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13 Setembro 2016

"Pertenço à geração que ocupou as ruas do país, em 1984, enfrentando uma ditadura militar, para reconquistarmos o direito de escolher o presidente da República em eleições diretas. De lá para cá, cada eleição era uma festa, casas e veículos enfeitados com propaganda dos candidatos, carros de som percorrendo as ruas, crianças cantando os jingles, enormes carreatas cruzando as cidades, comícios que eram verdadeiras celebrações da democracia". O comentário é de Ricardo Kotscho, jornalista, em artigo publicado no seu blog, 11-11-2016.

Porém, destaca, "em 2016, não há sinais em parte alguma de que estamos na reta final de mais uma eleição, reinam o silêncio e o desinteresse, poucos se animam a discutir as propostas dos candidatos".

Eis o artigo.

Para que servem as eleições?

Faço-me esta pergunta ao observar, por dever de ofício, o que anda acontecendo na campanha para as eleições municipais de 2 de outubro, daqui a três semanas.

Nas entrevistas, debates e na propaganda eleitoral, os candidatos prometem qualquer coisa para ganhar o voto do eleitor.

O mantra de todos é que dá para fazer "mais e melhor", consertar tudo o que está errado e construir o que falta em seis meses.

Como?, eu pergunto, se todos sabemos que o dinheiro acabou e muitos governos pelo país afora não conseguem nem pagar os salários do funcionalismo.

Por toda parte, encontramos obras abandonadas, serviços públicos parando, o lixo se espalhando pelas ruas esburacadas, que ameaçam pedestres e motoristas, o mato crescendo, tornando cada vez mais precário nosso sagrado direito de ir e vir.

A acreditar nas propagandas, a saúde pública vai oferecer atendimento melhor do que o Einstein e o Sírio juntos, acabando com as filas nos pronto socorros.

A máfia dos fiscais vai parar de roubar, devolver o dinheiro surrupiado dos contribuintes e se dedicar à benemerência.

Nossas escolas municipais servirão de exemplo de educação de qualidade para o Santa Cruz e o Bandeirantes.

A merenda escolar, que não terá mais verbas desviadas, será de dar inveja ao Alex Atala.

Assim é o jogo, campanha após campanha, eleição após eleição. Costuma-se dizer que só é feio perder.

Fica uma disputa para ver quem vai pagar salários mais altos a médicos e professores, construir mais creches e escolas, iluminar mais ruas, abrir novos corredores de ônibus, multiplicar a guarda municipal, oferecer mais de tudo e cobrar menos taxas e impostos.

Vão me dizer que sempre foi assim, mas este ano, sem a grana preta das grandes empresas, que bancavam as campanhas com marqueteiros de grife, esperava-se que este cenário fosse mudar.

Eleição, qualquer eleição _ o instrumento democrático por excelência que nos dá o direito de mudar o destino com as próprias mãos _, respondendo à pergunta que fiz na abertura, deveria servir, antes de mais nada, como um tempo de renovação de esperanças, mas continua servindo apenas para vender ilusões.

À medida em que a campanha avança, os candidatos repetem suas propostas como um mantra, qualquer que seja a pergunta.

Se eleitos, e são cobrados por não fazer o que prometeram na campanha, botam a culpa nas crises e heranças malditas que os deixaram sem recursos.

De tanto repetir as propostas impossíveis, acabam acreditando nelas.

Durante as campanhas, os candidatos têm soluções para tudo, as formas mais simples para resolver os problemas mais complexos.

Uma vez vitoriosos, logo começam a se queixar do aumento das despesas e da queda na arrecadação.

A repetição do mesmo enredo, muitas vezes com os mesmos personagens, vai cansando e desencantando o eleitorado, a tal ponto que, hoje, se não fosse obrigatório, boa parte nem iria votar. Votar para quê?, perguntam-se.

Pertenço à geração que ocupou as ruas do país, em 1984, enfrentando uma ditadura militar, para reconquistarmos o direito de escolher o presidente da República em eleições diretas.

De lá para cá, cada eleição era uma festa, casas e veículos enfeitados com propaganda dos candidatos, carros de som percorrendo as ruas, crianças cantando os jingles, enormes carreatas cruzando as cidades, comícios que eram verdadeiras celebrações da democracia.

Em 2016, não há sinais em parte alguma de que estamos na reta final de mais uma eleição, reinam o silêncio e o desinteresse, poucos se animam a discutir as propostas dos candidatos.

É o que temos para o momento.

Vida que segue.

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