Pepe Mujica chama Nicolás Maduro de “louco”

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20 Maio 2016

A aliança progressista um dia formada pelos países da América Latina parece estar gravemente ferida. O processo, iniciado depois da morte de Néstor Kirchner e Hugo Chávez, e que continuou com o afastamento e julgamento político de Dilma Rousseff no Brasil e a consagração democrática de Mauricio Macri na Argentina, parece chegar a seu fim. Agora quem falou foi o ex-presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, que se distanciou do mandatário venezuelano Nicolás Maduro. Está “louco como uma cabra”, disse o homem forte da Frente Ampla, usando a expressão enfática na língua espanhola. “Estão todos loucos na Venezuela. Falam de tudo e assim não vão consertar nada”, disse.

A reportagem é de Ramiro Barreiro, publicada por El País, 19-05-2016.

A Venezuela está vivendo dias de protesto e repressão. As colunas da oposição tentam forçar a realização de um referendo revogatório do presidente Nicolás Maduro, que decretou estado de exceção e defendeu a estatização de qualquer indústria que parar suas atividades. “Fábrica parada, fábrica entregue ao povo! Vocês vão me ajudar a recuperar todas as fábricas paralisadas pela burguesia'', pediu Maduro.

A crise do petróleo e a queda do produto interno bruto causaram o desabastecimento de alimentos básicos e remédios. Soma-se a isso o desafio imposto a Maduro pela maior indústria de alimentos e bebidas do país, a Polar, que desligou as máquinas em 30 de abril alegando falta de divisas para importar insumos. A empresa, que produz e engarrafa a cerveja na Venezuela, é contra o controle cambial exercido pelo governo bolivariano desde 2003.

Mujica saiu em defesa de seu ex-chanceler Luis Almagro, que Maduro acusa de ser “agente da CIA”. “Não é nenhum traidor. É um advogado, escravo do Direito”, enfatizou. “Não tem nada a ver, estão passando dos limites”, disse Mujica. Reconheceu ter um grande respeito pelo presidente venezuelano, mas “isso não equivale a não lhe dizer que está louco”, acrescentou. “Os venezuelanos têm de resolver seus problemas entre si e isso é o que mais o interessa”, concluiu o ex-presidente uruguaio.

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