Cacique é executado a tiros no norte do RS; polícia suspeita de disputa por terras

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22 Março 2017

A Polícia Federal vai auxiliar nas investigações do homicídio do cacique Antônio Mĩg Claudino, da Terra Indígena de Serrinha, na região norte do Estado, ocorrido na noite de segunda-feira (20). O cacique foi assassinado com cinco tiros à queima-roupa, enquanto conversava com um amigo na frente de um bar, dentro da reserva indígena, por volta das 21h. Ele chegou a ser socorrido e encaminhado a um hospital, mas não resistiu.

A reportagem é de Fernanda Canofre, publicada por Sul21, 21-03-2017.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Leandro Guimarães Antunes, a Polícia Federal entrou no caso porque a motivação para o crime pode ter sido a disputa de terras na região. Antunes confirmou que o cacique havia denunciado há pouco tempo que vinha sofrendo ameaças. “[As informações sobre as denúncias] seriam nesse sentido, da questão das terras, que ele estava sofrendo ameaças”, disse ele.


Cacique Antônio Mĩg Claudino
| Foto: Justiça Eleitoral

A Polícia Civil ouviu duas testemunhas até o momento. As informações levantadas dão conta de que o crime teria sido cometido por um homem branco, acompanhado de uma mulher. Ela esperou dentro do carro, enquanto o homem se aproximou do Cacique e efetuou os disparos. O casal ainda não foi identificado.

As ameaças contra o cacique seriam por conta de tensões na Terra Indígena de Serrinha pelo arrendamento de terras da reserva para plantio de soja. A prática, no entanto, havia sido autorizada pela Justiça Federal em 2015 e tem validade até maio deste ano. Segundo informações do próprio site da Justiça Federal, “o caso foi analisado conjuntamente a um processo em que a Comunidade Indígena das Terras do Toldo da Serrinha pleiteava a concessão de liminar que lhe assegurasse o resultado da produção de soja no ano de 2015. Conforme a petição, a União e a Funai não estariam prestando assistência ao grupo, razão pela qual teriam firmado parcerias com agricultores da região para a exploração da área. Desses contratos viria a renda para financiar sua subsistência”.

O cacique Antônio Mĩg Claudino era o responsável pela Terra de Serrinha e foi vereador em Ronda Alta pelo PT. A terra indígena, que pega área dos municípios de Ronda Alta, Três Palmeiras, Engenho Velho e Constantina, foi desapropriada há pouco mais de 20 anos, depois que um grupo kaingang fez acampamento na RS-430 pressionando a demarcação. A região, historicamente ocupada por kaingangs, foi demarcada como território indígena pelo governo do Estado em 1908. Porém, entre 1941 e 1961, duas iniciativas da Secretaria de Agricultura acabaram por dividir o território em lotes que foram distribuídos a colonos da região. A terra só voltou para os kaingang em 1996.

Procurada pela reportagem, a Polícia Federal disse apenas que instaurou inquérito sobre o caso, em Passo Fundo. A Fundação Nacional do Índio (Funai) não retornou ao contato.

A Prefeitura Municipal de Três Palmeiras decretou luto oficial de três dias pela morte do cacique.

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