Ratzinger indica um novo caminho. Entrevista com Elio Guerriero

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26 Agosto 2016

Humildade, coragem e santidade. São as três palavras que talvez melhor resumam a imagem de Joseph Ratzinger-Bento XVI, traçada por Elio Guerriero. O escritor e teólogo, e colaborador do Avvenire, que, nos últimos dias, publicou pela Mondadori, o livro Servitore di Dio e dell’umanità. La biografia di Benedetto XVI. (Servo de Deus e da humanidade. A biografia de Bento XVI, em tradução livre).

Até mesmo ao falar com ele, você tem a sensação de que estas são as coisas que mais o impressionaram na figura do Papa Emérito, a começar pela última fase da sua vida, que se seguiu à renúncia do ofício petrino: "Eu gostaria de enfatizar a importância da escolha de morar no mosteiro Mater Ecclesiae no Vaticano. Ele disse que queria ficar próximo de Pedro. Certamente, é um humilde testemunho de comunhão com Francisco, mas também da vida de aposentado e dedicada à oração. Um modelo de santidade e de acompanhamento do Ministério do seu sucessor ".

A entrevista é de Roberto I. Zanini, publicada por Avvenire, 24-08-2016. A tradução é de Fernanda Pase Casasola.

Eis a entrevista.

Muitas vezes, em seu Ministério, Bento insistiu na conversão do coração, inclusive lembrando o Conselho do conceito de vocação à santidade.

"Ele sempre teve a ideia clara de que a Igreja precisa urgentemente redescobrir o valor da santidade e da vida espiritual. Ele falou várias vezes como uma proposta de vida para todos, como um retorno à simplicidade do cristianismo. Com a escolha de se recolher à vida monástica, ele, que tinha diante de si muitas outras e mais convenientes possibilidades, quis indicar um modelo concreto de como isso é possível ".

Daí a insistência sobre a figura de Jesus, especialmente nos últimos anos de seu pontificado?

"Para ele, era de importância crucial. Os três volumes sobre Jesus exigiram um forte empenho quando se consideram os muitos compromissos que um Papa deve enfrentar. Ele queria que a figura de Jesus voltasse a ser familiar e próxima a todos os fiéis, gerando, para ela, um amor terno e apaixonado. Ao mesmo tempo, ele queria ser uma resposta ao temor de que um excesso de exegese poderia fragmentar e enfraquecer a mensagem de Jesus, ofuscando-lhe o semblante. As pessoas, quando rezam, precisam ter a sensação de estar frente a uma pessoa, e não simplesmente com um versículo da Bíblia. Por isso, ele sempre enfatizou as figuras dos santos, alegando que suas vidas concretas são a melhor explicação do Evangelho, porque o torna vivo no tempo e convida-nos a viver como santos. Neste sentido, são uma boa leitura suas frequentes peregrinações aos lugares santos: dos santuários marianos na Alemanha àqueles italianos, de Lourdes a Manoppello, de Monte Cassino de Bento a Pavia de Santo Agostinho para Bagnoregio de Boaventura ".

No prefácio de seu livro, que apresentamos na página, Papa Francisco fala de Bento enfatizando a coragem e a determinação.

"Na verdade, sempre foi uma pessoa que não tem medo de assumir posições impopulares quando se trata de agir para o bem da Igreja. Ele fez isso como teólogo, como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, como Papa. Lembro-me da entrevista concedida a Messori, em 1985, quando ele criticou a teologia da libertação, trazendo-lhe muita impopularidade. Enquanto muitos teólogos sugeriam reconstruir, muito genericamente, o "espírito" do Concílio Vaticano II, ele sempre relembrava os "ditames" do Concílio. Ele tomou como exemplo Von Balthasar, que nunca teve medo de criticar as posições teológicas dominantes. Muitas vezes, como Papa, exortou os bispos e os sacerdotes a serem corajosos, para não serem mediadores do consenso."

Corajosa e, com certeza, profética foi a escolha do nome Bento, que a exemplo do santo de Núrsia, lançou uma mensagem de encorajamento e de esperança na Europa.

"Seja pela formação ou pela proximidade com João Paulo II, sempre teve na mente e no coração a Europa e o monaquismo. Para ele, a regra beneditina foi o cadinho capaz de fundir diferentes povos com a cultura latina dando origem ao humanismo no qual a Europa foi construída e uma cultura que enaltecia a plena humanidade da pessoa. Como Papa, ciente da grave crise que atravessava o continente, empobrecido pelo ateísmo materialista, tinha em mente uma Europa capaz de recuperar o ânimo em um horizonte religioso mais amplo, aberto ao diálogo, em um relacionamento frutífero entre religiões, com as ciências, a natureza, a arte, a música .... "

Podemos dizer que o secularismo materialista criou obstáculos e a Europa traiu seu sonho?

"Se considerarmos o curto prazo, podemos dizer que sim. Mas ele sempre olhou longe, pensando no início de um percurso para o novo milênio. Sim, talvez ele perdeu o jogo, mas a longo prazo, a sua proposta de um novo humanismo, para uma Europa que recomeça ciente de si, das suas raízes cristãs, permanece como um possível caminho de recuperação."

Neste sentido, também se deve compreender a insistência sobre o diálogo entre ciência e fé?

"Seu modelo de novo humanismo é um espaço onde os fiéis e os não fiéis podem se reunir e dialogar. Nesse sentido, cria-se a ideia do "Átrio dos Gentios". Mas sempre lembrando que o diálogo deve ser aberto e deve partir das opiniões reais de cada um. Bento sempre foi um homem de diálogo, mas sem nunca evitar as questões sérias, os problemas reais. Uma visão profética, capaz de antecipar os tempos, de prever soluções. Agora, talvez, percebemos isso mais do que nunca. "

Ele afirma que introduziu a Igreja no Terceiro Milênio.

"Ele sabia que não era o momento de perseguir os problemas do século XX e que precisava se abrir a novas temáticas como a relação entre os fiéis e a sensibilidade secular, o diálogo sincero entre as religiões, a promoção de uma espiritualidade renovada, a abertura ao perdão, a misericórdia... "

...E o reconhecimento de seus erros.

"O texto da Via Crucis de 2005 é emblemático. E ele, como Simão de Cirene, escolheu suportar o peso do escândalo, das fraquezas da Igreja. Ele começou a se encontrar com as vítimas, rezando com eles, chorando com eles."

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