Justin Welby: Pôr o dinheiro em seu devido lugar

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02 Dezembro 2016

Ele mora no Palácio de Lambeth, cercado por artefatos inestimáveis, e é o líder eclesiástico de mais de 85 milhões de peregrinos. Mas o Arcebispo de Canterbury, o Reverendo Justin Welby, conhece a experiência de ter pouco em termos de bens materiais.

A reportagem é de Martin Bashir, publicada por BBC News. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Quando tinha 12 anos, o religioso se lembra de ter se mudado de um apartamento alugado no meio da noite, passando por vários outros lugares porque o seu pai não tinha condições de pagar todas as contas da família. As mensalidades de seus dois últimos anos na Eaton College nunca foram pagas, tendo sido quitadas pela instituição. Ele conhece a insegurança e humilhação de não ter dinheiro suficiente para pagar as contas.

Esta experiência parece ter moldado a sua determinação em manter-se longe das armadilhas deste mundo.

É o que escreve no livro “Dethroning Mammon” (Destronando Mamom, em tradução livre), a ser publicado nesta quinta-feira: “O problema com o materialismo (...) não é que ele existe, mas que ele domina. Ele grita tão alto que supera o nosso cuidado com outras coisas de maior valor”.

Mark Carney, dirigente do Banco da Inglaterra, foi visto em Londres lendo um exemplar do livro distribuído previamente, embora a obra seja declaradamente devocional e foque na administração dos bens pessoais, não adentrando em política econômica governamental.

O Banco da Inglaterra não quis comentar sobre se seu diretor gostou ou não da leitura.

A obra é o primeiro do Arcebispo Justin Welby. É um convite para que os cristãos façam um autoexame: Estamos seguindo o exemplo do autossacrifício de Cristo, que deu sua vida por nós? Ou será que sucumbimos, talvez inconscientemente, ao governo de Mamom?

Eis algumas dúvidas recorrentes que perpassem a série de seis curtos capítulos, cada qual abordando aquilo que o religioso anglicano descreve como “textos-chave” da Bíblia, os quais ele então aplica aos ambientes corriqueiros da vida contemporânea.

Seus quatro primeiros capítulos tentam desconstruir a visão puramente materialista dos bens:

• O que vemos, valorizamos
• O que mensuramos nos controla
• O que temos, nós mantemos
• O que recebemos, tratamos como nosso

Tendo passado onze anos trabalhando no setor energético antes de se juntar à Igreja Anglicana – chegando ao cargo de tesoureiro da Enterprise Oil –, Welby critica os piores excessos cometidos nos anos recentes que criaram hipotecas de tal maneira a ponto de sobrecarregarem os mercados globais em 2008.

“Muitos bancários”, escreve ele, “não só tinham ciência de que se tratava de uma péssima ideia, mas também mostravam desprezo pelos clientes, tanto as pessoas que pegaram emprestado quanto as pessoas que emprestaram”.

“Em outras palavras, vimo-nos em um sistema bancário que estava fora de controle”.

Nos dois últimos capítulos, Welby propõe algumas contramedidas:

• O que damos, nós ganhamos
• O que controlamos nos traz felicidade

Estas coisas formam aquilo chamado por ele de a formulação da “economia divina”, uma espécie de abordagem invertida à riqueza, onde dar não resulta em esgotamento, mas em bênção, e onde a superação do nosso apetite natural pelo acúmulo de bens é o desafio que traz uma paz genuína e profunda.

“O dinheiro compra aptidões”, diz no texto.

“Também compra segurança, mas corre o risco de nos afastar, mais e mais, daqueles que lavam os pés, que destronam Mamom subvertendo o poder da riqueza para nos dar uma vida melhor”.

Mas o que alguém que estudou na Eaton e na Trinity College sabe sobre a experiência de pobreza?

Como pode um executivo bem-sucedido do setor petroleiro, atualmente líder mundial da Comunhão Anglicana, simpatizar com aqueles em necessidade extrema?

Parece que a decisão do arcebispo de fazer do materialismo o tema de seu primeiro livro não é acidental.

Esta obra veio à tona não somente por causa de sua exposição às Escrituras, mas também por sua exposição à vida. É sabido que aquele que se acreditava ser seu pai, Gavin Welby, levava uma vida de alcoolismo abusivo e que, em geral, não tinha nenhum tostão.

No começo deste ano, após ser contatado pelo ex-editor do Daily Telegraph Charles Moore, o religioso anglicano soube que o Sr. Welby não era o seu pai biológico.

Após ser feito um teste de DNA, revelou-se que ele era filho do último secretário pessoal de Winston Churchill, Anthony Montague Browne.

Uma coisa é viver sem bens; outra coisa é descobrir que a história de sua família fora reescrita.

Esta experiência lhe fez pensar mais profundamente sobre a sua crença pessoal.

Quando perguntaram sobre se achava que as bases de sua vida haviam desmoronado, o arcebispo escreveu: “Sei que encontro quem eu sou em Jesus Cristo, não na genética, e minha identidade n’Ele nunca se altera”.

Welby parece ter aprendido o valor dos bens e das pessoas perdendo-os.

E esta experiência ecoa as palavras de Cristo no Evangelho de Mateus: “Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la”. O livro “Dethroning Mammon” fala sobre ganhar através do perder.

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