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Por: Jonas | 14 Setembro 2015

Uma estranha calma reina nas ruas de Havana em dezembro de 2014, nas vésperas de um Natal cubano muito diferente dos demais. Nada parece revelar a importância do acontecimento que o mundo inteiro reproduziu em eco ao longo de flashes informativos e edições especiais. Alguns dias antes, no dia 17 de dezembro, à 1h local, Cuba, o último avatar do mundo bipolar da Guerra Fria, onde subsistia o único regime comunista contra o qual todas as tentativas de derrubada fomentadas pelos Estados Unidos haviam fracassado, finalmente saiu do longo isolamento imposto por Washington. Naquele dia, os dois países, por meio de discursos simultâneos de seus dois presidentes, anunciaram o seu desejo de enterrar as armas e restabelecer suas relações diplomáticas, congeladas desde o fiasco da operação norte-americana na Bahia Cochinos, em 1961, e a imposição do embargo estadunidense no ano seguinte.

A reportagem é da vaticanista Constance Colonna-Cesari, publicado por Página/12, 10-09-2015. A tradução é do Cepat.

Que Roma tenha participado desse giro histórico não resta dúvidas. Em seus respectivos discursos, os dois protagonistas, Raúl Castro e Barack Obama, mencionaram o nome do papa Francisco. Obama foi muito explícito quando agradeceu a ação do Papa em favor da aproximação: “quero agradecer a sua santidade, o papa Francisco, cujo exemplo moral nos mostra a importância de buscar um mundo como deveria ser antes de se contentar com o mundo tal como é”. Nenhum embaixador recorda outra ocasião, incluída a dos grandes êxitos, em que a diplomacia vaticana tenha recebido semelhante mostra de consideração em tempo real.

Após o reconhecimento da ação decisiva que a Santa Sé e Francisco desempenharam neste caso, ficou evidente que esta consistiu em ativar um projeto que havia surgido na cabeça de Obama, mas que não havia avançado muito. No Canadá, haviam ocorrido reuniões exploratórias com o objetivo de colocar em andamento as negociações, mas sem êxito real. No entanto, foi ao final da audiência crucial que o presidente norte-americano com o Papa, no Vaticano, que se iniciou o processo que conduziu ao êxito final. Entre março e novembro de 2014, houve um balé ininterrupto das delegações cubanas e norte-americanas que, no mais absoluto sigilo, reuniram-se em Roma, Toronto ou Ottawa.

Entre estas duas datas, nada foi divulgado sobre o desenvolvimento das negociações. Segredo absoluto. Como, então, chegou-se a este êxito? Dado o passivo histórico entre Estados Unidos e o país da revolução castrista, dado o peso do embargo econômico norte-americano em vigor desde 1962, dada a inscrição de Cuba na lista dos países considerados “terroristas” pelos Estados Unidos, a intervenção de um anjo da guarda não foi supérflua. O fato dessas negociações ter passado pelos bons serviços do Papa e de seus diplomatas, o cardeal e secretário de Estado Pietro Parolin, auxiliado por seu assistente e ex-núncio em Cuba, dom Becciu – muito ativo neste tema –,  sem dúvidas contribuiu para este milagre. A Mão de Deus foi, então, a que permitiu que se marcasse o gol, não o de Maradona, mas, sim, o de seu compatriota, grande apaixonado por futebol e membro do clube San Lorenzo: Jorge Mario Bergoglio.

Já se sabe que, em fins de outubro de 2014, as negociações secretas, com Francisco como avalista, finalmente foram desbloqueadas. Canadá, onde foram realizados sete encontros, só ofereceu seu solo. O governo deste país não exerceu nenhuma mediação política concreta nos intercâmbios entre as delegações de Cuba e Estados Unidos, segundo afirmou o primeiro-ministro canadense Stéphane Herper. Mas, se o Papa, tanto por sua personalidade, por sua nacionalidade, como pelas linhas que se desprendem de sua diplomacia, foi o acelerador de partículas neste processo, é preciso mencionar a parte central que ocupou o arcebispo de Havana, o cardeal Jaime Lucas Ortega Alamino.

Naquele dia 24 de dezembro de 2014, o arcebispo presidiu em sua catedral as tradicionais Homilias da noite natalina, assim como a missa matinal do dia 25. Durante esta missa especial, Ortega homenageou a mediação de Francisco: “um país muito importante, os Estados Unidos, e um país pequeno, mas importante nas relações internacionais, Cuba, anunciaram sua aproximação. Isto muda o curso da história. É preciso saudar o papa Francisco, seu papel, o de Bispo de Roma e, ao seu lado, a comunidade de Bispos da Igreja católica. A reconciliação, a paz, essa é nossa missão! A eficácia, a discrição desta ação permitiu o seu êxito, um grande êxito pelo qual devemos estar felizes”. No dia seguinte, Ortega detalhou que a ação do Papa também incluiu a libertação dos prisioneiros cubanos detidos nos Estados Unidos e a dos norte-americanos detidos em Cuba. “Nesta ação do papa Francisco recolhemos os frutos de Jesus. Os sentimentos frutuosos, deste ano 2014, devem nos encher de um sentimento de gratidão”. Nas poucas palavras que nos concedeu em particular após a missa, o cardeal Jaime Ortega pareceu projetar este êxito diplomático para além do marco das relações cubano-estadunidenses: “Expressei minha alegria ao embaixador francês em Cuba. Disse-lhe o quão precioso me parecia este contexto de novas relações. Disse ao embaixador: o muro de Berlim caiu e, agora, cai o muro do Caribe e, com ele, o muro que separava Cuba da União Europeia”.

A missão do arcebispo

Assim como o arcebispo de Havana – 78 anos –, que teve sua renúncia recusada por Bento XVI, quando apresentada em razão de sua idade, o embaixador da França em Cuba, Jean Mendelson, também não deveria estar em Havana naquele dezembro de 2014. Em meados de dezembro, chegou até ele um comunicado da chancelaria de que deveria retornar a Paris. Mendelson começou a se despedir das diversas figuras cubanas com as quais havia estado desde que chegou a Havana, em 2010.

Mendelson e o cardeal Ortega se conheciam bem. Ambos se estimavam reciprocamente. O Embaixador se define como um ateu de origem judaica e de cultura católica, que frequentava com assiduidade as igrejas cubanas. “Participava das missas nos subúrbios da capital. Para mim, era uma oportunidade para me encontrar com gente normal, fora dos círculos de diplomatas. Nos domingos, conversava com os fiéis após a missa e, assim, obtinha outros ecos da vida cubana”, confessa Mendelson. Foi talvez dessa forma que o embaixador da França em Havana não demorou em alcançar um uma reputação particular no seio dos escritórios da rua Havana, a sede residencial e os escritórios do Arcebispado.

No dia 15 de dezembro de 2014, próximo das quatro, o carro do embaixador francês avançou por essa rua cheia de buracos da velha Havana. Depois da varanda e o pátio do edifício de estilo colonial, o embaixador subiu as escadas que conduzem ao primeiro piso, onde o aguarda Jaime Ortega. Então, inicia-se uma conversa calorosa, em francês, porque o eclesiástico cubano se formou em Quebec, Canadá, e aproveita a presença de seu interlocutor para falar em seu idioma. Os dois homens falam de tudo e de nada. Mencionam os respectivos natais com neve que conheceram no Canadá e nos Alpes do Sul. Chega o momento de partir, o embaixador já está na porta quando, de repente, o arcebispo lhe diz: “Tem um pouco de tempo?”. O diplomata diz que sim, um pouco surpreso. Jaime Ortega o convida para se sentar e, diante de seu estupefato convidado, Ortega inicia um interminável monólogo que se prolongará até a noite. O cardeal deixou o francês para falar em espanhol.

Mendelson prestou muita atenção. O ruído da climatização e a impossibilidade de tomar notas o obrigam a ser muito cuidadoso e a não perder um pedacinho das palavras de seu interlocutor. Suas palavras foram, às vezes, confusas. O cansaço aparece no rosto do cardeal à medida que as horas passam, anotou Mendelson na nota diplomática enviada a Quai d’Orsay, naquela mesma noite (a sede do Ministério francês de Relações Exteriores). Contudo, as palavras de Ortega são surpreendentes. O dignitário da Igreja cubana anuncia: “algo irá acontecer em curto prazo, antes do início da sétima cúpula das Américas no Panamá, em abril de 2015”. Em seguida, o arcebispo detalhou a sequência dos acontecimentos.

Os fatos foram se somando em cascata, após a extensa audiência que, alguns meses antes, no dia 27 de março de 2014, o presidente norte-americano Barack Obama manteve no Vaticano. No decorrer deste diálogo de uma hora e meia entre Obama e o papa Francisco, na biblioteca pontifical, o último demonstrou sua franqueza habitual para se dirigir ao mandatário norte-americano, em um tom inédito: “Não é o papa, mas, sim, o latino-americano quem lhe fala”, disse Francisco a Obama, e continuou: “Vocês quiseram isolar Cuba, mas vocês se isolaram”, disse com ar de sermão o pontífice argentino, instigando Obama a uma rápida mudança de posição no eixo das relações entre Havana e Washington: embargo norte-americano, libertação e troca de prisioneiros cubanos detidos nos Estados Unidos e norte-americanos detidos em Cuba, entre eles o caso do agente da Usaid, Alain Gross, libertado na mesma manhã do anúncio do dia 17 de dezembro, em troca da libertação dos últimos três prisioneiros cubanos ainda encarcerados nos Estados Unidos (Gerardo Hernández, Antonio Guerrero e Ramón Labanino). Trata-se dos “Cuban Five”, o grupo de cinco cubanos encarcerados em território norte-americano há 16 anos. O Papa também se referiu à inscrição de Cuba na lista norte-americana dos Estados terrorista no mundo. Em suma, todos os maiores problemas que bloqueiam as relações cubano-estadunidenses foram evocadas naquele dia, incluindo o tema da base norte-americana de Guantánamo, a respeito da qual Obama já havia começado a negociar com o Uruguai e El Salvador a transferência de prisioneiros da base para esses dois países.

Jaime Ortega seguiu contando a Jean Mendelson que, após a conversa entre Obama e o Papa, no dia 27 de abril, foi convocado a Roma durante as cerimônias de canonização de João XXIII e João Paulo II. Durante uma longa conversa com o papa, Francisco lhe informa que foi designado para uma missão sensível: levar pessoalmente, e de sua parte, duas cartas, uma a Raúl Castro, a outra a Barack Obama. Por que Jaime Ortega? O pontífice e o cardeal estão ligados por laços estreitos e antigos. Recordemos que foi a Jaime Ortega que o Papa, eleito no dia 13 de março de 2013, deixou a tarefa de publicar o que Bergoglio havia dito durante as Congregações Gerais que precederam o Conclave: um discurso decisivo que anunciava o programa pontifical de quem, naquele momento, estava somando os últimos votos necessários para sua eleição. O Papa também designou o cardeal Ortega como seu representante em El Salvador para as cerimônias de beatificação de dom Romero, o bispo mártir assassinado em 1980 por um comando de extrema-direita, em plena missa, na capela do Hospital Divina Providência. E o mesmo cardeal foi designado para participar dos festejos do 350º aniversário da criação da primeira paróquia canadense, em setembro de 2014. Nesse período, Canadá viu desfilar o balé das delegações de Cuba e Estados Unidos que, em sete ocasiões, assentaram as bases da aproximação. A presença de Ortega não corresponde a um acaso.

Um mês antes de sua viagem ao Canadá, o cardeal cubano obteve o sinal verde de Roma para que passasse à famosa etapa da entrega das duas cartas. A entrega da primeira carta do Sumo Pontífice foi de uma simplicidade bíblica. Um avião presidencial o levou à ilha paradisíaca onde Raúl Castro passava suas férias. Raúl Castro o recebeu com seu ministro de Relações Exteriores, Bruno Rodríguez: “Dirá a Obama que concordo”, disse o presidente cubano ao cardeal, após ler a carta de Francisco.

No entanto, ainda faltava entregar a segunda carta. Nos Estados Unidos, o arcebispo de Boston, o cardeal Sean O’Malley, membro do Conselho dos nove cardeais formado pelo Papa, assim como seu par emérito de Washington, o cardeal Theodore Edgard McCarrick, também compartilham o segredo. O primeiro, um perfeito hispanófono, já havia sido contatado pelos meios oficiais norte-americanos mais comprometidos com uma mudança do eixo radical da política ante Cuba, entre os quais o senador Patrick Leahy. Todos sabem que esse canal oferecido pelo arcebispo de Boston é um dos mais diretos para se aproximar do Papa.

Em relação ao segundo, o ex-arcebispo de Washington Theodore Edgard McCarrick, devido a seus estreitos vínculos com o chefe de gabinete de Obama, Denis McDonough, é um elo precioso e perfeitamente complementar entre o líder da Igreja católica e o ocupante da Casa Branca. Os dois cardeais se deslocaram a Havana, em inícios de agosto, para festejar os 50 anos do sacerdócio de Jaime Ortega. Esse não era o principal motivo da viagem. Por acaso McCarrick esperava obter por parte de Ortega a carta do Papa para entregá-la pessoalmente a Obama? Algumas fontes pretendem isso (Peter Kornbluh e William Leogrande, Mother Jones, de 12 de agosto de 2015).

Diante da recusa categórica de Ortega, para não modificar nem uma vírgula do pedido papal, o cardeal deixa Havana com as mãos vazias. Resta, então, a obrigação de organizar um plano destinado a orquestrar esta missão diplomática clandestina do número um da Igreja cubana. A justificativa de uma conferência na prestigiosa Universidade jesuíta de Georgetown, em Washington, será a desculpa.

A conferência foi programada para a manhã do dia 18 de julho. Sem que se perceba realmente, como em um filme policial, a eminência cubana desapareceu em um veículo de vidros escuros, discretamente estacionado nos arredores do campus universitário: um sequestro para uma audiência na sala oval. Este é um roteiro hollywoodiano que os dois prelados da Igreja norte-americana conseguiram montar para permitir que o cardeal Ortega pudesse entregar a carta do Papa nas mãos do presidente Obama! O eclesiástico de 78 anos, metido no centro deste thriller, espantou-se pelo giro desses acontecimentos e, igualmente, e assim disse ao homem a quem escolheu confiar a história, pelo fato que o cardeal McCarrick parecia conhecer todo o pessoal da Casa Branca.

As duas cartas pontificais são idênticos: uma em espanhol, a outra em inglês. Ambas afirmam a favor do argumento que os dois países tem para enterrar o machado da guerra, para assim favorecer, em termos muito rápidos, a retomada das relações diplomáticas cubano-estadunidenses, congeladas desde 1961. Essa argumentação veio acompanhada de uma oferta de apoio concreto. Como afirma o comunicado do Vaticano, emitido no dia seguinte ao anúncio do restabelecimento das relações, as cartas aos presidentes dos Estados consistiram em “convidá-los a resolver questões humanitárias de interesse comum, entre as quais a situação de certos presos, com a finalidade de lançar uma nova fase nas relações entre as duas partes”.

Esses pontos foram discutidos entre Francisco e Obama, por conseguinte, o conteúdo das cartas não foi nada mais que uma recapitulação desses princípios. Frente ao governo castrista, o peso desta carta é muito maior. O Papa, e com ele as eminências de sua diplomacia, concentraram-se para fazer valer o argumento tácito segundo o qual o contexto internacional era muito propício para a abertura do regime cubano. “Após a morte do líder venezuelano Hugo Chávez, ficou evidente que a Venezuela não iria financiar eternamente Cuba com seus fornecimentos de petróleo, de fato gratuitos, e que seria preciso se adiantar a uma grande crise econômica, mediante uma cooperação econômica mais estreita com os Estados Unidos”, estimou um antigo representante da Ordem de Malta em Havana, o homem de negócios polonês Przemyslaw Hauser. Esta mesma fonte ressaltou “a enorme atividade da diplomacia vaticana para que os líderes cubanos entendessem isto”. Um dos personagens mais ativos foi o núncio apostólico em Cuba desde 2007, dom Giovanni Angelo Becciu, promovido depois ao posto de substituto da Secretaria de Estado junto a Pietro Parolin, o atual secretário de Estado e ex-núncio na Venezuela.

A carta assinada por Francisco e enviada ao presidente cubano foi, sem dúvidas, avaliada nos mínimos detalhes por estes dois diplomatas da Santa Sé. A carta não é alheia nem a estes argumentos sobre o contexto internacional, nem à manifestação de uma garantia acerca da abertura norte-americana. Caminhou-se sobre uma corda bamba. O consentimento oral de Raúl Castro ao arcebispo de Havana, quando Ortega lhe entregou a carta do Papa, constituiu um grande passo. O mais difícil havia se cumprido. Na sala oval da Casa Branca, foram mais estas palavras do que a própria carta do Pontífice as que foram recebidas com alívio quando, no maior dos segredos, no dia 18 de agosto de 2014, Jaime Ortega entrou na Casa Branca. Seu nome nem sequer está presente na lista dos visitantes à presidência. Foi retirado. É impossível encontrar o mínimo rastro da conferência que Ortega ofereceu, justamente antes, na Universidade de Georgetown. O centro de estudos não comunicou nada, nem antes e nem depois. Nem a mais distante linha a menciona nos arquivos do portal deste santuário universitário jesuíta, localizado no coração da vida política norte-americana. E isto não é tudo: a conexão jesuíta não é em nada anedótica no desenvolvimento desta aproximação entre Cuba e os Estados Unidos, selada no Vaticano.

Entre Bergoglio, o primeiro papa oriundo da Companhia de Jesus, e o presidente cubano esse canal teve um papel central, segundo afirmam vários observadores, entre eles o atual embaixador argentino no Vaticano, Eduardo Valdez. Raúl e Fidel foram escolarizados pelos jesuítas, no colégio de Belén, em Havana. Ambos cresceram no seio de uma família católica. Sua mãe e sua irmã foram particularmente devotas. A irmã, Angela Castro Ruiz, continuou sendo até sua morte, em fevereiro de 2012. Então, não é espantoso que, no dia 15 de maio de 2015, após sua audiência com Francisco, quando saiu do Vaticano, Raúl Castro tenha proclamado: “Se o Papa continuar assim, voltarei a rezar e retorno à Igreja”. Quanto a Mario Jorge Bergoglio, seu interesse por Cuba não é de ontem. João Paulo II o encarregou pela organização da visita que o papa polonês realizou a Cuba, em 1998. O bispo auxiliar de Buenos Aires foi enviado antes à ilha. Francisco é, além disso, o autor de um livro sobre essa viagem a Cuba: ‘Diálogos entre João Paulo II e Fidel Castro’. Hoje, recolhe os frutos desse diálogo capitalizando a herança da diplomacia de João Paulo II. A missa que celebrará no próximo dia 20 de setembro, em Havana, na Praça da Revolução, contará com os ecos da realização da profecia de Karol Wojtyla: “Que Cuba se abra ao mundo, e que o mundo se abra a Cuba”.

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