar em tantas pessoas, especialmente os mais pobres, que muitas vezes são completamente abandonados e que pagam o preço amargo e doloroso de algumas soluções fáceis e superficiais para as crises que estão além da esfera puramente financeira", acrescentou o papa de acordo com o publicado pelo portal O Globo.

Francisco assegurou ao presidente que inclui o Brasil de maneira especial em suas orações e recordou um pedido à Virgem Aparecida quando foi inaugurada a imagem da santa padroeira do Brasil nos jardins do Vaticano, no ano passado. Naquela época, Francisco pediu para que a Aparecida continuasse seu trabalho para proteger o país e o povo brasileiro "neste momento triste".

Ao terminar a carta, o Sumo Pontífice citou uma exortação apostólica que assegura que "já não se pode confiar nas forças cegas e na mão invisível do mercado" e acrescentou que o crescimento equitativo requer mais do que o crescimento econômico, o que pareceu trazer certo tom crítico em relação ao plano de ajustes lançado pelo governo brasileiro.

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