Diretor-executivo do Twitter reconhece ser "péssimo" no combate ao assédio

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09 Fevereiro 2015

"Somos péssimos no combate ao assédio e aos trolls, e somos péssimos há anos," reconhece o diretor-executivo do Twitter, Dick Costolo em reportagem de Damien Leloup, publicada pelo Le Monde e reproduzida pelo Portal Uol, 06/02/2015.

Em um comunicado interno para a empresa, do qual o site americano "The Verge" obteve uma cópia, o diretor-executivo do Twitter, Dick Costolo, fala sem rodeios ao constatar o fracasso das medidas tomadas para limitar os comportamentos agressivos na rede social. "Não é um segredo (...). Perdemos usuários a cada dia porque não respondemos de maneira apropriada ao trolling enfrentado por eles todos os dias."

Nessa nota interna e em um e-mail enviado em seguida aos funcionários por Dick Costolo, o diretor-executivo do Twitter afirma que "nosso fracasso em lidar com esse problema como empresa" é de sua "responsabilidade pessoal". Ele também anuncia uma mudança de atitude: "Vamos começar a expulsar essas pessoas [os assediadores] e nos certificar de que quando eles lançarem esses ataques ridículos, ninguém os ouça."

Nos últimos meses, vários casos de assédio a personalidades públicas atraíram críticas contra o Twitter, acusando-o de ser passivo demais frente às mensagens de ameaças e ao assédio. Zelda Williams, filha de Robin Williams, deixou a rede social depois de receber inúmeras mensagens de ódio ligadas ao suicídio de seu pai. O inflamado debate que ocorreu no final de 2014 sobre o sexismo no mundo dos videogames também acarretou a publicação de muitas mensagens de ameaça e de assédio no Twitter.

Repercussão especial na França

Na França, essa admissão de fracasso poderá ter uma repercussão especial: organizações de combate ao racismo e ao antissemitismo vêm protestando há vários anos contra a política de moderação do Twitter, por considerar que a rede social é permissiva demais, sendo que algumas delas acreditam que o Twitter deveria censurar pro-ativamente certas palavras-chaves ou marcadores (hashtags).

Após os atentados que abalaram a França em janeiro, o primeiro-ministro, Manuel Valls, e o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, também declararam diversas vezes, sem no entanto citar nominalmente o Twitter, que as redes sociais deveriam ser mais voluntaristas no combate à propagação de conteúdos que incitam ao ódio. O ministro do Interior deve ir, dentro das próximas semanas, até os Estados Unidos para se encontrar com os diretores-executivos das grandes empresas digitais, com o intuito de "sensibilizá-los" a esse respeito.

Historicamente, o Twitter sempre seguiu uma linha que privilegia a liberdade de expressão no lugar da moderação, no espírito da lei norte-americana. A rede social havia se recusado, por exemplo, a cancelar a conta do WikiLeaks e a fornecer informações às autoridades sobre essa conta, sendo depois obrigada a fazê-lo por uma decisão judicial.

No direito francês, no entanto, a lei é clara: plataformas como Twitter, Facebook e Google devem apagar os conteúdos contrários à lei que lhe forem assinalados, sob pena de serem considerados "editores" desses conteúdos, tendo assim que endossar a responsabilidade penal.

Série de anúncios

A divulgação desse comunicado interno ocorre às vésperas da publicação dos resultados da empresa e alguns dias após a publicação de excelentes números pelo Facebook. A rede social fez vários anúncios na última semana: no dia 4 de fevereiro, anunciou ter fechado acordos para divulgar seus tuítes promovidos em outras plataformas fora do Twitter, entre eles Yahoo! e Flipboard.

Nesta quinta-feira (5), a Bloomberg também revelou que o Twitter e o Google haviam chegado a um acordo para reintegrar os tuítes nos resultados de pesquisa do Google. Um acordo similar existiu durante dois anos, entre 2009 e 2011, mas as mensagens dos usuários do Twitter não eram mais integradas em tempo real no índice do Google. No entanto, nenhum acordo publicitário faria parte do contrato entre as duas empresas, segundo a Bloomberg.

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