Novo cardeal da Etiópia: O Vaticano deveria ser a “voz dos sem voz”

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12 Fevereiro 2015

Um dos 20 prelados que serão nomeados cardeais pelo Papa Francisco no próximo sábado pediu que o Vaticano focasse suas energias na defesa das pessoas que sofrem, devendo ser “a voz dos sem voz”.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada pela National Catholic Reporter, 10-02-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Ao falar especificamente sobre as pessoas na África oriental que estão sendo tiradas de suas casas por causa da busca por recursos minerais naturais, o cardeal designado Berhaneyesus Souraphiel disse: “Estas pessoas precisam ser ouvidas”.

O Vaticano representa uma grande voz no mundo”, disse Souraphiel. “Ele é não só um representante, mas um representante moral, uma voz moral”.

“No sentido de ser uma voz para estas pessoas na África, o Vaticano bem que poderia nos ajudar aqui”, continuou. O Vaticano pode “ser a voz dos sem voz”.

Berhaneyesus Souraphiel, arcebispo da Arquidiocese de Addis Abeba, Etiópia, e presidente da conferência episcopal do país, estava falando nesta terça-feira (10 de fev.) em entrevista exclusiva ao National Catholic Reporter no “Collegio Etiopico”, seminário histórico para padres etíopes fundado no século XV e que se localiza próximo aos jardins do Vaticano.

O prelado pediu que o Vaticano fale em nome daqueles que, ao redor do mundo, sofrem em resposta a uma pergunta sobre o que ele mais quer da tão esperada reforma da burocracia vaticana encabeçada pelo Papa Francisco.

Estando entre os 20 prelados anunciados por Francisco como cardeais em janeiro, Souraphiel irá oficialmente assumir a sua nova função numa cerimônia formal na Praça de São Pedro no sábado. Antes disso, ele estará se juntando aos cardeais de todo o mundo num encontro com o papa na quinta-feira e na sexta-feira. Segundo o próprio Vaticano, este encontro irá focar especificamente a reforma da burocracia central da Igreja.

Durante a entrevista de terça-feira, que durou 30 minutos, o cardeal designado falou extensivamente sobre as situações que muitas pessoas em seu país enfrentam, a mudança na dinâmica do grupo de elite de prelados conhecido como o Colégio Cardinalício e sobre a “renovação” da Igreja sob o atual papado.

Observando que escolha do Papa Francisco sobre quais prelados estão se tornando cardeais representa, na prática, um grupo mais diversificado do que no passado – com escolhas vindas de 18 países diferentes e várias delas sendo de lugares onde jamais teve um cardeal –, Souraphiel disse que o papel dos “príncipes da Igreja está sendo mudado.

Vemos que a função de um cardeal (…) está mudando”, disse. “Não é mais uma tarefa honorífica”.

É o papel daqueles que estarão mais próximos do Santo Padre; quando ele pedir a nossa opinião, o nosso ponto de vista, ele poderá tê-la”, disse o cardeal designado. O Santo Padre está dizendo: “Somos uma Igreja universal e a Igreja está presente universalmente1”.

Acho que ela é a única grande instituição do mundo que está presente de modo universal”, disse Souraphiel. “E cada vez mais a sociedade está voltando os olhos à Igreja Católica em busca de liderança, de um representante, especialmente para aqueles não representados, os marginalizados”.

E continuou: “Neste caso, em que as pessoas vêm de todas as partes do mundo – os assessores [do Papa Francisco], aqueles que estão aqui para ajudá-lo –, elas poderão trazer suas riquezas junto”.

Ao falar sobre as mudanças que Francisco trouxe à Igreja Católica, Souraphiel disse que a palavra “renovação” é a que melhor enfatiza o foco do papa.

Ele quer uma Igreja mais simples, mais próxima do povo, mais evangélica”, disse. “E ele está fazendo isso. Acho que toda a Igreja está seguindo-o neste sentido. Os fiéis estão com ele”.
Ao mencionar também que muitos dos membros de outros credos estão acompanhando o papa, Souraphiel disse: “Eles estão seguindo-o porque ele está pondo o ser humano e a dignidade da pessoa humana em primeiro lugar”.

Ele está enfatizando isto”, acrescentou. “Independentemente da religião, da cultura que as pessoas têm, elas ficam ao lado da vida”.

Ele tem ficado ao lado do respeito à vida; tem combatido os abusos contra a vida humana, seja através de guerras ou através da violência contra as mulheres ou crianças”, disse Souraphiel. “Eu diria que ele chegou a renovar mas, ao mesmo tempo, revisar, sem jogar fora ou condenar o passado”.

Perguntado sobre as preocupações específicas que traz do povo etíope ao Vaticano, o cardeal designado citou os migrantes que têm fugido da África oriental, muitas vezes em viagens perigosas onde cruzam o Mar Mediterrâneo, e os esforços para fortalecer a área da educação em seu país.

Ao falar sobre uma universidade católica que ajudou a criar na Etiópia – a Universidade Católica Etíope de São Tomás de Aquino –, Souraphiel disse que ele e outros acreditam que “a educação é a chave para se criar o amor no país em que se vive, para se apreciar o próprio país e a própria cultura e para se ser criativo em todos os aspectos da vida de forma que a juventude tenha condições de criar empregos dentro do país”.

Disse esperar que os jovens etíopes “não sonhem em deixar o país, em viver no exterior, mas sim morar nele”.

Penso que a educação é a chave – não só para armá-los com um pensamento claro, mas também para enxergarem o que é essência da vida humana, para terem as perspectivas corretas sobre a vida humana, de que não temos de nos tornar um milionário de um dia pro outro”, disse. “É preciso construir isto aos poucos, e isto é possível de ser feito em nosso próprio país”.

Souraphiel também disse esperar que Francisco visite Addis Abeba durante o seu pontificado para discursar à União Africana, coalizão de 54 Estados africanos sediada na cidade.

Ao citar a visita de Francisco a Estrasburgo no ano passado, onde discursou para o Parlamento Europeu e para o Conselho da Europa, o prelado disse que o papel da Etiópia na União Africana era ensinar o país e a região sobre a papel de liderança em conjunto.

Há uma grande responsabilidade sobre a Etiópia”, disse Souraphiel. “Sabe como é, outros países pedem que a Etiópia faça a frente, conduza os demais, mas não se pode fazer isto sozinho. É preciso andarmos juntos, em equipe”.

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