Reforma, unidade e reconciliação. Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2017

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12 Janeiro 2017

O amor de Cristo nos impele rumo à reconciliação: é o lema bíblico, inspirado no capítulo 5 da Segunda Carta do apóstolo Paulo aos Coríntios, que irá guiar a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2017, agendada para os dias 18 a 25 de janeiro. No ano em que se recorda o quinto centenário da Reforma Protestante ocorrida em 1517 em Wittenberg, Alemanha, o material para a oração foi preparado justamente pelas Igrejas cristãs alemãs. Falamos a respeito disso com o pastor Luca Maria Negro, presidente da Federação das Igrejas Evangélicas na Itália (FCEI).

A reportagem é de Marta D’Auria, publicada na revista Riforma, das Igrejas evangélicas batista, metodista e valdenses italianas, 13-01-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Os materiais propostos são muito interessantes, porque têm uma dupla ênfase: por um lado, põe-se em relevo a mensagem positiva da justificação somente pela graça, que esteve e está no centro da teologia das Igrejas da Reforma; por outro, uma ênfase ‘penitencial’, no reconhecimento das divisões que a Igreja de Cristo sofreu depois do evento de 1517. A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos se oferece como uma oportunidade para se dar mais passos rumo à reconciliação, que é precisamente o tema da semana.”

Eis a entrevista.

A reconciliação é, acima de tudo, um dom de Deus. Porém, é confiado às Igrejas cristãs o ministério da reconciliação. Em que contextos os cristãos são chamados a ser ministros de reconciliação?

Acima de tudo, somos ministros da reconciliação na medida em que vivemos a reconciliação entre cristãos. Dito isso, acho que a primeira tarefa do ministério da reconciliação é retomar fortemente o caminho ecumênico, o que não significa superar com um passe de mágica todas as diversidades que ainda existem. Nesses últimos anos, o Papa Francisco também ressaltou oportunamente aquilo que nós, protestantes, dizemos há anos, ou seja, que a unidade, que é um dom de Deus, não significa uniformidade. Apesar das diversidades existentes no plano eclesiológico e ético, como cristãos, podemos viver em tensão rumo à unidade. A partir disso, podemos ser ministros de reconciliação, por exemplo, na acolhida daqueles que fogem da guerra e da fome, e no compromisso para evitar um confronto entre culturas e visões de mundo diferentes.

Nos últimos anos, foram dados passos importantes no caminho ecumênico rumo à unidade, mas ainda há muita estrada a se percorrer. Quais são as questões que deveriam receber uma atenção especial?

A primeira, que emergiu no recente congresso de Trento sobre os 500 anos da Reforma, organizado pela Conferência Episcopal Italiana, é de criar, finalmente, na Itália, uma Consulta ecumênica. Além disso, queremos continuar trabalhando juntos na acolhida aos refugiados com a boa prática ecumênica dos corredores humanitários e também na luta contra o fenômeno da violência contra as mulheres, partindo novamente do apelo ecumênico lançado em 2015 por católicos, protestantes e ortodoxos. Por fim, entre os temas que trazemos no coração, está a chamada “hospitalidade eucarística”, que diz respeito particularmente aos casais interconfessionais: pensar que podemos dar passos à frente nesse campo, também no nosso país, seria positivo.

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