Centenas de pessoas assinam um manifesto de apoio ao teólogo chileno Jorge Costadoat

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Por: André | 26 Março 2015

“A exoneração do Pe. Costadoat (foto) não prejudica apenas a ele, mas também a Faculdade de Teologia, os estudantes que ali são formados e toda a comunidade universitária, que deverá ter presente que, daqui para frente, o exercício de sua própria liberdade de cátedra estará submetido a censuras e eventuais punições por parte da autoridade eclesiástica, prescindindo da opinião da autoridade universitária e de procedimentos transparentes. Instala-se, assim, um ambiente de desconfiança propício antes à acomodação submissa do que à criatividade acadêmica.” É o que diz um manifesto de apoio ao teólogo e que está publicado no sítio chileno Religión y Liberación, 25-03-2015. A tradução é de André Langer.

 
Fonte: http://bit.ly/1bwTniQ  

Eis o manifesto.

O Grão-chanceler da Pontifícia Universidade Católica do Chile e arcebispo de Santiago, dom Ricardo Ezzati, comunicou ao professor Pe. Jorge Costadoat S.J. a não renovação da missão canônica para ensinar na Faculdade de Teologia desta universidade. Na prática, despediu um professor que estava há mais de 20 anos trabalhando na Faculdade.

O Decano da Faculdade de Teologia tomou conhecimento da medida por intermédio do próprio envolvido. Tempos antes, ele havia solicitado ao arcebispo a renovação da missão para o Pe. Costadoat, acolhendo o parecer do Conselho da Faculdade e do Conselho de Qualificação Acadêmica. Esta decisão, portanto, não foi em consequência de uma má avaliação acadêmica por parte das autoridades desta Faculdade.

Consideramos que o procedimento seguido pelo Grão-chanceler da Pontifícia Universidade Católica do Chile é da maior gravidade. No ano passado, por ocasião da discussão sobre a reforma educacional, ele mesmo defendeu publicamente a liberdade de ensino. No entanto, neste caso descumpre seu compromisso de respeitar a liberdade de cátedra do professor. Não é sustentável uma liberdade de ensino na universidade sem que exista liberdade de cátedra.

Esta medida coloca em dúvida a missão propriamente universitária da Pontifícia Universidade Católica do Chile e ofende o cultivo da verdade. O arcebispo pretende guardá-la mediante a coerção sobre a consciência, neste caso dos acadêmicos. O Papa pediu no recente Sínodo sobre a Família, para “falar com liberdade e ouvir com humildade”. O arcebispo não permite que o mesmo aconteça na Faculdade de Teologia.

Ao comunicar a decisão, assinalou ao professor de maneira explícita que não havia problema doutrinal nem em seu ensino nem em seus escritos, mas que ensinava com muita liberdade.

Depois, admitiu possuir razões suficientes para a não renovação da missão. Não são estes motivos universitariamente aceitáveis, pois não satisfazem exigências básicas de razão pública, especialmente quando se sabe que a decisão não se assenta na opinião acadêmica de pessoas competentes, nem no juízo de seus pares teólogos da Faculdade, mas que aparece como uma decisão arbitrária que atropela a liberdade acadêmica.

A exoneração do Pe. Costadoat não prejudica apenas a ele, mas também a Faculdade de Teologia, os estudantes que ali são formados e toda a comunidade universitária, que deverá ter presente que, daqui para frente, o exercício de sua própria liberdade de cátedra estará submetido a censuras e eventuais punições por parte da autoridade eclesiástica, prescindindo da opinião da autoridade universitária e de procedimentos transparentes. Instala-se, assim, um ambiente de desconfiança propício antes à acomodação submissa do que à criatividade acadêmica.

Expressamos a nossa mais enérgica rejeição a esta medida e ao procedimento seguido para materializá-la. Queremos uma Igreja com procedimentos abertos, sujeitos à razão e à justiça. Manifestamos também o nosso apoio e agradecimento ao Pe. Jorge Costadoat S.J. por seu dedicado trabalho teológico. Ele é um acadêmico de excelência, que combina erudição e piedade. Como teólogo dos sinais dos tempos construiu pontes para um diálogo melhor da Igreja com o mundo, da fé com as ciências e a cultura. Este é o intelectual e padre dispensado pelo arcebispo.

Santiago, 25 de março de 2015.

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