O oásis vaticano que evita estereótipos sobre as mulheres

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18 Março 2015

A Casinha Pio IV, a vila iniciada pelo Papa Pio IV, é uma jóia renascentista na luxuriante vegetação dos Jardins Vaticanos. E hospeda uma das poucas instituições vaticanas que podem gloriar-se de certo grau de igualdade entre mulheres e homens – a Pontifícia Academia das Ciências. Há uma academia de ciências naturais e uma de ciências sociais. Esta última está com sua segunda presidenta – a presidente era a professora de direito de Harvard Mary Ann Glendon. A atual é a ilustre professora britânica de sociologia Margaret Archer. Os membros femininos da academia são escolhidos na base dos critérios dos homens: a excelência acadêmica.

O comentário é de Ulla Gudmundson, escritora e analista política, publicado pela revista The Tablet, 13-03-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

O papel da Academia é fornecer à Igreja católica e ao seu Magistério contribuições científicas. Por isso, talvez fosse mais correto falar do evento que teve lugar na Jornada internacional como um evento que entrava “no cérebro” antes do que “no coração” do Vaticano. Ter-me-ia agradado que uma mulher membro da academia fosse incluída entre as pessoas convidadas a falar. Não que faltasse capacidade intelectual feminina. Aos organizadores, Voices of Faith (uma iniciativa da Fundação Fidel Götz, organismo católico para a coleta de subvenções) é preciso reconhecer o mérito de ter reunido um grupo maravilhoso de mulheres inteligentes, corajosas, criativas.

Entre as pessoas que fizeram sua intervenção, gostaria de recordar em particular Irmã Marta Pelloni, argentina, que trabalha contra o tráfico de drogas e, mais ou menos com suas próprias forças, desafiou a máfia argentina. Também gostaria de recordar Mary McFarland, de Washington, da Higher Education at the Margins, uma iniciativa que envolve o serviço jesuíta para os refugiados e muitas universidades em várias partes do mundo. O seu objetivo é tornar disponível on line a instrução superior a pessoas que vivem em campos de refugiados, com o esforço explícito de envolver as mulheres.

Têm sido consignados dois prêmios. Um foi a um projeto de trabalho para mulheres sírias refugiadas. O vídeo que foi mostrado durante a conferência de imprensa – no qual as mulheres envolvidas sublinhavam o que significara para a sua dignidade o fato de poder trabalhar e ganhar pessoalmente – seria uma excelente documentação para os bispos que se reunirão em Roma em outubro para o Sínodo sobre a família. O outro prêmio foi conferido a um projeto para colocar em condições mulheres nicaragüenses de se tornarem agricultoras. Ambos os projetos alegrariam seguramente o coração do Papa Francisco: são a demonstração viva do fato que as mulheres são as suas melhores aliadas em sua luta contra a pobreza global.

E o que foi expresso, de modo forte e claro, no debate (com a doutora indiana Astrid Lobo, a teóloga britânica Tina Beattie, a jornalista austríaca da Rádio Vaticana Gudrun Saler e eu mesma), foi a mensagem que as mulheres desejam que a Igreja católica dê espaço à comum humanidade de mulheres e homens. As mulheres estão cansadas de serem definidas coletivamente como “pacientes, ternas, sensíveis, maternas”. Não que estas não sejam qualidades belíssimas – mas também os homens podem ser sensíveis e ternos. Um ótimo exemplo neste sentido tem sido o padre Orobator S.J., na chefia da província jesuíta da África oriental, que falou do direito à instrução das jovens e das mulheres. Basta ler atentamente como a Igreja descreve mulheres santas, como Santa Ágata, Santa Luzia, Santa Inês, e homens santos como São Martinho de Tours e São Martinho de Porres. Como eu, também outros ficariam surpresos. Mas, porque não esteve presente sequer um cardeal?

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