México. Para Igreja, empresas que participarem da construção do muro são “traidoras da pátria”

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Por: João Flores da Cunha | 29 Março 2017

A Igreja do México qualificou de “imorais” e “traidores da pátria” os acionistas e donos de empresas mexicanas que pretendem participar da construção do muro entre os Estados Unidos e o México, impulsionada pelo governo do presidente Donald Trump. O termo consta de editorial publicado em 26-3 pelo semanário Desde la fe, da Arquidiocese do México. O texto faz diversas críticas à administração de Trump e à posição do governo mexicano em relação a ela.

O editorial faz referência a “algumas empresas de capital mexicano” que manifestaram interesse recentemente em concorrer às licitações do governo estadunidense para a ampliação da barreira existente entre os dois países. Para a Arquidiocese, é “lamentável que, deste lado da fronteira, haja mexicanos prontos para colaborar com um projeto fanático que aniquila a boa relação no concerto de duas nações que compartilham uma fronteira comum”.

Segundo a Desde la fe, as empresas utilizam “o argumento bondoso de ser companhias geradoras de emprego [para] obter lucros, sem importar as consequências”. A publicação afirma ainda que “unir-se a um projeto que é uma grave afronta à dignidade é dar um tiro no próprio pé”.

Ainda assim, “o que mais surpreende é a fraqueza das autoridades econômicas do governo mexicano, as quais não mostraram firmeza com esses empresários”, de acordo com o semanário. O governo do presidente Enrique Peña Nieto tem buscado uma estratégia de aproximação e diálogo com a administração Trump, e tem evitado se opor diretamente a suas políticas imigratórias.

O texto não poupa palavras para criticar as políticas do presidente estadunidense. Segundo a Igreja mexicana, que chama a barreira entre os dois países de “muro da ignomínia”, a barreira “deve reunir características sólidas de infraestrutura e de suave estética [conforme exigência do governo estadunidense] para esconder, debaixo da pintura e das luzes, o ódio, a mutilação e a divisão”.

O muro “é um monumento de intimidação e silêncio, de ódio xenófobo para calar as vozes de trabalhadores mal pagos e maltratados, de famílias desprotegidas e de pessoas violentadas”, e significa também o “prelúdio da destruição dos valores da democracia e dos direitos sociais”. A publicação citou ainda uma fala de fevereiro deste ano do papa Francisco, em que este disse: “No contexto social e no civil, apelo a não criar muros, e sim a construir pontes”.

A administração Trump é “um governo errático cujas promessas não são de simples consolidação”, de acordo com o editorial. Segundo a publicação, “foi fácil a demagogia na campanha, mas as ações, na prática, tornam-se difíceis ante a notável oposição da sociedade civil, igrejas e ativistas”. Para o semanário, “o muro representa o predomínio de um país que se considera bom com o destino manifesto para atropelar uma nacionalidade que considera pervertida e corrupta: a mexicana”.

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