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03 Abril 2017

O cardeal Peter Turkson é uma figura-chave na cúpula da Santa Sé. No início dos anos 2000, presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, ele foi escolhido por Bergoglio para guiar o novo dicastério para o serviço do desenvolvimento humano integral. Portanto, têm seu peso as palavras proferidas por ele na última quinta-feira, 30, às margens de um encontro sobre os 50 anos da Populorum progressio.

A reportagem é de Alessandro Santagata, publicada no jornal Il Manifesto, 31-03-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A uma pergunta sobre as posições do presidente estadunidense, Turkson respondeu que, sobre as políticas dos Estados Unidos sobre migração, ambiente e rearmamento, em Roma “há um pouco de preocupação, mas, felizmente, nos Estados Unidos, há também vozes contrárias e em desacordo”.

O cardeal citou como um fato positivo o segundo “stop” à proibição contra as imigrações por parte de um juiz do Havaí: “É o sinal de que há uma parte da sociedade estadunidense que, pouco a pouco, levanta a voz, usando outra linguagem: espera-se que Trump mesmo comece a repensar algumas das suas decisões”.

Não é a primeira vez que, da Santa Sé, chegam sinais desse tipo – basta pensar nas declarações de janeiro sobre o immigration ban do próprio Turkson e de Dom Angelo Becciu, da Secretaria de Estado –, mas, desta vez, a denúncia é mais dura e, acima de tudo, tem uma pessoa de referência específica. O cardeal, de fato, lembrou que “diversos membros do episcopado estadunidense já se expressaram sobre as posições do presidente e poderiam ter alguma influência sobre elas”.

O convite, portanto, é à Conferência Episcopal dos Estados Unidos e ao seu presidente, Daniel DiNardo, chamado a desempenhar uma função de lobby contra a política de Trump. Um apelo que poderia se confrontar, porém, com a prudência, senão até com as resistências de uma parte significativa do episcopado.

A Conferência acolheu com satisfação a decisão do presidente de cortar o financiamento das ONGs que praticam ou informam sobre a interrupção de gravidez no exterior. Depois, não faltam bispos que, em sintonia com os movimentos pró-vida, veem com bons olhos as posições de Trump especialmente sobre as questões eticamente sensíveis e sobre os direitos civis.

Uma maior convergência entre as duas margens da Igreja, por outro lado, é registrada em matéria de gastos militares e do problema ambiental, particularmente caro a Turkson, que colaborou com a redação da encíclica Laudato si’. O cardeal observou que, enquanto o novo governo está desmantelando o Clean Power Plan de Obama, “há outra potência mundial como a China que está repensando as suas posições, por exemplo nos esforços para controlar as temperaturas, âmbito no qual prometeu alocar sete milhões de dólares”.

Por sua parte, o episcopado emitiu um comunicado com o qual se opõe à medida, mas, assim como sobre a imigração, não parece realmente disposto a dar batalha. Por isso, é evidente que foi se criando uma espécie de discrepância entre o perfil da Igreja projetado pelo Papa Francisco, que encontra nos movimentos populares a sua referência política mais agradável (uma relação não casualmente gerida em primeira pessoa com o cardeal Turkson), e um catolicismo estadunidense que foi decisivo na eleição de Trump à presidência, que ainda considera majoritariamente como prioritários a bioética e os interesses políticos confessionais e que parece, agora, atravessado por correntes diversas.

Na entrevista ao jornal El País do dia 22 de janeiro, o papa assumiu uma atitude de expectativa, dando um passo atrás em relação aos golpes da campanha eleitoral e deixando aos seus colaboradores mais próximos a tarefa de expressar o pensamento da Santa Sé.

À luz das tendências atuais, no entanto, é possível que o pontífice se sinta chamado a se expor de maneira mais explícita do que a mensagem para o Super Bowl, e, por enquanto, ainda não sabemos se haverá o encontro com Trump por ocasião do G7 de maio.

Se a tudo isso se acrescenta o fato de que, no governo estadunidense, poderiam se intensificar os contatos com o cardeal estadunidense Raymond Burke e com a ala mais dura da oposição a Francisco, existem todos os elementos para levantar a hipótese de um choque de valor político internacional.

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