Discurso do Papa Francisco sobre gênero nas escolas é considerado ambíguo, desatualizado

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12 Agosto 2016

O discurso do Papa Francisco de que as escolas estão ensinando as crianças que elas podem escolher o seu sexo – o que seria uma consequência da suposta colonização ideológica – atraiu fortes críticas de católicos e defensores da causa LGBT. As preocupações não são apenas para com as crianças e as pessoas transexuais afetadas negativamente, mas têm a ver também com o problema da ambiguidade do que ele expressou.

O comentário é de Bob Shine, coordenador de mídias sociais do New Ways Ministry, em artigo publicado por Bondings 2.0, 05-08-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Ryan Hoffman, um dos diretores executivos organização Call to Action, disse em um comunicado que os transexuais “têm algo muito sagrado a ensinar à nossa Igreja”, e acrescentou:

“Pode não caber nas categorias estreitas ou se adequar às regras rígidas da Igreja institucional, mas é isso o que torna tão poderoso e profético o testemunho dessas pessoas. A questão, creio eu, é se a nossa Igreja está, ou não, disposta a ouvir com uma abertura e empatia genuína. Eu gostaria de pensar que a nossa Igreja irá escolher esse caminho em detrimento de uma retórica perigosa e divisora”.

Marianne Duddy-Burke, diretora executiva da DignityUSA, disse em um comunicado também:

“Mais uma vez, o papa está demonstrando uma ignorância lamentável e perigosa sobre um assunto que é literalmente uma questão de vida ou morte para algumas pessoas (…). Ele também não está conseguindo ver que Deus fala através de muitas línguas, culturas e experiências humanas, e nem sempre de um jeito que possamos interpretar corretamente (…).

O que o Papa Francisco diz hoje pode ter sérias repercussões para as pessoas em todo o mundo, especialmente nos países que estão aprovando políticas transfóbicas com base na ideia de que o conceito de identidade transgênero é uma importação ocidental. É irresponsável da parte dele dizer tais coisas sem levar em conta o fato de que a vida das pessoas está literalmente em jogo”.

Sara McBride, porta-voz da Human Rights Campaign, disse ao New York Daily News que as afirmações do papa podem ser prejudiciais às mesmas crianças que ele pretende proteger:

“É profundamente decepcionante que, logo após o seu pedido de desculpas aos católicos LGBTQs sobre o tratamento dispensado a estas pessoas por parte da Igreja, o Papa Francisco escolha negar a própria humanidade das pessoas transexuais, incluindo crianças”.

Jane Fae, transgênero católica, disse ao Gay Star News que os comentários do papa não estão claros. E continua:

“Neste momento, a Igreja Católica não tem um começo oficial quanto a questões transexuais (…). Até o dia em que a Igreja abordar o problema e fazer um anúncio oficial sobre as pessoas transexuais, as pessoas vão continuar interpretando as palavras dele desde o ponto de vista mais progressista até o mais conservador”.

O padre jesuíta Thomas Reese também questionou o objetivo da fala do papa, dizendo ao The New York Times:

“Não está claro a quem ele está se referindo, nem o que o está tirando do sério (…). Mas há algo subjacente aqui. E eu acho que ele percebe que esse tipo de coisa está sendo empurrado goela abaixo”.

Kelsey Louie, coordenadora da Gay Men’s Health CrisisGMHC, disse à agência The Advocate que ficou “triste e preocupado” com o que o papa falou, e expressou preocupação com o bem-estar das crianças:

“As nossas crianças merecem saber que, obviamente, elas têm o direito de escolher, e a GMHC saúda todas as escolas que ensinam os alunos a não oprimirem quem eles são, mas, pelo contrário, os ensinam a viver a vida com o gênero com o qual mais se identificam (…). O que precisamos é que os líderes mundiais ajudem a difundir mensagens de tolerância e aceitação”.

A Dra. Cristina Traina, professora de estudos religiosos da Northwestern University, disse à revisat digital Quartz que, diferentemente da homossexualidade, as questões sobre identidade de gênero “parecem ter tocado um nervo mais profundo” do Papa Francisco. Traina atribui parte disso ao fundo cultural do pontífice na América Latina, que o levou a compreender o gênero como sendo “binário e natural”.

“Algumas questões em torno da transexualidade foram apresentadas a ele como sendo impostas de forma injusta (…). Ele não tem uma compreensão profunda da experiência de uma pessoa transgênera e ele pode pensar que uma pessoa transgênera está, de fato, negando a ordem natural pretendida”.

O New Ways Ministry escreveu que as declarações do Papa Francisco revelam “um sério ponto cego”. O comunicado do New Ways Ministry pode ser lido aqui. [1] Você pode ler o blog Bondings 2.0 e sua cobertura completa das questões de identidade de gênero na Igreja Católica na categoria “Transgender” em seu endereço na internet.

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