“Amoris Laetitia discerne sobre as famílias feridas”. Entrevista com o padre jesuíta Miguel Yáñez

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Por: Jonas | 17 Maio 2016

Por ocasião da recente publicação da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia, a alegria do amor, na Rádio Vaticano, conversamos com o padre Miguel Yáñez SJ (foto), diretor do departamento de Teologia Moral da Universidade Gregoriana de Roma. Ele afirma que o documento papal se baseia no critério da abertura e conta com uma visão positiva da sexualidade.

 
Fonte: http://goo.gl/7U8k5R  

A entrevista é publicada por Religión Digital, 15-05-2016. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Que aspectos gostaria de destacar da Amoris Laetitia, a alegria do amor?

Em primeiro lugar, realista: há uma visão realista e concreta da família, da realidade familiar tal como se apresenta hoje em dia, com o desejo de acompanhá-la e de curá-la. Em segundo lugar, pastoral: é um documento que procura abrir vias pastorais para melhor acompanhar as famílias de hoje em dia. Em terceiro lugar, procura iniciar processos... Não procuramos tanto encontrar receitas, que são pontuais, mas processos que possam melhor integrar aqueles que estão distanciados ou em situações de não total integração.

A linguagem que utiliza é admirável. Poderíamos dizer que é fruto da escuta do povo de Deus e que entrega ao povo de Deus um texto muito rico do ponto de vista antropológico, espiritual, teológico e pastoral, em uma linguagem que as pessoas podem compreender... Possui uma visão positiva da sexualidade e do amor conjugal, inclusive daquelas situações que não são perfeitas, onde aplica a questão das sementes do verbo, dizendo que mesmo ali podemos ver aspectos positivos, valores.

Conecta-se com a eclesiologia da Evangelii Gaudium, especialmente com a de uma Igreja sinodal. Portanto, é fruto maduro de um caminho sinodal, composto por dois sínodos, como todos sabemos, o extraordinário e o ordinário, que o Papa reúne e relança através destas Exortação apostólica pós-sinodal.

Como a Amoris Laetitia se coloca dentro do Magistério do Papa Francisco?

Vemos uma coerência admirável, pois há uma série de aspectos que a Amoris Laetitia reúne e aprofunda. O primeiro aspecto é a eclesiologia: uma Igreja em saída, que vai ao encontro dos homens e mulheres de hoje, concretos, com um grande sentido de realismo... O Papa Francisco diz claramente que não queremos tratar de uma família ideal, que se presta a uma ideologia, mas de uma família real, e o conceito que utiliza predominantemente para falar da família é o de uma família ferida e isto se conecta perfeitamente com a Igreja hospital de campanha, que precisa justamente ir ao encontro dos feridos, após uma batalha... Aqui, não se trata de julgar as pessoas de acordo com o cumprimento das normas da Igreja, mas, ao contrário, de ajudá-las, pois por trás de cada situação há um drama humano.

Que semelhanças encontra com a Familiaris Consortio?

Familiaris Consortio reúne a teologia de João Paulo II do corpo humano sobre o matrimônio também da Humanae Vitae. Francisco reúne toda esta herança do magistério conciliar e pós-conciliar com a sua característica: vendo a partir da perspectiva pastoral e em função de uma pastoral.

Então, por exemplo, o discernimento, que é uma das chaves de interpretação do documento, que já está no número 84 da Familiaris Consortio, Francisco o prolonga, procurando ver de que modo podem ser aplicadas algumas normas nos casos que são chamados de irregulares. De tal maneira que oferecendo um critério, que é o de integração, possa se integrar a maior quantidade de pessoas e de situações possíveis dentro da Igreja.

Como a Amoris Laetitia propõe o tema do acompanhamento pastoral?

Esta é uma das novidades da Amoris Laetitia. Procurar se aproximar de todas as situações. Aqui, ninguém fica excluído. Não é necessário que o Papa aponte cada uma das situações, disse isso claramente: a Igreja é a casa paterna onde já lugar para todos, portanto, ninguém pode ficar excluído.

Agora, qual é o critério de inclusão? Porque também não se abre a porta indiscriminadamente a todos. O critério é a busca por Deus. O critério é o desejo de conversão...

Que luzes o documento traz sobre o discernimento?

O documento apresenta luzes e, sobretudo, apresenta desafios. Apresenta um chamado à responsabilidade. Há frases muito fortes a respeito dos ministros... para que posam levar adiante este desejo do Papa que nos convida a uma Igreja concretamente em saída. Justamente, o critério é o da abertura, o critério é o da compreensão, da misericórdia. Misericórdia significa saber compreender o outro, não o julgar, mas, ao contrário, compreender a situação na qual se encontra, ainda que seja uma situação de pecado. Deus não nos olha com um olhar de discriminação, mas com um olhar compassivo. Nós, pastores, temos que aprender dessa visão de Jesus.

Em que consistiu o evento, na Universidade Gregoriana, sobre a Exortação Amoris Laetitia?

Foi uma apresentação da Exortação Apostólica Pós-Sinodal do Papa Francisco que, há tempo, estávamos esperando, porque eu coordeno um grupo interdisciplinar que há mais de dois anos vem se reunindo para estudar e aprofundar o tema do matrimônio e da família, por ocasião dos sínodos prévios a esta Exortação apostólica. Queríamos apresentar o documento e isto é um passo a mais dentro de uma dinâmica de estudo do tema e, entre outras coisas, também estamos oferecendo um diploma em pastoral familiar e, além disso, também queremos fazer um simpósio, nos dias 7 e 8 de outubro, para aprofundar este tema.

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