Mayr-Nusser e alguns silêncios da Igreja

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18 Março 2017

A beatificação, neste sábado, de Josef Mayr-Nusser – natural de Bolzano, chamado às armas das SS e que, por fé e consciência, recusou-se a jurar obediência a Hitler e, por isso, pagou com a vida – repropõe uma reflexão sobre um problema difícil: o comportamento das Igrejas diante do nazismo.

A reportagem é de Luigi Sandri, publicada no jornal Trentino, 17-03-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A relação do mundo católico e evangélico (protestante) com o nacional-socialismo na Alemanha e nos territórios dominados pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial foi, obviamente, complexo. Resumindo em poucas linhas, pode-se dizer que a maioria dos cristãos apoiaram Hitler abertamente. Ou, quando não o apoiaram abertamente, de fato o toleraram, especialmente na sua impiedosa política antissemita.

Não faltaram, certamente, pessoas – como o teólogo luterano Dietrich Bonhoeffer ou o jesuíta Rupert Mayer ou o nosso “bem-aventurado” e muitos outros – que, ao custo da vida ou da prisão, contrariaram o regime ou defenderam os judeus perseguidos. Mas foram uma minoria. Por isso, a nascente Conferência Episcopal Alemã, em 1945, afirmaria: “Muitos alemães, também dos nossos, deixaram-se seduzir pela falsa doutrina do nacional-socialismo e permaneceram indiferentes diante dos crimes contra a liberdade e a dignidade do homem”.

E a Igreja Evangélica Alemã, no Sínodo de Weissensee, em 1950: “Declaramo-nos solidariamente culpados, pelas nossas omissões e pelos nossos silêncios, perante o Deus de misericórdia, pelos crimes que foram cometidos contra os judeus”.

Bastante articulado e controverso foi também o julgamento histórico sobre a relação entre o Vaticano e o regime de Hitler. Em julho de 1933 – este estava no poder desde janeiro daquele ano – o cardeal secretário de Estado, Eugenio Pacelli, assinou, em nome de Pio XI, a Concordata com o Reich alemão. Alguns consideraram que a Santa Sé fez bem em querer esse pacto, porque, intrigada sobre a contrapartida, ela esperava, ao menos, garantir a liberdade da Igreja Católica na “nova” Alemanha. Outros, ao contrário, criticam-na, afirmando que, desse modo, o papado dava legitimidade internacional ao chanceler.

Depois, em 1937, com a encíclica Mit brennender Sorge – escrita em alemão – esse pontífice denunciaria as violações da Concordata e a aberrante exaltação nazista da raça. De sua parte, Pacelli, eleito Pio XII em 1939, durante a Segunda Guerra Mundial, favoreceria uma ampla obra de ajuda aos judeus perseguidos pelos nazi-fascistas. No entanto, embora reconhecendo o drama da Shoá, ele não faria uma explícita e solene denúncia do extermínio sistemático dos judeus ordenados por Hitler.

Por isso, o seu comportamento despertaria, depois, opiniões contrapostas. Nesse contexto, enquadra-se o caso do católico Mayr-Nusser. Para aqueles que tentaram dissuadi-lo de rejeitar o juramento ao Führer, o soldado Josef respondeu: “Se ninguém tem a coragem de lhes dizer que não concorda com as suas visões nacional-socialistas, as coisas não vão mudar”.

Ele pagou com a vida, mas, hoje, o seu nome resplandece como uma estrela.

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