Economias biopolíticas da dívida. Dívidas como mecanismo de controle

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10 Março 2016

Economias Biopolíticas da Dívida, edição 236ª do Cadernos IHU ideias, de Michael A. Peters, tem como eixo de análise a relação credor/devedor a partir do segundo ensaio da Genealogia da Moral de Nietzsche, onde se argumenta que a “instituição do castigo ou da punição surge desta relação e se constitui na primeira moral baseada na capacidade de fazer promessas”. Disto decorre que o credor pode estabelecer as regras do jogo, que por sua vez, leva do devedor aquilo que lhe agrada.  “O conceito moral de obrigação, juntamente com culpa, consciência e dever, tem seu início nessa relação contratual, marcada com sangue e tortura”, frisa Peters.

Assim, a financeirização como forma de biopoder estabelece normas e valores presentes em nosso cotidiano, resultando na produção moral de indivíduos endividados. Ou seja, “o neoliberalismo é o mecanismo de controle mais eficiente que, através da dívida, captura a resistência por parte dos trabalhadores e estudantes”, afirma.

Esta edição do Cadernos IHU ideias foi apresentada no XVII Simpósio Internacional IHU. Saberes e Práticas na Constituição dos Sujeitos na Contemporaneidade, promovida pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU em setembro de 2015. O artigo, assim como a conferência proferida por Peters, aborda a questão e a moral da dívida como base para uma investigação sobre o fenômeno da “economia da dívida” e as novas configurações do "capitalismo da dívida".

A versão digital de Economias Biopolíticas da Dívida está disponível no sítio do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, e a conferência A Biopolítica Pós-Colonial no Império do Capital: Linhas foucaultianas de investigação nos Estudos Educacionais está no canal do Instituto no YouTube.

 

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