Calamidade pública, lucros privados

Revista ihu on-line

Gênero e violência - Um debate sobre a vulnerabilidade de mulheres e LGBTs

Edição: 507

Leia mais

Os coletivos criminais e o aparato policial. A vida na periferia sob cerco

Edição: 506

Leia mais

Giorgio Agamben e a impossibilidade de salvação da modernidade e da política moderna

Edição: 505

Leia mais

Mais Lidos

  • “O PT não defende a causa da esquerda. Nem a do país”. Entrevista com Ruy Fausto

    LER MAIS
  • “A Reforma Trabalhista é a vitória do Brasil colônia sobre o Brasil do desenvolvimento”

    LER MAIS
  • O que é a esquerda hoje. Artigo de Atawallpa Oviedo Freire

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

20 Junho 2016

Na última sexta-feira, o governo estadual do Rio de Janeiro decretou estado de calamidade pública como forma de ter acesso a um financiamento para poder bancar os Jogos Olímpicos e concluir obras. O estado faliu antes mesmo de o evento começar e o COI está sendo obrigado a antecipar recursos para a Rio-2016 para resgatar os Jogos.

A reportagem é de Jamil Chade, publicada por ESPN, 18-06-2016.

Lamentavelmente, o Rio não será o único que terá um legado de dívidas. Em 2004, a Grécia comemorava com orgulho o fato de que, mais de cem anos depois, os Jogos Olímpicos finalmente voltavam a seu berço. O preço do "orgulho" chegou a 11 bilhões de euros, duas vezes do mais que o planejado.

Mas, doze anos depois, a herança olímpica e o esporte na Grécia estavam em ruínas. Os cortes no orçamento do governo em consequência da crise econômica mais séria já vivida pelo país e da recessão estão levando a um desmonte de tudo que havia sido construído para os Jogos Olímpicos. Para muitos, o legado do evento é hoje apenas um acumulado de dívidas que contribuiu para um calote do país.

Em certa ocasião na sede da ONU, perguntei ao presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, o que ele achava do impacto dos Jogos de Atenas na crise grega. Sua resposta não foi surpreendente. Para ele, era uma "verdadeira injustiça" culpar os Jogos pelo desastre econômico vivido pelos gregos desde 2009.

Sem dúvida não foi um único evento que levou o país a uma crise de proporções trágicas. Mas o torneio foi o símbolo de uma elite dirigente e de políticos segundo os quais todo gasto se justificava diante da projeção que a Grécia teria no mundo e do suposto legado que os Jogos deixariam à população.

Mas o que deveria ser o espelho de um país moderno se transformou no símbolo de um gasto irresponsável. Hoje, documentos internos do governo enviados à Comissão Europeia deixam claro que, já em 2004, a Grécia acumulava uma dívida impagável, camuflada com a ajuda de economistas sem escrúpulos.

Em outras palavras: Nuzman tem razão em dizer que não foi a Olimpíada que fez a Grécia se enterrar em dívidas. Mas a realidade é que o país jamais teve recursos para de fato bancar a festa.

O tempo - e as contas - provaram que tudo não passou de uma grande ilusão.

Hoje, no processo de reforma do país exigido pelos credores, o esporte não ficou isento de cortes profundos. O primeiro golpe veio em janeiro de 2011. O governo anunciou o corte de 33% na ajuda a federações esportivas, minando de forma dramática a capacidade de algumas equipes e de esportistas de elite para se preparar para os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres. Quem quisesse participar do evento teria de pedir recursos ao COI ou buscar patrocínio.

O próprio estádio Olímpico, construído para os Jogos de 2004, foi colocado à venda. Mas, não apareceu nenhum comprador. A maioria das 22 instalações usadas para os Jogos de 2004 está abandonada. A empresa criada para gerenciar o "legado Olímpico", a Olympic Properties S. A., é hoje uma estatal com uma dívida considerada impagável.

Na história dos Jogos, não são poucos os exemplos de lucros privados...e calamidades públicas.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Instituto Humanitas Unisinos - IHU - Calamidade pública, lucros privados