Francisco pede por reorientação da catequese que vá “além da simples esfera escolástica”

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02 Junho 2015

O Papa Francisco pediu uma reorientação na forma de educar as pessoas na fé praticada pala Igreja Católica, dizendo que o processo catequético deve ir “além da simples esfera escolástica” no intuito de ensinar as pessoas a se encontrarem Cristo e a segui-lo.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada pela National Catholic Reporter, 29-05-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O pontífice também ofereceu uma nova definição para um termo que há muito confunde os observadores da Igreja: ele redefiniu a “nova evangelização” como um esforço dos católicos em evidenciar a fé que possuem trabalhando para ajudar os que se encontram nas periferias das sociedades.

Falando em uma audiência na sexta-feira com os participantes de encontro do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Francisco primeiramente disse que os tempos em que vivemos são tempos de “grandes transformações”.

“De fato, estas transformações são uma feliz provocação para se perceber os sinais dos tempos que o Senhor oferta à Igreja a fim de que ela possa ser capaz (...) de trazer Jesus Cristo às pessoas da nossa época”, disse o papa. “A missão é sempre idêntica, mas a linguagem com que se anuncia o Evangelho pede de ser renovada com sabedoria pastoral”.

“Isto é o essencial, seja para ser compreendido pelos nossos contemporâneos, seja para que a tradição católica possa falar às culturas do mundo de hoje e ajudá-las a abrirem-se à perene fecundidade de Cristo”, disse.

“Não devemos ter medo de assumir que estes tempos são de grandes desafios”, continuou o pontífice.

Em seguida, Francisco disse que as pessoas, hoje, estão à espera da Igreja: “[elas esperam que a Igreja] saiba caminhar elas, oferecendo a companhia do testemunho da fé, que se torna solidário com todos, em particular com os mais sós e marginalizados”.

“Quantas pessoas simples estão esperando pelo Evangelho que liberta!”, disse o papa. “Quantos homens e mulheres, nas periferias existenciais criadas pela sociedade do consumo, esperam pela nossa proximidade e solidariedade!”.

“A nova evangelização, portanto, é isto: tomar conhecimento do amor misericordioso do Pai para verdadeiramente nos tornarmos instrumentos de salvação aos nossos irmãos”, completou.

O termo “nova evangelização” foi empregado com frequência pelo Papa Bento XVI, quem criou o pontifício conselho sobre o tema em 2010 e realizou um encontro mundial dos bispos em Roma para discutir o assunto em 2012. O significado exato do termo, no entanto, não ficou muito claro.

A redefinição que Francisco dá para esta expressão parece pôr ênfase na evangelização através do exemplo e no mostrar misericórdia e cuidado pelos mais pobres da sociedade.

Falando na ocasião sobre o processo catequético, o pontífice afirmou que a questão de como educar os fiéis “não é retórica, e sim essencial”.

“A resposta requer coragem, criatividade e decisão para avançarmos por caminhos às vezes não explorados ainda”, continuou ele. “A catequese como componente do processo de evangelização precisa ir além da simples esfera escolástica, para educar os crentes, desde crianças, a encontrar Cristo, vivo e operante na sua Igreja”.

“O desafio da nova evangelização e da catequese, portanto, encontra-se precisamente neste ponto fundamental: como encontrar Cristo, qual é o lugar mais coerente para encontrá-lo e segui-lo”.

A ênfase do papa em se fazer catequese para além da esfera acadêmica pode representar uma mudança significativa para a Igreja Católica no mundo, onde os educadores e bispos geralmente se referem em seus ensinamentos ao Catecismo da Igreja Católica, material bastante regimentado e longo.

Na ocasião, o papa também falou sobre o papel do Espírito Santo, dizendo que este é o “arquiteto do crescimento da Igreja em compreender a verdade de Cristo”.

“É Ele que abre o coração dos crentes e transforma-o de forma que o perdão recebido possa se tornar uma experiência de amor pelos [nossos] irmãos”, continuou o papa. “É sempre o Espírito que abre a mente do discípulo de Cristo para compreender, mais plenamente, o compromisso exigido e as formas que dão profundidade e credibilidade ao testemunho [cristão]”.

Falando de improviso, Francisco acrescentou: “Temos muita necessidade do Espírito, porque ele abre as nossas mentes e os nossos corações”.

O pontífice estava falando ao conselho pontifício na ocasião de seu encontro plenário no Vaticano, que se centrou no tema: “A relação entre evangelização e catequese”.

Francisco também confiou a este conselho a tarefa de organizar o Jubileu da Misericórdia, ano que formalmente começará em 8 de dezembro.

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