Liderança das ordens religiosas se desloca cada vez mais para o Sul

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22 Outubro 2016

A notícia da eleição de um venezuelano, padre Arturo Sosa Abascal, como novo superior-geral da Companhia de Jesus deu a volta ao mundo. Mais do que compreensível: na sua história, nunca os jesuítas tiveram antes um "papa negro" extraeuropeu. Mas agora os tempos para um geral proveniente do Sul do mundo – em substituição do cessante, o espanhol Adolfo Nicolás – estavam maduros, se considerarmos apenas que, em relação à última Congregação Geral, realizada em 2008, o peso do componente do "global South" tinha aumentado em 5%, chegando quase a 60% dos eleitores.

A reportagem é de Gerolamo Fazzini, publicada no jornal Avvenire, 21-10-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A tendência das vocações jesuítas é clara: ao longo do último meio século, caíram em todos os lugares, mas não na Ásia e na África, onde, ao contrário, aumentam: 63% dos noviços (aqueles que pediram para se tornar jesuítas), por exemplo, e 65% dos escolásticos (os jesuítas estudantes) vêm desses dois continentes.

Emblemático é o caso do Vietnã: em 1975, ano em que os jesuítas estrangeiros foram expulsos do país, eles eram 26; hoje são 210, quase dez vezes mais. A eleição de um não europeu à frente de uma das ordens religiosas mais importantes, porém, é o último elo de uma corrente, mais uma etapa de um caminho que começou há muito tempo e que faz parte de um fenômeno mais geral, ou seja, o deslocamento para o Sul do mundo por parte dos fiéis da Igreja Católica. Um fenômeno amplamente documentado, no que diz respeito às Igrejas cristãs, pelos livros de Philip Jenkins.

Neste giro de horizonte que, obviamente, não tem qualquer pretensão de exaustividade, partimos de uma ordem religiosa não menos conhecida do que os jesuítas, ou seja, os salesianos. Ainda em 2002, o Capítulo tinha eleito como reitor-mor e sucessor de Dom Bosco um mexicano, o padre Pascual Chavez, reconfirmado depois em 2008 e que permaneceu no cargo até 2014.

Os Legionários de Cristo, depois dos conturbados acontecimentos dos últimos anos, identificaram – no Capítulo extraordinário de 2014 – o seu general em um mexicano, o padre Eduardo Robles-Gil, nascido em 1952.

Os dominicanos, há muito tempo, estão acostumados a ter um líder não europeu: o último, em ordem cronológica, foi Carlos Alfonso Azpiroz Costa, argentino de Buenos Aires, que, há um ano, é arcebispo coadjutor de Bahía Blanca. Em 2001, ele tinha sido eleito mestre geral da ordem.

Em fevereiro de 2015, no entanto, foi no Brasil que os paulinos "pescaram" para encontrar o sétimo sucessor do Bem-aventurado Tiago Alberione. Agora, o seu responsável é o padre Valdir José de Castro, 55 anos.

Também do Brasil, uma das Igrejas mais vivas do Sul do mundo, veio o padre Aquileo Fiorentini, natural do Rio Grande do Sul, que, em 2005, foi eleito como novo superior-geral dos Missionários da Consolata, que tem o seu quartel-general em Turim.

Chegamos aos Oblatos de Maria Imaculada, que festejam neste ano os dois séculos de fundação: o Capítulo, realizado há algumas semanas, reelegeu como superior-geral o padre Lougen (a primeira vez remonta a 2010), que nasceu nos EUA em 1952.

Dos Estados Unidos também vem o ministro geral da ordem dos Frades Menores, Michael Anthony Perry, eleito em 2013.

Os verbitas, um dos institutos missionários mais difundido no mundo, tiveram durante 12 anos (desde 2000) como liderança o filipino Antonio M . Pernia.

Também é interessante o caso dos combonianos. Há um ano, o instituto fundado por São Daniel Comboni escolheu confiar a liderança a um etíope, o padre Tesfaye Tadesse Gebresilasie, nascido em 1969, em Harar. É o primeiro africano a ocupar o importante posto. Mas os combonianos já tinham escolhido um superior-geral não europeu ainda em 1991, elegendo o padre David Kinnear Glenday, indiano de nascimento, embora escocês de adoção. Em 2009, coube a um mexicano, o padre Enrique Sánchez González, nascido em 1958, recolher a herança de Comboni.

Os Missionários da África (conhecidos como Padres Brancos) escolheram em 2010, pela primeira vez, um superior-geral africano. Tratava-se do ganês Richard Kuuia Baawobr, nascido em 1959, que o Papa Francisco, no fim do mandato, nomeou como bispo da diocese de Wa (Gana).

Quanto às combonianas, muito difundidas especialmente na África, uma freira brasileira, Luzia Premoli, acaba de concluir o seu mandato de seis anos como superiora-geral, passando o bastão a uma italiana, Luigia Coccia.

Ainda em âmbito missionário e feminino, deve-se registrar – em 2013 – a reafirmação, à frente das Irmãs Franciscanas Missionárias de Assis, da Ir. Juliana Malama, do Zâmbia, que havia sido escolhida como superiora-geral do instituto pela primeira vez em 2007.

Natural da Nigéria é a Ir. Veronica Openibo, eleita em 2010 como primeira superiora-geral africana da congregação de matriz anglo-saxônica Society of the Holy Child Jesus.

Da Índia, por outro lado, vem a Ir. Anneyamma Rosilla Velamparambil, responsável pelas Missionárias da Imaculada: aliás, dois terços das religiosas do instituto – que na Índia se vestem com um hábito que lembra o das mulheres locais – provêm justamente de lá. O instituto é "irmão gêmeo" do PIME, que, a 166 anos da sua fundação, continua – por enquanto – sendo dirigido por um italiano, embora, há anos, membros provenientes do Sul entraram na direção geral.

A propósito da Índia: sabe-se que a primeira superiora-geral das Missionárias da Caridade, que recebeu o bastão da Madre Teresa na sua morte foi a Ir. Nirmala Joshi. Nascida em Ranchi, de religião hindu, ela se tornou católica nos anos 1940, depois do encontro com a Madre Teresa. Ela permaneceu no cargo até 2009, quando o seu lugar foi assumido pela irmã alemã Prema Pierick.

Até aqui os institutos missionários e as congregações religiosas. Mas a tendência de confiar o governo a não europeus é algo que também diz respeito a formações eclesiais diferentes. Os Foyer de Charité, por exemplo, realidades laicais inspiradas na figura da francesa Marthe Robin, uma das mais importantes místicas do século passado, apontaram para um não europeu: desde junho passado, quem os lidera é um congolês, Moses Ndione, 57 anos. Ele é o "padre moderador" (responsável) pelos próximos quatro anos da rede dos 78 Foyer de Charité espalhados pelo mundo.

Por último, lembramos o caso de Emmaus International. A rigor, o Movimento Mundial pela Luta contra a Miséria, fundado em Paris em 1949 pelo Abbé Pierre, é aconfessional, embora muitos cristãos façam parte dele. Em abril, foi eleito Patrick Atohoun, natural de Benin, como o primeiro líder não europeu do movimento.

Embora o censo seja incompleto e fragmentado, há o suficiente para entender que a realidade da Igreja no mundo está muito mais em movimento do que imaginamos e que as distinções entre "centro" e "periferia" em breve deverão ser (ou talvez já estejam) completamente reformuladas.

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