O núncio Christophe Pierre. Do México para os EUA

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Por: Jonas | 25 Abril 2016

Na ampla sala redonda ecoava a voz do núncio Christophe Pierre. Seu tom era suave, mas rigoroso. A madeira polida facilitava a acústica perfeita, de tal forma que os bispos aí reunidos não perdiam nenhum detalhe de sua mensagem. Um dos prelados levantou as sobrancelhas e murmurou ao seu companheiro mais próximo: E a este o que lhe picou? Estamos no auditório da Conferência Episcopal Mexicana (CEM), em Cuautitlán, na manhã fria de 11 de novembro de 2013.

O núncio está desenvolvendo sua alocução dirigida à assembleia dos bispos mexicanos, que consistia em um discernimento sobre a pessoa do bispo à luz do novo pontificado de Francisco. Diante do atordoamento dos altos prelados mexicanos, Pierre questiona o estilo gerencial de muitos bispos e os convida a “ser pastores com cheiro de ovelhas... Não sejamos homens com a ‘psicologia de príncipes’. Homens ambiciosos, isto é um escândalo! Existe um ‘adultério espiritual’? Não sei, pensem vocês...”.

A reportagem é de Bernardo Barranco V, publicada por La Jornada, 20-04-2016. A tradução é do Cepat.

Christophe Pierre parafraseia o recém-eleito papa Francisco, que também no Rio de Janeiro, alguns meses antes, falou forte sobre o papel dos bispos, diante do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM). Estas admoestações foram pronunciadas dois anos antes da dura mensagem que Francisco pronunciou na Catedral em sua visita ao México, no dia 13 de fevereiro de 2016. Diante do plenário da hierarquia mexicana, Christophe Pierre exigia: “Ser os pastores que acolhem com magnanimidade para caminhar com o seu rebanho, com os próprios fieis e com todos, compartilhando alegrias e esperanças, dificuldades e sofrimentos... O estilo de serviço do bispo ao rebanho deveria se caracterizar pela humildade e também pela austeridade e a essencialidade”.

Como é lógico, a mensagem do núncio mexicano irritou o cardeal Norberto Rivera, que precisamente – enquanto o papa visitava o Brasil – estava com homens poderosos como Carlos Slim, Olegario Vázquez Raña, Miguel Alemán e Amancio Ortega, o homem mais rico da Espanha, em dias de folga a todo luxo no pequeno povoado galego de Avión, na Espanha. Mas, voltemos àquele novembro de 2013, quando o núncio arrematava sua reflexão exortando: Somos chamados a ser pobres, a nos despojar de nós mesmos, e por isso devemos aprender a estar com os pobres, compartilhar com quem carece do necessário. Pede-se a vocês a presença física: “Evitem o escândalo de ser ‘bispos de aeroporto’! Permaneçam com o seu rebanho!”.

Há uma enorme coincidência e paralelismo entre a mensagem do núncio, em 2013, e a dura exortação que o papa Francisco pronunciou na Catedral Metropolitana do México. Tal semelhança fez com que o semanário Desde la Fe destacasse indiretamente o núncio como aquele que não informou bem o Papa, para que este pronunciasse semelhante repreensão.

De qualquer modo, apesar de suas aversões, Christophe Pierre é um ator que tem toda a confiança de Francisco, que lhe encomenda uma missão chave e delicada em sua geopolítica pastoral. Isto é, dar continuidade à ponte aberta por Bergoglio entre Cuba e Estados Unidos, assim como abrir outra mais eclesial entre este último e o México em matéria de migração, além de temperar os ânimos de bispos ultraconservadores naquele país, que olham com desconfiança as reformas do papa Francisco. De tal sorte que, apesar de seus detratores mexicanos, Christophe Pierre seguirá na órbita eclesial mexicana.

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