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18 Março 2017

No confronto entre a Sky e os seus funcionários, jornalistas e outros, que correm o risco de serem transferidos para Milão ou demitidos, chega também a sombra da censura às palavras do papa, que se pronunciou justamente sobre o caso Sky. Na quarta-feira de manhã, na Audiência geral do Papa Bergoglio na Praça de São Pedro, estiveram presentes também mais de 100 trabalhadores da Sky. E o papa dirigiu a eles um pensamento especial.

A reportagem é de Gianluca Roselli, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 17-03-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Espero que a sua situação de trabalho possa encontrar uma rápida solução, no respeito dos direitos de todos, especialmente das famílias”, disse o pontífice. Que, depois, aproveitou a oportunidade para ampliar o discurso para todo o mercado de trabalho. “A nossa profissão – acrescentou – nos dá dignidade (…). Quem, por manobras econômicas, para fazer negociações não totalmente claras, fecha fábricas e empresas, tirando o trabalho dos homens, comete um pecado gravíssimo.”

As suas palavras foram noticiadas por todos os jornais e TVs. Também pela Sky, em que o serviço do vaticanista Stefano Maria Paci, na quarta-feira, foi ao ar tranquilamente até as 17 horas, por três vezes. Um serviço ao qual a diretora, Sarah Varetto, pediu leves modificações, aceitas pelo vaticanista. Depois, porém, algo entrou em colapso: chegou da empresa a ordem de não colocá-lo mais no ar. Assim, nas edições do fim da tarde e da noite, o serviço sobre o papa desapareceu completamente.

Uma verdadeira censura. É evidente que aquelas palavras incomodaram a cúpula da empresa, que, há alguns meses, anunciou um plano de reestruturação que envolve 200 demissões e 378 transferências para o bairro geral de Milão, a maioria dos quais estão relacionados com os trabalhadores romanos empregados na sede da Via Salaria. “Nós sempre colocamos no ar qualquer notícia sobre o papa. Optar por não dar mais esse serviço é uma ação ad hoc contra os trabalhadores da Sky”, informam na redação.

Nessa quinta-feira, os jornalistas da Sky se reuniram em assembleia e redigiram um comunicado, que pediram para ser lido durante a programação. “A redação do SkyTG24 – afirma o texto – denuncia a decisão da não exibição, no dia 15 de março, a partir das 18 horas, do serviço sobre a posição do papa a respeito da disputa na Sky em curso, ao contrário do que foi pedido pelo conselho de redação ao diretor do programa, dada a importância da notícia. Consideramos que tudo isso criou um prejuízo à credibilidade do nosso programa jornalístico e ao direito de informação dos telespectadores.”

A leitura do comunicado sindical, prevista pelas normas contratuais, pelo menos até a noite passada, não foi ao ar. Se não acontecer, nessa sexta-feira, os jornalistas se reuniriam novamente em assembleia. E, entre as hipóteses sobre a mesa, há uma nova greve.

O discurso do papa, naturalmente, tinha sido muito bem acolhido pelo sindicato dos jornalistas. “As justas e fortes palavras do pontífice sobre a disputa na Sky e sobre a dignidade do trabalho merecem uma resposta séria e coerente também das instituições e do governo, que não podem se limitar a reconhecer as vontades da propriedade”, disseram Raffaele Lorusso e Beppe Giulietti, secretário-geral e presidente da FNSI, a federação italiana de imprensa.

Sobre as negociações entre empresa e sindicatos, por fim, não há novidades substanciais. As transferências permanecem, enquanto parece que a cúpula está mais disponível para diminuir o número de demissões, talvez com a possibilidade de terceirizar algumas tarefas: um certo número de trabalhadores não dependeriam mais da Sky Itália, mas de uma empresa externa. Mas ainda não há números certos.

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