Papa Francisco: a verdadeira harmonia não é tranquilidade hipócrita

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06 Abril 2016

“Para viver em harmonia e no apoio recíproco a comunidade cristã deve renascer do Espírito Santo. E há dois sinais para entender que se está no caminho correto: o desinteresse pelo dinheiro e a coragem de testemunhar Cristo ressurgido. Afirmou-o o Papa Francisco na missa celebrada terça-feira de manhã, cinco de abril, na capela da Casa Santa Marta. Uma indicação acompanhada pela advertência de não confundir a verdadeira harmonia com uma tranquilidade negociada ou hipócrita. “Jesus diz a Nicodemos que se deve renascer, mas renascer do Espírito: é precisamente o Espírito que nos dá uma nova identidade, nos dá uma força e um modo de agir novos: eis a chave de leitura proposta pelo Pontífice, à luz da passagem evangélica de João (3, 7-15), proposto pela liturgia do dia. E nesta linha – fez notar – se vê já “na primeira leitura, um dos três ou quatro resumos contidos nos Atos dos apóstolos (4, 32-37): uma passagem que conta “como vivia a primeira comunidade, os “renascidos do Espírito”.

Francisco fez notar que eles “viviam em harmonia e a harmonia somente a pode dar o Espírito Santo”. De fato, “nós podemos fazer acordos uma certa paz, mas a harmonia é uma graça interior que somente pode fazê-la o Espírito Santo”. Portanto, estas primeiras “comunidades viviam em harmonia”: e se entende isso por dois sinais que contra distinguem a harmonia, explicou o Papa na homilia proferida no dia 05-04-2016. A tradução é de Benno Dischinger.

O primeiro sinal é que “ninguém vive passando necessidade, isto é, tudo é em comum”. O sentido autêntico o explica precisamente a passagem tirada dos Atos dos apóstolos: “Tinham um só coração, uma só alma e ninguém considerava sua propriedade aquilo que lhe pertencia, mas entre eles tudo era comum. Ninguém de fato entre eles era necessitado”.

De resto, afirmou Francisco, “a verdadeira harmonia do Espírito Santo tem uma relação muito forte com o dinheiro: o dinheiro é inimigo da harmonia, o dinheiro é egoísta”. E “por isso o sinal que dá e que todos davam o que era seu, para que não houvesse necessitados”. Em particular, nos Atos, se “dá o exemplo de José, apelidado pelos apóstolos Barnabé, que significa “filho da exortação”, um levita originário de Chipre, dono de um campo”. Pois bem, Giuseppe vende o seu campo “e consignou o que obteve depondo-o aos pés dos apóstolos”. Numa palavra, esta é a verdadeira “harmonia” que, portanto, “tem uma relação com o espírito de pobreza, que é a primeira das bem-aventuranças”.

Bem diverso, ao invés, é “o caso daquele casal, Ananias e Safira: vendem o campo e dão tudo, dizem que dão tudo aos apóstolos, mas subtraem ocultamente para fazer-se uma conta à parte, para eles”. Uma história que é narrada sempre nos Atos dos apóstolos (5, 1-11). Mas – recordou Francisco – “o Senhor pune com a morte estes dois, porque Jesus disse claramente que não se pode servir Deus e o dinheiro: são dois patrões, cujo serviço é irreconciliável”. Mas, advertiu em guarda o Pontífice, “a harmonia, que somente o Espírito Santo pode criar, não é confundida com a tranquilidade”. Tanto que “uma comunidade pode ser muito tranquila, passar bem”, mas não estar em harmonia.

“Certa vez – confiou o Papa – ouvi dizer de um bispo uma coisa sábia: “Na diocese há tranquilidade. Mas, se tu tocas este problema ou aquele problema ou este outro problema, logo explode a guerra”. “Mas esta – observou – é antes “uma harmonia negociada” e não é aquela do Espírito: é uma harmonia, digamos, hipócrita, como aquela de Ananias e Safira com aquilo que fizeram”. Ao invés, “a harmonia do Espírito Santo nos dá esta generosidade de não ter nada de próprio, até quando haja um necessitado”.

Há, portanto, um segundo comportamento suscitado pela harmonia do Espírito Santo. E Francisco o apresentou repetindo as palavras dos Atos: “Com grande força, os apóstolos davam testemunha da ressurreição do Senhor Jesus, e todos gozavam de grande favor”. Em síntese, o segundo sinal da verdadeira harmonia é “a coragem”. E assim, “quando existe harmonia na Igreja, na comunidade, existe a coragem: a coragem de dar testemunho do Senhor ressuscitado”.

Nesta perspectiva, o Pontífice sugeriu “ler e reler esta passagem dos Atos dos apóstolos; o capítulo quarto, do versículo 32 em diante”. E a razão é logo expressa: “Porque é aquilo que Jesus havia solicitado ao Pai na última Ceia: que sejam “um”, que houvesse a harmonia entre eles”. E “quando chega o dom do Pai, que é o Espírito Santo, ele é capaz de estabelecer esta harmonia”. Eis porque, concluiu o Papa, “nós fará bem ler este trecho, hoje, e ver as coisas que se dizem e como cada um de nós possa ajudar a sua família, o seu quarteirão, a sua cidade, os colegas de trabalho, de escola, todos aqueles que lhes são vizinhos, para criar esta harmonia que se faz no nome do Senhor Jesus ressuscitado e que é uma graça do Espírito Santo”.

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