Carmelitas e gigolôs em confronto no Vaticano

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22 Outubro 2015

Primeiro, os encontros gays nos becos do parque Villa Borghese, em Roma, depois, os encontro dentro dos muros da Cúria dos Carmelitas Descalços. Dia após dia, o escândalo das relações homossexuais que abalou a Ordem se enriquece com detalhes. Todos listados no dossiê que inquieta o Vaticano e certificados pelos depoimentos de Sergio, um "prostituto" que se relacionava com os padres por 50 euros, e de Sebastiano, que, antes de ser removido da paróquia de Santa Teresa d'Ávila, teve um relacionamento de um ano com um alto expoente da congregação. Uma ligação, no mínimo, conturbada: bebidas superalcoólicas, vapores de popper (a droga que prolonga o prazer) e um misterioso espancamento, depois das primeiras denúncias datadas de 2006.

A reportagem é de Lorenzo D'Albergo e Orazio La Rocca, publicada no jornal La Repubblica, 21-10-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O relatório, enviado em meados de julho ao cardeal-vigário Agostino Vallini, ao secretário de Estado, Pietro Parolin, e ao Papa Bergoglio, corre o risco de perturbar os equilíbrios da Cúria Generalícia dos carmelitas no quinto centenário de fundação. E – os fiéis tem certeza disto – é o documento que levou o Santo Padre a se expor no dia 14 de outubro, na Audiência da quarta-feira: "Peço perdão a todos pelos escândalos de Roma e do Vaticano".

Imoralidade sobre a qual o prepósito geral da Ordem dos Carmelitas, Saverio Cannistrà, teria preferido fechar um olho, pondo um fim nas fofocas dos fiéis com a transferência de quatro padres da Cúria e três religiosas da paróquia. Mandando para longe de Roma "réus" e inocentes (o padre Angelo, o pároco; o padre Alessandro, vice-pároco e preferido pelos paroquianos; e o auxiliar Ferdinando).

Mas agora intervém o cardeal Velasio De Paolis, presidente emérito da Prefeitura para os Assuntos Econômicos e, antes, secretário do Tribunal da Signatura Apostólica, o Supremo Tribunal da Santa Sé. O jurista acende o debate e dita a linha ao Vicariato sobre um caso a ser enfrentado "sem perda de tempo. Não é suficiente ter enviado ao prepósito geral dos carmelitas o dossiê sobre os freis acusados de terem participado de encontros gays pagos. Nem sequer é suficiente que os religiosos incriminados tenham sido afastados. Se as acusações são verdadeiras, é preciso punir os culpados, até mesmo com a expulsão da Ordem e a redução ao estado laical". Uma possível sentença nem sequer concebível sem a mobilização dos paroquianos.

Quando os fiéis entenderam que o dossiê corria o risco de acabar no esquecimento, 110 deles pegaram caneta e papel e enviaram uma carta a Francisco para defender os religiosos inocentes, que acabaram, a seu despeito, no serviço de limpeza.

Os primeiros relacionamentos homossexuais relatados no dossiê remontam a 2002. Há poucos dias, surgiu uma descoberta que horrorizou os paroquianos. Investigando, os fiéis identificaram a entrada secundária na Via Aniene, a partir da qual teriam entrado os "prostitutos" que eram convidados para as salas do edifício sagrado de Corso Italia para satisfazer os padres em busca de uma companhia noturna.

"É um caso doloroso, complicado, além de vergonhoso – comenta De Paolis –, e Vallini fez bem em envolver imediatamente os responsáveis da Cúria Generalícia. Mas não basta. Se as acusações são verdadeiras, é bom agir rapidamente para punir os culpados depois de um processo canônico."

Um processo ao qual certamente não será submetido o jovem pároco que, há quatro anos, decidiu renunciar à Ordem e, aos 30 anos, se tornou sorveteiro. Alguns entre os fiéis garantem que ele sofreu violência na paróquia. Vozes, murmúrios.

"Quem traiu em Roma a promessa de castidade – conclui o cardeal De Paolis – poderia fazer isso em outros lugares. Por isso, é preciso o processo."

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