Papa reza missa com a fotografia do Pe. Hamel sobre o altar

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15 Setembro 2016

Papa Francisco na missa matinal dessa quarta-feira (Foto: L’Osservatore Romano)

"No fim da missa, Francisco me disse para expor nas igrejas a foto do padre Jacques Hamel, porque ele é bem-aventurado agora. Ou, melhor, depois de assinar a imagem, ele acrescentou: ‘E se alguém lhe disser que você não pode, responda que o papa lhe autorizou’." A revelação é do arcebispo Dominique Lebrun, depois de participar, com 80 peregrinos da arquidiocese de Rouen, na missa celebrada pelo pontífice em Santa Marta. Na festa da exaltação da Santa Cruz, o papa dedicou a Eucaristia ao sacerdote francês degolado por dois jovens terroristas no dia 26 de julho passado, na Normandia.

A reportagem é de Gianluca Biccini, publicada no jornal L'Osservatore Romano, 14-09-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A mesma fotografia em que o padre idoso é retratado enquanto medita a palavra de Deus tinha sido colocada sobre o altar da celebração que o pontífice presidiu vestindo os paramentos vermelhos, cor litúrgica do martírio.

"As freiras e o casal que sobreviveram ao massacre – explicou o prelado francês – não vieram por motivos de saúde. Por isso, eu pedi ao papa para assinar a imagem para eles. E ele me disse: ‘Coloquemo-la sobre o altar’."

Entre os presentes no rito, estavam alguns familiares do padre assassinado: as irmãs Roselyne e Chantal Hamel e o sobrinho David Preterre. E justamente Roselyne acompanhou Dom Lebrun na Sala de Imprensa da Santa Sé para se encontrar com os jornalistas no fim da celebração.

Papa Francisco na missa matinal dessa quarta-feira (Foto: L’Osservatore Romano)

"Os nossos irmãos muçulmanos – disse a mulher, respondendo a uma pergunta – rezam para um Deus como o nosso, um Deus de amor e tolerância." Por isso, "os jovens que mataram o meu irmão" fizeram isso "em nome de um deus que não é o Deus do Islã nem do cristianismo".

Na mesma linha, o arcebispo, que fez referência às palavras pronunciadas pouco antes pelo pontífice na homilia, disse: "Os assassinos aceitaram a influência do diabo, de Satanás, mas só eles. E o nosso irmão Jacques, como disse o papa, teve a lucidez de dizer isso. Ele já tinha recebido as primeiras facadas, estava no chão: mas sabia que não podiam ser aqueles jovens que estavam na origem daquele mal".

Portanto, referindo-se à situação que se vive agora na França, ele explicou que "sim, há medo, definitivamente, mas há também mais pessoas na missa. Há uma semana – lembrou – eu tive uma reunião com os vigários da diocese, e eles me disseram que muitos ainda telefonam para perguntar se a missa é celebrada e se podem ir, se é seguro ou se há riscos".

"Porém – observou – sempre há pessoas. Ou, melhor, parece que há mais, não muitíssimas, mas mais." E isso traz à mente do arcebispo de Rouen – como confidenciou ele mesmo – "as palavras de João Paulo II, ‘não tenham medo’. Assim, nessa manhã, quando o Papa Francisco falou do ‘martírio’ e da ‘coragem’, eu pensei que Jesus nos disse que devemos ter a coragem de ter medo. Em nível superficial, há medo, mas, em nível mais profundo, há coragem."

Dom Lebrun também confirmou que, "todos os dias, muitas pessoas se reúnem em oração" diante do túmulo do padre Hamel, na área do cemitério reservada aos padres diocesanos, na frente da catedral Notre-Dame de Rouen. E também revelou como nasceu a ideia de participar da missa matinal em Santa Marta: "Francisco tinha enviado uma mensagem à diocese logo depois dos trágicos acontecimentos de julho. E as suas palavras tocaram muito os familiares, os paroquianos, mas também as pessoas distantes. Nós ainda continuamos gritando a Deus o nosso sofrimento – acrescentou –, mas a sua misericórdia já agiu: não queremos vingança, mas paz e perdão, embora o caminho seja difícil".

E, como o homicídio ocorreu na missa da manhã, quando a vítima vestia os paramentos, Dom Lebrun pensou na celebração cotidiana do pontífice: "Eu lhe escrevi, e o Santo Padre respondeu muito rapidamente".

O rito – transmitido ao vivo pelo rádio e pela televisão – foi concelebrado por alguns purpurados presentes no Vaticano para a reunião do Conselho dos Cardeais, pelo cardeal francês Jean-Louis Tauran, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso, pelo próprio arcebispo de Rouen, com cinco padres da arquidiocese, e pelo oficial da Congregação para a Educação Católica, Philippe Curbelié, que traduziu para o francês a homilia proferida pelo papa em italiano.

A peregrinação jubilar dos fiéis de Rouen, depois, continuou com a participação na audiência geral e, à tarde, com períodos de oração nas basílicas papais de Santa Maria Maior e São João de Latrão, para se concluir nesta quinta-feira, 15, na Ilha Tiberina.

Os familiares decidiram doar o breviário do padre Jacques à igreja romana de San Bartolomeo, na qual se veneram os mártires contemporâneos.

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