“Somos chamados a formar as consciências, não a pretender substituí-las”, afirma cardeal de Barcelona

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10 Fevereiro 2017

“Se não damos importância à consciência na Igreja, fazemos um teatro. Pedimos às pessoas a certidão de batismo e se confessaram antes de lhes dar a comunhão? Somos chamados a formar as consciências, mas não a pretender substitui-las”. Em apenas meio minuto, o cardeal emérito de Barcelona, Lluís Martínez Sistach, sintetizou o pensamento do Papa Francisco no tocante à polêmica dos divorciados em segunda união.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 08-02-2017. A tradução é do Cepat.

Simples, claro e conciso, como seu livro “Cómo aplicar Amoris Laetitia” (Claret), que foi apresentado, hoje, em Madri. Um “manual” para concretizar os princípios da exortação pastoral de Francisco, em especial no tocante ao famoso – e polêmico – capítulo VIII da mesma. “Se o interessado, consciente e diante de Deus, constata que há alguma circunstância que faz com que a situação objetiva de pecado não lhe ofereça imputabilidade subjetiva grave, pode aceder aos sacramentos”.

O primado da consciência. “Retamente formada, mas da consciência”. Simples assim. Sem mais interpretações, como o próprio Papa já comentou, ainda que alguns, os de sempre, sigam sem querer entender. Prendendo-se nas “circunstâncias atenuantes e eximentes em situações concretas”. Porque não, porque o Papa Francisco não “bendiz” o divórcio, nem o “adultério”, como se ocupam em afirmar os “profetas de desventuras”, mas, ao contrário, centra-se na acolhida e integração.

“Hoje, mais importante que a pastoral dos fracassos, é o esforço para consolidar os matrimônios e não as rupturas. É preferível prevenir que curar”, apontou Sistach, que defendeu a “natureza magisterial” da Amoris Laetitia frente aos que querem “apagar seu caráter doutrinal”. “Não são simples orientações pastorais. É um documento pastoral, mas também de magistério ordinário, que pede uma aceitação e adesão dos cristãos”.

“Acompanhar, discernir e integrar”. Estas são as chaves da Igreja de Francisco, que “não muda nada da doutrina da Igreja”, destacou Sistach, mas, sim, enfatiza algumas atitudes: a misericórdia para com todas as famílias; acompanhar e discernir para integrar mais na comunidade cristã; discernimento espiritual, consciente e no foro interno, com a ajuda de um sacerdote; doutrina moral das circunstâncias atenuantes e eximentes aplicável aos atos humanos; discernimento dos divorciados em segunda união civil sobre o matrimônio precedente e sobre a nova união; e os critérios dos bispos da Região de Buenos Aires.

“O eixo é a maior integração dos batizados na comunidade cristã”, destacou o purpurado. Ou, em outras palavras, “ser mais cristãos, pessoas cristãs na Igreja”. Esta possível maior integração dos divorciados em segunda união “inclui diversas formas, podendo chegar aos sacramentos da penitência e a Eucaristia”.

Sistach relatou como ele foi um dos três padres sinodais (os outros foram o argentino Víctor Manuel Fernández – o teólogo do Papa – e o hoje cardeal do Panamá) que modificaram o número 85 do documento em estudo, durante o Sínodo. “Inicialmente, falava-se diretamente de confissão e comunhão – confessou. Mas, após o café, no caminho para a Sala, conversando com o Papa, disse-me que valeria mais falar de integração. Então, apressei-me em preparar uma proposta nesta nova orientação e a compartilhei com cardeais e amigos de diferentes grupos. No nosso, três membros haviam preparado uma proposta nova, para uma maior integração. Das três semelhantes, disseram para que elaborássemos uma. Aprovada pelo grupo, passou ao documento final”.

Esta mudança de orientação, recordou Sistach, resultou “muito positivo”, porque mais que se centrar em que pudessem confessar e comungar, convinha falar de uma maior integração. E para saber fazer isto, é preciso um acompanhamento e um discernimento, que são meios para a integração.

Mas, podem ou não comungar? “Na Amoris Laetitia, o Papa disse que por causa dos condicionamentos e fatores atenuantes, é possível que uma pessoa em meio a uma situação objetiva de pecado, mas que não seja subjetivamente culpável, ou não de modo pleno, possa viver na graça de Deus, e possa crescer recebendo para isso a ajuda da Igreja (305 da Amoris Laetitia). A nota ao texto dizia que esta ajuda seria, em certos casos, a dos sacramentos”.

Tudo isso, seguindo um “processo de discernimento”. Em que consiste? “O discernimento para os divorciados em segunda união deve considerar aspectos do matrimônio anterior e da nova união. Se em algum momento, o interessado, consciente e diante de Deus, constata que há alguma circunstância que faz com que a situação objetiva de pecado não lhe ofereça imputabilidade subjetiva grave, pode aceder aos sacramentos”.

A consciência como categoria fundamental, como apontava o Concílio e como consagrava o próprio João Paulo II na Familiaris Consortio. A “Amoris Laetitia não admite os divorciados em segunda união aos sacramentos, porque o Papa não fala de categorias, mas de pessoas, razão pela qual é necessário fazer, em cada caso, o processo de discernimento, para ver se é possível ou não, em cada caso. O Papa não faz outra coisa a não ser o que João Paulo II dizia na Familiaris Consortio, e leva isto às últimas consequências”, esclareceu Sistach.

“Há que revisar estas ‘proibições’, isso é a integração”, arrematou Sistach, respondendo aos setores mais imobilistas, que compreendem a Igreja como um cárcere e não como a casa de misericórdia pela qual advoga Francisco. É que a “Amoris Laetitia chegou no Ano Santo da Misericórdia. Não é nenhuma casualidade, mas corresponde ao desejo do Papa”.

Por sua parte, o cardeal de Madri, Carlos Osoro, quis agradecer ao cardeal Sistach pela publicação deste livro. “Soube captar a grande preocupação do Papa”, destacou, indicando que esta “é uma obra necessária, porque aplica à realidade o essencial”.

“Que maravilha é isto que o Papa Francisco nos fez viver, oferecendo este documento, e que grande serviço está nos prestando o cardeal Sistach, para enxergar o que fazemos em cada momento”, declarou Osoro, acrescentando que a “Amoris Laetitia é uma fórmula para tornar verdade o que nos disse o Concílio Vaticano II, e que estava ‘estacionado’. É importante conseguir fazer com que a Igreja seja essa família doméstica, essa Igreja na qual se vive, se ama, se perdoa, se constrói, todos se desenvolvem, todos crescem, todos animam uns aos outros”.

Nas perguntas posteriores, ambos foram perguntados pela aplicação prática da Amoris Laetitia. Porque uma coisa é a teoria, e outra diferente, a prática. Por isso, Sistach quis escrever este livro. “É mais fácil do que pode parecer”, proclamou, “porque é a decisão da consciência do interessado, o sacerdote só tem que lhe ajudar a ver em que situação se encontra”. O cardeal de Madri, sim, reconheceu ter se encontrado com muitos casos, que “acompanhei no primeiro momento, e depois repassei às pessoas que estão dedicadas a isto”.

Sistach foi expressamente crítico aos quatro cardeais que apresentaram publicamente suas dubia a Amoris Laetitia e que ameaçaram “corrigir” publicamente o Papa. “É lamentável que as publiquem. Há um princípio de moral tradicional que diz que as circunstâncias atenuantes e eximentes podem ser aplicadas” ao caso dos divorciados.

Na opinião do cardeal, “o documento é claro. Além disso, saiu um documento dos bispos da Região de Buenos Aires, e o Papa lhes respondeu dizendo que não há outra interpretação. Se o autor do documento considera que essa é a interpretação, não é preciso outra explicação. O Papa lhes respondeu escrevendo a Amoris Laetitia”.

Finalmente, e questionados sobre a maternidade de substituição, Sistach apontou que “o tema da bioética é muito delicado, e é necessário ter muita competência para falar dele”. Osoro, por sua parte, tampouco foi além, ainda que, sim, tenha recordado que “todos temos o direito de estar nessa grande casa da família humana que precisamos cuidar, depois, não retiremos o direito ao ser humano de ter a casa original de Deus. Não vivamos de aluguel”.

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