América Central. Avanço das deportações: uma crise crônica que reaparece

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Por: Jonas | 29 Fevereiro 2016

No dia 23 de dezembro do ano passado, um jornal estadunidense revelou que em 2016 a Administração de Obama realizaria deportações massivas de imigrantes que tivessem ingressado após maio de 2014 e cujas solicitações de residência tivessem sido negadas, entre outros. Confirmando a notícia, durante o primeiro final de semana de 2016, autoridades migratórias estadunidenses detiveram 121 adultos, meninos e meninas para ser deportados, e os indícios destacam que os objetivos das investidas são adultos com menores e famílias centro-americanas, sem importar que estejam em processo de solicitar asilo.

 
Fonte: http://goo.gl/AqMktc  

A reportagem é de Yolanda González Cerdeira, publicada pelo sítio do Apostolado Social da Conferência dos Provinciais Jesuítas da América Latina, CPAL, 26-02-2016. A tradução é do Cepat.

Muitas organizações sociais e políticas demonstraram seu repúdio diante de tais medidas violadoras dos direitos humanos, que reforçam a política migratória dos Estados Unidos para a região. A mensagem é clara: “As pessoas centro-americanas, mesmo que fujam da violência, não tem espaço neste país. Não vamos protegê-las. Não importa o que os Convênios Internacionais nos dizem, não importa o que é ético, nem justo”.

Por que agora as investidas? O medo de outra crise de menores na fronteira, como a que aconteceu em 2014, pode ter motivado esta caçada para desestimular os centro-americanos de alcançar o famoso sonho. Ainda que durante o ano fiscal 2015 (de outubro de 2014 a setembro de 2015), o número de menores migrantes não acompanhados, detidos na fronteira estadunidense, tenha diminuído em 42%, no primeiro quadrimestre do ano fiscal 2016, ocorreu um crescimento importante, ao ser detidos 20.455 menores, frente aos 10.100 detidos no ano anterior, nesse mesmo período. Estes números correspondem a um período no qual ainda começará a temporada de maior fluxo migratório para o Norte, que é a partir de fevereiro.

Por outro lado, não se deixa de sentir certo caráter eleitoreiro, já que o número de deportações dos Estados Unidos vem diminuindo, devido à própria política de deslocar a fronteira real ao Sul, ou seja, a que separa a Guatemala do México e, assim, tornar este país seu gendarme. Ainda que esta política possa parecer eficaz quanto à diminuição de pessoas que chegam aos Estados Unidos, pode ser que Obama esteja tendo pressões para apresentar uma mensagem dura contra a imigração indocumentada dentro dos Estados Unidos.

Inclusive, analistas dos Estados Unidos avaliam a possibilidade de que seja uma estratégia da administração de Obama para fortalecer sua proposta de deportações seletivas, e enfrentar aqueles que advogam pela necessidade de deportações massivas, sem importar, por exemplo, com os anos que uma família já vive no país. Ou seja, tais investidas poderiam ser consideradas pela própria administração de Obama uma política “do mal menor”.

Terão as investidas o efeito dissuasório esperado nos países de origem? Está mais do que provado que medidas como estas só aumentam o drama sofrido pelas famílias centro-americanas, e provocam mais angústia e aflição naqueles que conseguiram chegar aos Estados Unidos, que veem sua separação ao virar da esquina. Está mais do que provado que as investidas reforçam a criminalização das pessoas. Está mais do que provado que a maneira mais eficaz de evitar a migração forçada e massiva é com políticas de Estado que estimulem modelos de desenvolvimento que assegurem que seus cidadãos não se vejam forçados a sair.

Uma visão da floresta talvez nos ajude a situar as árvores. Entre 2010 e 2014, mais de 840.000 migrantes foram deportados ao Triângulo Norte. Ou seja, em 5 anos, 2,8% da população centro-americana foram devolvidas para um país que as expulsa.

No caso de Honduras, entre 2014 e 2015, cerca de 150.000 pessoas foram deportadas, o que supõe que 1,8% da população hondurenha foi deportada em 2 anos. E falamos de um país no qual as solicitações de asilo, entre 2012 e 2014, aumentaram 1,153%, passando de 810 solicitações, em 2012, para 1,146, em 2014.

Existia no dia 22 de dezembro de 2015 uma crise migratória e social em Honduras, por exemplo, um país no qual, por dia, quase 200 pessoas precisam retornar, depois de ter perdido tudo, e continuam sem a oferta da possibilidade de levar uma vida digna e tranquila? É claro, mas não conseguiam tantas manchetes, porque em Honduras, assim como em El Salvador ou na Guatemala, esta é uma crise a mais.

Claro que as políticas migratórias dos Estados Unidos são indignantes. Porém, não percamos o foco das verdadeiras causas e responsáveis por este drama. São as políticas sociais, econômicas e de (in)segurança dos países centro-americanos, que em muitos casos contam com o apoio dos Estados Unidos, que estão na raiz de cada uma das crises “de manchetes de jornais”.

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