México. Cardeal Rivera: alguém aconselha mal o Papa

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10 Março 2016

O discurso do Papa Francisco aos bispos do México, o texto mais complexo e pessoal dos que pronunciou durante sua viagem de fevereiro, não foi apreciado pelo cardeal Norberto Rivera Carrera, arcebispo primaz da Cidade do México. Em um editorial sem assinatura, publicado há alguns dias na revista da diocese "Desde a fé", critica-se o pontífice por ter acrescentado, improvisando, uma frase que não fazia parte do discurso. O texto conclui que Francisco recebeu informações erradas sobre a situação do episcopado mexicano.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 08-03-2016. A tradução é de Evlyn Louise Zilch.

Como se pode recordar, naquele discurso Francisco pediu ao episcopado do México: "vigiem para que seus olhos não se cubram das sombras da névoa do mundo; não se deixem corromper pelo materialismo trivial nem pelas ilusões sedutoras dos acordos debaixo da mesa; não coloquem a sua confiança nos "carros e nos cavalos" dos faraós atuais" e, pelo contrário, "reclinem-se, com delicadeza e respeito, no profundo da alma de seu povo".

O Papa também convidou os bispos a abandonarem qualquer forma de clericalismo, para não perderem tempo e energia "em coisas secundárias, fofocas e intrigas, nos vãos projetos de carreira, nos planos vazios de hegemonia e nos infrutíferos clubes de interesses ou de consorterie. Não se deixem levar pelas fofocas e calúnias”. Pediu-lhes para que não caíssem na paralisia "de dar respostas antigas para novas demandas", e também que fizessem muito mais contra a epidemia de drogas e que continuassem o seu compromisso pelos migrantes.

Esta é a passagem do discurso de Francisco que foi tomada como alvo pelo comentário crítico da revista diocesana: "A missão é ampla, e levá-la adiante exige múltiplas vias. E com a mais viva insistência exorto-lhes a conservar a comunhão e unidade entre vocês. Isto é essencial, irmãos. Isto não está no texto, mas me veio agora. Se vocês tiverem que se desnudar, denudem-se; se tiverem que dizer coisas, digam-nas, como homens, na cara, e como homens de Deus, que vão rezar e discernir juntos, e se passaram a linha, em seguida, vão pedir perdão, mas mantenham a unidade episcopal. Comunhão e unidade entre vocês. A comunhão é a verdadeira forma vital da Igreja e a unidade dos seus pastores dá prova da sua veracidade... Não são necessários "príncipes" – explicou –, mas uma comunidade de testemunhas do Senhor.

Estas palavras, evidentemente, foram interpretadas pelos meio de comunicação como uma repreensão: o Papa, nesta e em outras partes do seu discurso, dava a impressão de referir-se a fatos específicos. O editorial de "Desde a fé" acusa ter recebido e considera estas frases injustas: “Aqui surge a pergunta: será que o Papa tem qualquer razão para repreender aos bispos mexicanos? O que sim tem o Papa, e muito claramente, é que a Igreja no México é um caso atípico em relação a outros países da América”. Uma alusão potencial e nem ao menos tão encoberta sobre a situação da Argentina.

Para concluir, o texto da revista que se faz pensar no cardeal Rivera insiste nos "sinais visíveis de santidade" do episcopado mexicano durante os anos da ofensiva anticlerical e maçônica dos anos 20 do século passado.

"O Episcopado Mexicano – conclui o texto sem assinatura – está unido e disposto a fazer frente para enfrentar os desafios que Sua Santidade colocou diante deles. Lamentavelmente, existe a mão da discórdia que tentou colocar os detalhes negativos, parcializando a visão da Igreja e tratando de influenciar o discurso Pontifício para conseguir um efeito contrário sobre o público, salientando os desafios e tentações como males do episcopado. Não é assim. E aqui está a questão: por que tentar desvalorizar o trabalho dos bispos mexicanos? Felizmente, as pessoas conhecem os seus pastores, e os acompanham na construção do reino de Deus, a qualquer preço, como tem sido ao longo da história deste país... Ou será que as palavras improvisadas do Santo Padre responderiam a um mau conselho de alguém próximo a ele? Quem aconselhou erradamente o Papa?".

No entanto, algumas divisões no seio do episcopado mexicano são bem conhecidas faz muito tempo. A referência que fez Francisco aos "clubes", por exemplo, refere-se a pequenos grupos e círculos que se tornam particularmente influentes nos compromissos episcopais, graças a seus contatos romanos.

E não é nenhum mistério que tenha havido problemas entre os bispos também em relação à organização da viagem papal. Quanto ao responsável de ter "aconselhado erroneamente" o Papa, o artigo da revista diocesana não dá nomes. Como em todos os países que visita, um papel importante para informar o Papa e em geral à Santa Sede quem joga é o anúncio apostólico. No México, desde 2007, é o arcebispo francês Christophe Pierre, quem, depois de quase uma década no país, estaria por ser transferido para outra sede.

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