O cardeal Tagle, filipino, é o novo presidente da Caritas Internationalis

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Por: André | 15 Maio 2015

O cardeal filipino Luis Antonio Tagle (foto) é o novo presidente da Caritas Internationalis, que esta semana está realizando em Roma a sua Assembleia Geral. O arcebispo de Manila, de 58 anos, era o preferido tanto de seu antecessor, Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga, como do próprio Papa Francisco, para dirigir os destinos do “braço social” da Igreja da misericórdia.

 
Fonte: http://bit.ly/1A3m0iT  

A reportagem é de Jesús Bastante e publicada por Religión Digital, 14-05-2015. A tradução é de André Langer.

Tagle teve 91 dos 133 votos registrados, o que demonstra que se trata de uma nomeação acordada. “Jesus falou em nossos corações, e em nome das muitas pessoas pobres de todo o mundo, aceito esta eleição”, disse o arcebispo na hora de aceitar sua nomeação. Outros 40 votos foram para o arcebispo maronita do Chipre, dom Youssef Soueif.

Aos 58 anos, o cardeal filipino é uma das estrelas emergentes do Colégio Cardinalício, a ponto de alguns já falarem nele como o possível substituto de Bergoglio. Um cardeal das periferias, que a partir de agora lidera a joia da coroa da Igreja católica, em uma aposta sem caminho de volta em uma Igreja pobre e para os pobres, hospital de campanha e casa de misericórdia.

A Caritas transformou-se no principal alto-falante da solidariedade no mundo. E da denúncia. Na Espanha e no mundo. Lutando contra as desigualdades entre ricos e pobres e agindo com rapidez e firmeza nas grandes catástrofes. O último exemplo, a tragédia no Nepal.

A eleição de Tagle – que será referendada pelo Papa Francisco ainda esta semana – dá o toque final a uma Assembleia Geral que serviu para a despedida do cardeal Maradiaga – seu papel como coordenador do C9 vaticano o obriga a abandonar um posto no qual se destacou em nível mundial – e para reivindicar a Teologia da Libertação e sua opção preferencial pelos pobres na figura do teólogo Gustavo Gutiérrez, que compartilhou na quarta-feira uma aclamada conferência intitulada “Uma Igreja pobre para os pobres”, onde apontou o papel que as Caritas devem ter em todo o mundo.

“Há uma frase bem curta, mas muito importante de Paulo VI, que diz: ‘A Igreja existe para evangelizar’. Se a Igreja não dá testemunho e comunica a Boa Nova deixa de ser Igreja. A missão da Caritas é a missão de anunciar a Boa Nova. Na Bíblia, ‘a multiplicação dos pães’ é o único texto nos quatro Evangelhos que se encontra repetido seis vezes, o que tem um ensinamento sobre a preocupação do Senhor sobre a fome material e espiritual. O sentido deste relato é ‘partilhar o pouco’. Em que consiste a evangelização? Em partilhar a realização da Palavra de Deus e do seu Reino. Muitos dizem que não têm nada para partilhar, quando se pode valorizar o outro, dar afeto, compartilhar um sorriso, escutar o outro. A Caritas é compartilhar a mensagem, comunicá-la; ninguém pode dizer que não tem nada para compartilhar, isto é impossível”, assinalou Gutiérrez, segundo o relato feito pela organização.

Segundo o Pe. Gutiérrez, há um tipo de pobreza muito presente na Bíblia e que é “a pobreza real que está entre nós, que nos desafia, que representa um grande desafio. Na Bíblia, a pobreza não é apenas um tema econômico. Para a Bíblia, o pobre é o marginalizado, o insignificante, aquele que não conta e não tem peso, a ‘não pessoa’. Pode-se ser insignificante pela cor da pele, por ser mulher, por pertencer a uma outra cultura, ancianidade, por ser criança ou ter outra orientação sexual. Creio que essa é a noção bíblica que expressa a pobreza real”, sentenciou.

Para o teólogo, “a pobreza tem causas humanas que vêm de estruturas sociais e econômicas que marginalizam as pessoas e de categorias mentais: a superioridade da civilização ocidental é um exemplo disso. A superioridade masculina como superior à feminina é outra categoria. A pobreza não é um destino, é uma condição; não é um infortúnio, é uma injustiça. Ela é uma criação dos seres humanos e, portanto, podemos mudá-la. Pensar que é um fato complexo e que está em nossas mãos mudá-la, renova o significado da partilha. Não basta a ajuda direta e imediata aos necessitados, temos que ir às causas da pobreza e denunciá-las. Trata-se de uma realidade histórica, mutável. A pobreza real significa morte prematura, a primeira violência da sociedade é a violência da pobreza, porque vai contra os direitos: o direito à vida, que é o primeiro direito humano. Os pobres são aqueles que morrem por doenças ao não ter acesso aos medicamentos, mas também há mortes culturais, quando se despreza uma cultura, quando se mata uma comunidade. A questão ambiental é outra que está entre a vida e a morte; a criação é um tratado de vida”, afirma.

De acordo com Gutiérrez, “a confluência da pobreza real mais a espiritual nos leva a adotar uma vida simples, próxima dos pobres. Reconhecemos que a pobreza real, sempre e sem exceção, é um mal, o que nos leva à reação imediata de eliminá-la. Isto nos leva à ‘Igreja pobre para os pobres’. O próximo se faz, quando nos preocupamos com o outro, quando nos aproximamos. É uma pena ver como a palavra caridade foi se perdendo, se confundindo com a esmola do rico para o pobre. Devemos recuperá-la, reconhecer que a justiça é o primeiro passo da caridade, é reconhecer a dignidade das outras pessoas, é um ato de amor a essa pessoa. Ao mesmo tempo, este amor tem uma profundidade muito grande e global. Não devemos confundir a legalidade com a justiça; nem sempre a legalidade é justa. Creio que devemos compreender o profundo sentido da caridade. Não há caridade sem justiça”.

Finalmente, o teólogo da Libertação concluiu assinalando que devemos criar as condições para ter justiça social, indo além de ser a voz dos sem voz. “Temos que agir para que aqueles que hoje não têm voz a tenham, porque é um aspecto essencial da dignidade humana”.

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