Meu filho e a rede escura. Entrevista com Slavoj Žižek

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17 Setembro 2016

O filósofo Slavoj Žižek teme o lado escuro da rede. Mas nunca controlaria o computador do seu filho: "É coisa de idiota pensar em fazer isso. Que o Estado encontre o modo de controlar a web".



A reportagem é de Luca Mastantonio, publicada no jornal Corriere della Sera, 16-09-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Slavoj Žižek proferirá, nesse sábado, uma lectio magistralis no Festival de Pordenone, onde irá apresentar o livro Il contraccolpo assoluto (Ed. Ponte alle Grazie), que continua a sua releitura criativa de Hegel e de Lacan. A notícia do suicídio de Tiziana Canton o toca como pai e o lembra de um caso muito semelhante na Eslovênia.

"Em Maribor, há dois anos, em uma pequena escola, alguns estudantes tinham filmado um diretor que fazia sexo oral com uma professora. Esse vídeo acabou na web, e o diretor se matou. Ele não aguentou, a sua vida estava arruinada. Nós nos damos conta disso apenas quando há finais trágicos ou escândalos, mas muitas vidas são destruídas de modo mais discreto. Milhões de pessoas perdem a sua honestidade, a sua decência, sofrem."

Eis a entrevista.

Antes da web era diferente?

A web reproduz e difunde mais do que o boca a boca. E pode mostrar horrores de cenário de guerra ou morbidezes atrozes. Ela não pode ser entregue a si mesma. Se você dá apenas liberdade, depois se chega a uma explosão de violência, brutalidade, racismo. Eu sei porque o meu filho, de 17 anos, deu uma volta na web profunda e encontrou de tudo, vídeos de torturas, cenas de sexo extremo e até um daqueles filmes em que se veem pessoas morrendo, um snuff movie.

Como você reagiu?

Muito mal. Eu fico mal apenas com a ideia de que se possa realmente ver alguém torturado e morto. Para quê, aliás? Uma coisa é ver – como fazem os correspondentes de guerra – as provas de um massacre de civis, outra coisa é fazer isso por brincadeira. O mesmo vale para o sexo.

O que você pensa do sexo digital? Alguma vez já o fez?

Não! Eu o faço do modo analógico. E amo as paixões. De fato, eu tive mais mulheres e sou monogâmico; mas a monogamia, para a cultura hoje, é vista como uma patologia, como o alcoolismo ou a toxicodependência, porque não é bom se fixar com uma única pessoa. Nesse sentido, eu não gosto muito do novo curso de certos movimentos de gênero sexual que passaram da justa demanda de direitos para a prescrição normativa de deveres e de prazeres, quase como uma ideologia, perfeita para o novo capitalismo social, que prega consumos e ostentação. Os psicanalistas dizem que, muitas vezes, as pessoas perguntam como podem gerir melhor o próprio prazer, ter mais prazer. Mas, ao contrário, os terapeutas devem libertar os seus pacientes dessa obsessão de querer gozar sempre e de qualquer maneira.

Qual é a ambiguidade do apelo do sexo digital?

Por um lado, para os jovens, especialmente, parece um jogo de evasão, de fuga para um universo virtual que, muitas vezes, atrasa as experiências reais. Por outro lado, essa fuga faz surgir a fome de realidade e de interagir de modo até brutal e, possivelmente, de reconectar virtualidade e realidade. Até mesmo de maneira dolorosa. Eu me lembro dos cutters, aqueles que se cortavam com uma faca, até mesmo nas partes íntimas, ou lá perto, para se sentirem reais, vivos.

Alguma vez você já controlou o celular ou o computador do seu filho?

Nunca, é coisa de idiota pensar em fazer isso: ele é tecnologicamente mais avançado do que eu. É o Estado que deve encontrar o modo de controlar a web, ao menos para os aspectos penalmente relevantes, socialmente perigosos. Eu não penso como Assange que a liberdade total da web vai nos salvar: é claro, eu não confio nem nas agências de segurança atuais. São necessários aparatos transparentes que, sem endereço político, salvaguardem aquela que é uma tendência geral.

O Estado deveria controlar a nossa privacidade?

Não. O problema não é defender a nossa privacidade, mas defender os espaços públicos da nossa invasão, da tendência de privatizá-los que os torna indecentes e indecorosos. As mídias sociais criam, sim, novos espaços de auto-organização, para citar Marx, mas, graças a elas, o discurso político se rebaixou: alguém como Trump pode falar hoje em público como até recentemente ele só poderia falar em privado. Esse rebaixamento é aceito.

O que se deve fazer?

Inverter a tendência. Antigamente, sexo e linguagem vulgar eram armas revolucionárias contra o poder. Hoje, quando o poder se sexualizou e é vulgar, devemos redescobrir as paixões no sexo e na política.

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