A fé que se move, Adesão de fiéis brasileiros ao islamismo é crescente

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09 Fevereiro 2015

Fayad e Beatriz são muito semelhantes a outros jovens brasileiros urbanos. Ele é mineiro e trabalha com marketing. Ela se formou em arquitetura nos Estados Unidos e nasceu em Brasília. Encontraram-se em São Paulo, e depois do casamento foram morar em Santa Cecília, um bairro tradicional do centro. Como qualquer casal, eles vão ao supermercado, pagam suas contas, visitam a família. Às vezes, pegam a estrada e seguem para a praia. Adquiriram um hábito tipicamente paulistano, como também são seus times - ele é corintiano, ela torce para o São Paulo.

A reportagem é de João Luiz Rosa, publicada pelo jornal Valor, 06-02-2015.

Frequentemente, porém, eles são confundidos com estrangeiros e, em algumas situações, provocam perplexidade nas outras pessoas. Há pouco tempo, um feirante levou um susto ao descobrir que Beatriz falava português, depois de tentar se comunicar com ela por gestos. Em um shopping, Fayad se viu cercado por seguranças, indecisos sobre como reagir ao que ele estava fazendo. O que eles têm de diferente? São muçulmanos. No episódio da feira, ela usava o hijab, como é conhecido o lenço adotado pelas mulheres para cobrir a cabeça. Ele repetia uma das cinco orações que todo muçulmano deve fazer diariamente, inclinado para a cidade sagrada de Meca, na Arábia Saudita.

Episódios como esses não são incomuns para os adeptos do Islã no Brasil, onde os preceitos da religião são pouco conhecidos. No país, não se sabe sequer o tamanho exato desse rebanho. Os números são díspares. Segundo dados do IBGE, baseados no censo de 2010, existem 35.167 muçulmanos no país. As organizações islâmicas, no entanto, calculam um número muito maior, entre 800 mil e 1,2 milhão de pessoas.

Independentemente do critério adotado, o islamismo cresce no Brasil. E rapidamente. De acordo com o IBGE, a comunidade muçulmana aumentou 29,1% entre 2000, quando 27.239 pessoas se declaravam seguidoras da religião, e 2010. No mesmo período, a população em geral aumentou 12,3%.

Na Mesquita Brasil, a mais antiga da América Latina, esse movimento é patente. Às sextas-feiras - considerado o dia das orações, algo como o domingo cristão ou o sábado judaico - 600 pessoas cumprem os ritos semanalmente. Idealizado pelo arquiteto Paulo Camasmie, o mesmo da Catedral Ortodoxa de São Paulo, o edifício no bairro do Cambuci começou a ser construído na década de 20. O minarete branco pode ser visto de longe. Dentro, sob arcos e abóbadas adornados de arabescos dourados, os fiéis ficam em pé, ajoelham-se, inclinam-se com a cabeça à frente do corpo. O tapete indica a direção de Meca, a mesma posição do altar. Entre os homens, que são maioria, há muitos jovens, alguns adolescentes, poucas crianças. Quase todos usam roupas comuns - jeans e camisa ou camiseta. Alguns trazem na cabeça o taqyah, um boné que lembra o quipá dos judeus. Mas aqui e ali se veem homens com roupas étnicas, principalmente negros africanos. As mulheres entram por outra porta e sentam-se atrás. Todas usam o hijab e saias longas.

Existem 17 mesquitas na região metropolitana de São Paulo. Só a Mesquita Brasil tem recebido, em média, de três a cinco convertidos por semana. Já foram 20 neste ano. "São brasileiros e não vêm de famílias árabes", diz o xeque Abdelhamid Metwally, principal autoridade religiosa da Mesquita Brasil. De voz forte, o religioso egípcio impressiona ao entrar na mesquita, trajando um chapéu alto e longa túnica negra, arrematada por um colarinho branco. "É só uma roupa para que saibam quem é o xeque", brinca. "O importante é a parte interna ser melhor que a externa".

Os muçulmanos preferem falar em "reversão", em vez de "conversão". É um traço distintivo do islamismo. A palavra Islã traz a ideia de que a submissão a Deus é a verdadeira fonte de paz. Segundo esse conceito, todas as pessoas nascem sob o Islã, ou seja, são muçulmanas. A partir da puberdade, deixam esse estado e tornam-se pecadoras. A transição ocorre entre 9 e 15 anos e é marcada pela primeira ejaculação para os meninos ou a primeira menstruação para as meninas. A partir daí, elas devem usar o véu. Depois disso, quem segue os preceitos do islamismo volta à situação original de paz. É por isso que "reverte", em vez de se converter, explica o libanês Feres Fares, intérprete na Mesquita Brasil, onde traduz para o português as prédicas feitas em árabe.

O recente ataque ao jornal francês "Charlie Hebdo" não teve repercussões profundas na maneira como a comunidade islâmica é tratada no Brasil, avaliam porta-vozes da religião. A posição praticamente unânime é que o país é um exemplo de convivência pacífica. A pichação do muro da Mesquita Brasil com a frase "Je suis Charlie" foi apagada logo no dia seguinte e considerada um episódio isolado. Há poucos relatos de reações mais agressivas no país, como o de uma garota muçulmana que teria sido alvo de uma pedrada na rua.

Apesar disso, os líderes da religião não escondem sua preocupação com a repercussão negativa que os assassinatos em Paris acarretam para a religião, inclusive no Brasil. "O islamismo tem 1,8 bilhão de adeptos no mundo e ações como essa são praticadas por uma minoria. Não podemos reduzir o Islã a uma quantidade marginal de muçulmanos. Essa é uma falácia", diz o professor Ali Zoghbi, vice-presidente da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil. Com sede em São Paulo, a organização congrega 45 das 98 entidades islâmicas do país.

Os líderes muçulmanos condenam com veemência a ação em Paris, mas criticam a republicação das charges pelo "Charlie Hebdo". "O governo francês deveria estabelecer uma legislação que coibisse ofensas a ícones religiosos capazes de gerar violência", afirma Zoghbi. "O laicismo deveria preservar o direito de uma minoria de não ser ofendida."

O episódio do "Charlie Hebdo" reacendeu a discussão sobre um suposto choque de civilizações, que colocaria as sociedades ocidentais e o Islã em trincheiras opostas. A tese mistura religião e etnia em um pacote xenofóbico, para dificultar a entrada ou permanência de imigrantes pobres em países da Europa, e vem ganhado força entre grupos ideológicos de ultradireita. Mesmo entre o público em geral, porém, a imagem do Islã tem sido seriamente prejudicada por sucessivas ações de radicais religiosos ou governos de países de maioria muçulmana.

Para o espectador médio, pouco atento a nuances ideológicas, a imagem chocante do piloto jordaniano Muath al-Kasaesbeh, queimado vivo pelo Estado Islâmico, estabelece uma conexão instantânea entre a crueldade e a religião dos algozes, mesmo que a vítima, neste caso, tenha sido outro muçulmano. O vídeo, divulgado dias atrás na internet, causou comoção global. Também não ajudam notícias recentes como a pena recebida pelo blogueiro saudita Raif Badawi. Acusado de criticar clérigos da Arábia Saudita e insultar o Islã, ele foi condenado a uma multa, dez anos de prisão e mil chibatadas. A segunda sessão - estão previstas 20, ao todo - foi adiada porque as feridas da primeira ainda não haviam sido curadas. Organizações de direitos humanos de várias partes protestam contra a pena.

No centro desse debate está a sharia, o conjunto de fundamentos e normas que constituiriam o sistema jurídico fundado nos preceitos do Islã. "Em vários países islâmicos, o Estado pretende ou inspirar-se no Islã para criar suas normas jurídicas ou considerar que o seu direito é a própria sharia", diz Salem H. Nasser, professor de direito da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo. "Disso resulta que países diferentes dão interpretações diferentes para o que deveria ser o conteúdo da sharia e de sua adaptação ao mundo atual."

Um desafio central, afirma Nasser, será encontrar uma resposta à necessidade de reinterpretar as fontes originais para obter regras mais apropriadas aos tempos atuais. "Em parte, esse é o problema em relação a punições como o açoitamento ou o apedrejamento", diz o professor, especialista em direito islâmico.

Por enquanto, boa parte da ação das organizações orientadas a divulgar o Islã no Brasil tem sido voltada a explicar conceitos básicos, na tentativa de desvincular o islamismo de uma imagem de intolerância ou beligerância em relação a outras religiões. Em parte, a ideia é explorar pontos comuns com outras correntes monoteístas. Por exemplo, a fé em Jesus, professada pelos muçulmanos, mas sob uma concepção muito diferente do cristianismo. Para o Islã, Jesus faz parte de uma longa sucessão de profetas enviados por Deus, como Noé e Abraão, mas não compartilha da natureza divina, como acreditam majoritariamente os cristãos.

A ideia da Trindade, central para o cristianismo, é estranha ao Islã. A crença islâmica é que Jesus não chegou a ser pregado na cruz. Antes de ser preso, teve seu rosto trocado pelo do traidor Judas Iscariotes, que foi crucificado em seu lugar. Depois disso, subiu ao céu. Seu retorno é esperado para antes do fim do mundo. Jesus voltaria com 33 anos, para morrer com 60 a 70 anos de idade.

Os meios de comunicação de massa, muito usados por católicos e evangélicos, ainda estão distantes da esfera islâmica no país, mais isso pode estar prestes a mudar. Na Mesquita Brasil, como ocorre em outras comunidades, está em andamento um projeto piloto para ampliar a difusão da fé islâmica, com a criação de unidades capazes de promover cursos, providenciar livros e oferecer espaço para orações. "Temos planos de criar revistas, TV etc., mas tudo a seu tempo", diz Nasser Fares, presidente da Sociedade Beneficente Muçulmana, que administra a Mesquita Brasil. A mesquita é sustentada por doações da comunidade. Os muçulmanos são estimulados a contribuir com o zakat, o equivalente a 2,5% dos rendimentos líquidos, que são destinados a ajudar os necessitados.

É difícil antever qual será o impacto de iniciativas desse tipo na atração de brasileiros. Estudos acadêmicos mostram que a reversão é maior entre 20 e 40 anos de idade, com uma concentração nas faixas etárias mais novas. A pergunta é: por que uma religião identificada pela maioria como uma fé de códigos rígidos - apesar de a posição dos adeptos ser diferente - estaria atraindo pessoas recém-saídas da adolescência?

O fenômeno requer um estudo mais aprofundado, diz a antropóloga Lídice Meyer Pinto Ribeiro, e se estenderia a outras religiões, caso dos hare krishnas, que também experimentam um interesse renovado, apesar de se pautarem por códigos conservadores, como o celibato até o casamento. "Uma hipótese é que os jovens estejam vivendo uma crise de valores éticos e, por isso, passaram a buscar nessas religiões padrões que, para eles, as gerações anteriores falharam em transmitir", afirma a professora de ciências da religião na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Outro fator intrigante é que as mulheres seriam maioria entre os revertidos, em contraste com outra percepção muito difundida - e da qual os muçulmanos também discordam - de que o sexo feminino é relegado pelo Islã a uma posição secundária em relação aos homens. Uma das teorias é que as brasileiras estariam encontrando nas mesquitas um espaço para conhecer potenciais maridos, mas em seus estudos, até agora, a professora Lídice diz não ter identificado fundamentos fortes que justificassem essa ideia.

Os brasileiros não são os únicos a fortalecer as fileiras da fé islâmica no país. O Brasil também tem recebido uma grande quantidade de pessoas que já professavam a religião em seus países de origem, mas tiveram de fugir por causa de conflitos. Um levantamento publicado em novembro pela Agência das Nações Unidas para Refugiados mostra que 1.524 refugiados sírios chegaram ao país de janeiro de 2010 a outubro de 2014, tornando-se o maior grupo a buscar asilo político aqui. Intitulada "Novo Perfil do Refúgio no Brasil", a pesquisa revela que o fluxo de sírios, que começou em 2012 com 37 reconhecimentos oficiais, multiplicou-se por sete no ano seguinte, para 284 casos, e somou 1.183 pedidos aceitos até outubro do ano passado.

As mesquitas e organizações islâmicas têm se organizado para receber os refugiados e providenciar alimentos, roupas e moradia, além de preparar cursos de português e tentar encontrar empregos. O sentimento geral da comunidade, no entanto, é de insatisfação com as autoridades. "O governo brasileiro deveria dar o visto, mas também proporcionar condições para que essas pessoas venham morar no país, e isso não só para os sírios", diz Nasser, da Sociedade Beneficente Muçulmana. Uma saída seria estabelecer convênios com as organizações religiosas, para ajudá-las a estabelecer a infraestrutura necessária. "Mas não temos um canal de comunicação com o governo [para fazer isso]. Não sabemos a quem procurar", afirma Nasser.

Embora pareça um fenômeno recente, o Islã chegou ao Brasil há muito tempo, com escravos africanos trazidos do Sudão central, região que atualmente corresponde ao norte da Nigéria. Adeptos do Islã, esses negros sabiam ler e escrever em árabe e, por isso, foram usados em atividades de controle das fazendas, conta a professora Lídice, do Mackenzie. Eram os malês, uma forma pejorativa que vem do iorubá e significa "renegado, que adotou o islamismo". Eles eram chamados assim por escravos adeptos das religiões animistas. Instruídos, não tardou para que os malês se tornassem líderes de rebeliões. O ápice foi a Revolta dos Malês, que pretendia estabelecer um califado muçulmano na Bahia. A reação portuguesa, no entanto, pôs fim à revolta. Parte dos líderes foi mandada de volta à África. Os demais se espalharam por diversos Estados. Começava aí um dos mais interessantes e pouco conhecidos capítulos do sincretismo religioso no Brasil.

Como os portugueses eram fortemente identificados com o catolicismo, muitos malês e seus descendentes buscaram outras religiões como parte do esforço de resistência à dominação. No Rio, uma parcela deles converteu-se ao protestantismo, ingressando em denominações históricas que se instalavam no país, como a Igreja Presbiteriana. Outra parte identificou-se com as religiões africanas, com influência posterior sobre o candomblé. Nesse processo, as pequenas bolsas que os escravos costumavam trazer ao pescoço com trechos do Alcorão - uma forma de guardar o livro sagrado - ganhou um caráter muito diferente nas religiões afro: o de amuleto de proteção, a mandinga.

Outros dois ciclos se sucederam. Um deles foi o das primeiras imigrações de muçulmanos, a partir da década de 10 do século passado, como sírios, turcos etc. O movimento estabeleceu essas comunidades no país e permitiu ações como a construção das primeiras mesquitas. O ciclo seguinte, a partir dos anos 80, foi o da reversão. É dessa fase, que prossegue até hoje, que depende qual será a face que o Islã assumirá no Brasil nas próximas décadas.

De um lado, parece haver uma adaptação da religião à sociedade brasileira. Existem muçulmanos em todas as classes sociais e regiões geográficas. No Sul, foi criada um grande comunidade, principalmente em torno de Foz do Iguaçu. Mas há indicações de que o crescimento pode vir principalmente de regiões periféricas dos grandes centros, como bairros afastados de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, ou em Francisco Morato, um município da Grande São Paulo. Nesses locais, grupos de jovens, fãs de hip hop, tem se juntado ao islamismo.

A tecnologia tem um papel importante nesse processo, mas funciona de maneira dúbia. Por um lado, é consenso entre as lideranças muçulmanas que a internet ajuda a matar a curiosidade em torno da religião e pode servir de entrada para uma experiência mais profunda. De outro, estudiosos observam que muitos jovens, hoje, se informam quase exclusivamente pelas redes sociais, nas quais opinião e informação se confundem, o que pode provocar ainda mais confusão e preconceito.

Para os revertidos, as maiores dificuldades são a aceitação da família e dos amigos, e encontrar as condições necessárias para cumprir ordenamentos não compartilhados pela maioria dos brasileiros.

Fayad e Beatriz não tiveram muitos problemas com suas famílias. Beatriz reverteu há 12 anos, quando morava nos Estados Unidos, depois de passar a conviver com um grupo muçulmano que frequentava a mesma universidade. Ela comunicou a decisão à família por carta. Recebeu aprovação. Posteriormente, houve questionamentos quando ela passou a usar o hijab, mas nada comprometedor. Fayad - que nasceu Edmar - também obteve uma reação tranquila, apesar da curiosidade da mãe, católica fervorosa.

Substituir o nome original por outro, árabe, não é obrigatório. Depende de cada um. Fayad prefere o novo nome, que significa "aquele que comunica". Nos empregos pelos quais passou desde a reversão, há cinco anos, ele sempre conversou com os superiores para explicar que precisava de cinco minutos, duas vezes por dia, para fazer as orações, cujos horários coincidiam com o expediente. O pedido nunca foi recusado. Os aplicativos ajudam a fazer tudo corretamente. Alguns programas avisam o horário das orações, que variam de acordo com a lua (no calendário muçulmano, estamos em 1436); outros mostram a direção de Meca.

Alimentar-se segundo a religião exige um certo esforço. Muçulmanos não podem comer carne de porco ou tomar bebidas alcoólicas. Isso é fácil de evitar. Mas as regras também incluem procedimentos na hora de matar o gado, para evitar que o animal sinta dor, e proíbe alimentos cujo processo de elaboração use o álcool, excetuando casos em que não sobrem resquícios no produto final. É o chamado alimento halal, semelhante ao kosher para os judeus. O Brasil é um grande exportador de carne halal, mas, com a demanda internacional, não sobra muito para o consumo interno. Para não incorrer em erros, na hora de comprar carne o casal observa o SIF - um código de identificação exibido na embalagem - para saber se a peça vem de um abatedouro halal. Ou, então, procuram um açougue especializado. Os preços variam, mas, dependendo do corte, uma peça halal pode custar até o dobro de uma similar comum.

As contas do casal também merecem atenção especial. Pelas regras do Islã, é proibido cobrar ou receber juros. Isso é um pecado grave. Os sistemas bancários de países majoritariamente muçulmanos estão adaptados ao preceito, mas em outros locais é preciso dar um jeito. A orientação é usar juro para pagar juro. Por exemplo, reservar os juros obtidos com os rendimentos de uma conta poupança para pagar os juros cobrados pela conta do condomínio eventualmente atrasada.

Na praia, os homens só devem mostrar as pernas até os joelhos e não podem expor a parte superior do corpo. O máximo permitido é uma camiseta regata. Para as mulheres, a recomendação é usar um traje com calça e blusa. O lenço ou véu, alvo de tantas discussões, não incomoda Beatriz. A indumentária ajuda a atrair a atenção nas ações de que o casal participa uma vez por mês em lugares movimentados de São Paulo, batizada de Street Dawah. É montada uma tenda, sob a qual eles tiram dúvidas das pessoas que passam pelas ruas.

Recentemente, na rua 25 de Março, um centro de comércio da cidade, um homem chamou Beatriz de "a mulher do Bin Laden". Fayad interferiu rapidamente e a situação foi contornada sem desdobramentos. Mas isso é uma exceção, eles dizem. Em geral, as pessoas são respeitosas, a despeito da curiosidade despertada, o que torna o véu uma espécie de confissão de fé. "[Com o lenço] as pessoas olham e me identificam. E isso eu quero para mim", afirma Beatriz.

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