Da Funai à Lava Jato, Romero Jucá coleciona escândalos e já perdeu ministério antes

Revista ihu on-line

Planos de saúde e o SUS. Uma relação predatória

Edição: 541

Leia mais

Hans Jonas. 40 anos de O princípio responsabilidade

Edição: 540

Leia mais

Do ethos ao business em tempos de “Future-se”

Edição: 539

Leia mais

Mais Lidos

  • Necropolítica Bacurau

    LER MAIS
  • 23 razões para participar da Greve Climática desta sexta-feira

    LER MAIS
  • Às leitoras e aos leitores

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

24 Maio 2016

O ex-ministro do Planejamento do Governo interino de Michel Temer, Romero Jucá, não é estranho a polêmicas e investigações ao longo de sua carreira política que já soma mais de três décadas. Eleito senador pelo Estado de Roraima e ex-líder do Governo de Dilma e Lula na Casa, ele é alvo de inquéritos no Supremo Tribunal Federal decorrentes das apurações da Zelotes e da Lava Jato. Entre outros. Homem-forte do Governo interino de Michel Temer e articulador do impeachment, tornou-se nesta segunda-feira a primeira baixa da gestão ao ser flagrado em diálogos nos quais falava em organizar uma frente para abafar o escândalo de corrupção na Petrobras.

A reportagem é de Gil Alessi, publicada por El País, 23-05-2016.

Nem mesmo seu afastamento da pasta após os vazamentos aos quais o jornal Folha de S. Paulo teve acesso é inédito: em 2005 ele precisou deixar a Previdência durante o segundo mandato de Lula após pouco mais de três meses à frente do ministério. Ele sofreu grande desgaste com a divulgação de um episódio envolvendo a cessão de fazendas fantasmas para quitar empréstimos que somavam 18 milhões de reais do Banco da Amazônia feitos a uma empresa da qual era sócio nos anos de 1990. O então ministro afirmou que as acusações não se sustentavam, e eram fruto de disputas políticas em Roraima. O caso prescreveu, e em 2008 a Procuradoria-Geral da União arquivou o inquérito. À época ele afirmou que não iria entregar o cargo: caiu dois mes es depois.

Há outros casos contra ele em curso. O ex-servidor da Receita Federal João Gruginski, um delator da Operação Zelotes, que investiga, entre outras coisas o tráfico de influência no Congresso, afirmou que lobistas teriam repassado 60 milhões para Jucá e para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Além disso, colaboradores da Justiça no âmbito da Lava Jato – entre eles empreiteiros – disseram que o peemedebista foi destinatário final de propinas oriundas do setor elétrico. O empresário Ricardo Pessoa, da UTC, disse em sua delação que o senador pediu 1,5 milhão de reais para a campanha eleitoral de um de seus filhos, que disputava o cargo de vice-governador em Roraima. Jucá nega qualquer envolvimento nos esquemas.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, em depoimento à Polícia Federal Jucá afirmou que vive com seu salário, mas que “eventualmente” recebe doações de seus filhos, ambos empresários. A família seria proprietária de ao menos 12 companhias, de acordo com a reportagem, com interesses que variam de lojas de calcinha a mineradoras. Integrante da bancada ruralista no Senado, Jucá tem em seu currículo um projeto de lei que, pasmem, regulamenta a mineração em terras indígenas. A proposta foi duramente criticada por ambientalistas e pelas comunidades nativas, e alguns acusaram o peemedebista de legislar em causa própria, já que sua filha Marina Jucá é sócia da Boa Vista Mineração, que em abril de 2012 s olicitou ao Governo autorização para extrair ouro em terras indígenas.

Ele, que nega qualquer conflito de interesse na medida, é investigado pela Procuradoria-Geral da República por ter supostamente agido para beneficiar outra mineradora, a Vale S/A, ex-Vale do Rio Doce, maior empresa do setor no Brasil. O processo corre em segredo de Justiça.

Acordo com madeireiras na Funai

O senador já foi presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) em 1986. À frente da instituição, ele autorizou que os indígenas firmassem contratos com madeireiras para que a mata nativa fosse explorada, o que segundo especialistas ampliou o ritmo da degradação ambiental nas reservas. Também é creditada a ele a decisão que reduziu o território destinado aos índios Yanomami a limites inferiores aos definidos pela própria Funai anteriormente.

Outra polêmica de Jucá na Fundação foi a venda e permuta de madeiras nobres apreendidas para as próprias madeireiras em troca de serviços e benfeitorias nos territórios indígenas. Um desses casos, descrito no livro Etnodicéia Uruéu-Au-Au: o endocolonialismo e os Índios no Centro de Rondônia (Edusp), do antropólogo Mauro Leonel, envolveu a “alienação de 9.322 metros cúbicos de toras de madeira” para a empresa Cometa em troca "da construção de 45 quilômetros de estradas" ligando postos da Funai. A atuação questionável de Jucá à frente da Fundação foi premiada pelo então presidente José Sarney. Em 1988 ele foi nomeado governador da área que mais tarde viria a se tornar o Estado de Roraima.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Da Funai à Lava Jato, Romero Jucá coleciona escândalos e já perdeu ministério antes - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV