Sacerdotes casados? Na Gregoriana votam contra

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Por: Jonas | 11 Fevereiro 2016

Os cardeais Parolin e Ouellet se alinham para defender o celibato do clero latino, em uma convenção na prestigiosa universidade pontifícia. No entanto, mais uma vez, o Papa deu a entender aos bispos alemães que quer romper com esta tradição.

A reportagem é de Sandro Magister, publicada por Chiesa.it, 04-02-2016. A tradução é do Cepat.

 
Fonte: http://goo.gl/RITO8p  

Na tarde de hoje, na Pontifícia Universidade Gregoriana, começa um seminário em muitos sentidos surpreendente.

A surpresa está dada antes de tudo pelo tema: “O celibato sacerdotal, um caminho de liberdade”. Um tema em claro contra-ataque aos sinais cada vez mais frequentes de um próximo relaxamento da disciplina do celibato do clero católico latino, por desejo do papa Francisco. Contudo, também é fora do comum o alto nível das personalidades que farão o uso da palavra na convenção.

O orador inicial será o cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, que falará de “Celibato e vínculo nupcial de Cristo com a Igreja”. Ouellet pertence à Companhia dos Sacerdotes de São Sulpício, desde sempre dedicada à formação dos candidatos ao sacerdócio e à atenção espiritual do clero. Ao passo que o orador final, na manhã do sábado, dia 6 de fevereiro, será o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado, que falará de “O sacerdote ordenado ‘in persona Christi’”. Exatamente antes de Parolin, intervirá o arcebispo Joël Mercier, secretário da Congregação vaticana para o Clero, que explicará a encíclica de Paulo VISacerdotalis caelibatus”, do ano 1967, como “totalmente válida também em nosso tempo”.

O programa completo da convenção, sob a responsabilidade de monsenhor Tony Anatrella, psiquiatra, sacerdote da Diocese de Paris e docente no Collège des Bernardins, está disponível na página web da Gregoriana, a mais prestigiosa das universidades pontifícias romanas, confiada à Companhia de Jesus e dirigida atualmente pelo padre François-Xavier Dumortier, que no sínodo do último mês de outubro foi orador do “Círculo gálico B”, presidido pelo cardeal Robert Sarah, certamente não um inovador.

O último sinal da vontade do papa Francisco de proceder com a ordenação de homens casados veio da Alemanha, há poucos dias, assim como já havia acontecido com outros sinais anteriores.

Desta vez, quem se fez intérprete do pensamento do papa Jorge Mario Bergoglio foi o bispo auxiliar de Hamburgo, Hans-Jochen Jaschke, durante o programa de entrevistas televisivo “Nachtcafe”.

Ao relatar o encontro entre os bispos alemães e o Papa, no último dia 20 de novembro, ao término de sua visita “ad limina”, Jaschke disse que quando o discurso levantou a hipótese de se recorrer a sacerdotes casados para presidir a Missa em regiões muito remotas e com escassez de clero, especialmente na América Latina, Francisco “não deu sinais de um não”.

Certamente, acrescentou Jaschke durante a transmissão, o Papa “não é um ditador” e procederá fazendo parecidas inovações “globalmente aceitáveis” pelo conjunto da Igreja. Contudo, agora, parece certo que ele quer avançar nesta direção.

Estas declarações do bispo auxiliar de Hamburgo – junto a outras a favor de “um enfoque mais flexível no tema da homossexualidade” – foram informadas no dia 1º de fevereiro em Katholisch.de, o portal da Conferência Episcopal Alemã.

Além disso, entre os bispos da Alemanha corre o rumor de que para a viagem ao México, em meados de fevereiro, Francisco teria em mente ordenar sacerdotes alguns diáconos casados da Diocese de San Cristóbal de Las Casas, em Chiapas.

No entanto, este rumor foi refutado pelo bispo desta diocese, Felipe Arzmendi Esquivel. Também foi rejeitado pelo mestre de cerimônias litúrgicas pontifícias, Guido Marini, que garantiu a esta página web que, durante a viagem ao México, “em nenhuma Missa o Papa fará ordenações”.

De qualquer modo, o encontro do dia 20 de novembro entre os bispos alemães e o Papa deixou uma marca bastante intensa, inclusive independente da questão dos sacerdotes casados.

Como quase sempre faz ao término das visitas “ad limina”, dessa vez, Francisco também não leu o discurso preparado para a ocasião, mas simplesmente entregou o texto aos bispos, preferindo ocupar o tempo com uma conversa informal. Só que quando os bispos alemães leram esse texto dirigido a eles, consideraram-no tremendamente punitivo.

Isso é verdade. No texto escrito, havia uma acusação implacável contra todos os desastres produzidos nestes anos pelos pastores da Igreja na Alemanha, que culminaram em uma verdadeira e autêntica “erosão da fé católica”.

O cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e presidente dos bispos alemães, além de membro do Conselho dos nove cardeais que ajudam o Papa, disse que pediu explicações a respeito desse discurso a Francisco, e que ele lhe assegurou que não sabia nada sobre o texto, já que nem sequer o havia lido.

De fato, não havia nem sequer a sombra do estilo de Bergoglio, nem de sua simpatia pelo episcopado alemão, nesse texto que parecia muito mais ter saído do “escritório” de um Bento XVI, quase uma continuação da memorável repreensão dirigida, no dia 25 de setembro de 2011, em Friburgo, a uma Igreja alemã muito “satisfeita de si mesma [...] e que se adapta aos critérios do mundo”, ao invés de se manter fiel “ao seu chamado a estar aberta a Deus e a abrir o mundo para o próximo”.

Voltando ao discurso desconhecido pelo papa Francisco, ao querer justamente lhe conferir um autor, a imaginação se dirige ao cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, compatriota e antagonista de longa data do reformista Marx, além de ser pouco escutado, hoje, é guardião do dogma e da disciplina da Igreja.

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