25 anos depois dos assassinatos dos padres de El Salvador, grupos pedem justiça

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17 Novembro 2014

Vinte e cinco anos atrás, membros armados das forças armadas de El Salvador invadiram a residência jesuíta na Universidade Centro Americana (UCA) de San Salvador e executaram todos que estavam lá dentro, seis padres jesuítas, uma dona de casa e sua filha.

A reportagem é de Juan Castillo, publicado por NBC News, 13-11-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

Os sacerdotes eram conhecidos por falar sobre negociações pacíficas na brutal guerra civil do país entre os rebeldes da FMLN e o governo. A universidade tornou-se conhecida por sua oposição às violações dos direitos humanos cometidos pelos militares, apoiados pelos Estados Unidos, e alguns nas forças armadas pensavam que os sacerdotes estivessem ligados aos rebeldes por causa de sua preocupação com os pobres, que sofriam o impacto dos efeitos da guerra.

Um dos crimes mais notórios e hediondos dos 12 anos de guerra civil de El Salvador, um conflito que deixou cerca de 75 mil mortos, o massacre de 16 de novembro de 1989 abalou a consciência pública, provocando indignação ao redor do mundo e marcando um ponto de viragem na guerra, que terminaria em 1992. Os mortos ficaram conhecidos como "Os Mártires".

Na quinta-feira, uma delegação do Center for Justice and Accountability [Centro de Justiça e Responsabilidade] (CJA), organização internacional de direitos humanos, com sede em San Francisco, chegou em El Salvador para comemorar o 25º aniversário do massacre de jesuítas, uma vez que isso faz parte de sua longa busca para descobrir a verdade sobre os crimes

O grupo de direitos humanos abriu um processo contra uma série de ex-oficiais militares salvadorenhos por estarem alegadamente por trás dos assassinatos dos jesuítas. Os procedimentos de acusação, com base no princípio de "jurisdição universal" em casos de direitos humanos, estão sendo realizados pela Espanha, porque alguns dos padres jesuítas eram espanhóis. O CJA está pedindo ao novo governo de El Salvador para cooperar com a investigação do Tribunal Nacional espanhol.

Pela primeira vez desde que foram assinados os acordos de guerra civil, a República de El Salvador é liderada por um ex-comandante da FMLN, ou Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional, disse Almudena Bernabeu, que é a promotora principal do caso do CJA na Espanha.

É urgente ter uma noção de qual é o posicionamento do governo de El Salvador na questão dos direitos humanos, disse Bernabeu à NBC News. Administrações de direita anteriores nem sempre estavam dispostas a falar sobre essas coisas, mas ela espera que o governo atual seja mais aberto.

"Queremos ter uma noção de suas agendas políticas", disse Bernabeu. "E onde estão em questões de direitos humanos, imigração e uma série de problemas que precisam enfrentar que têm a ver com vítimas (de guerra), como indenizações e outros assuntos relacionados".

Ela está esperançosa de que El Salvador irá cooperar com a investigação da corte espanhola, bem como com um pedido de extradição de Inocente Montano, ex-comandante militar, para a Espanha para que seja julgado. Montano está atualmente preso nos EUA por violações de imigração.

"Eu acho que eles vão ser solidários com a extradição de Montano. E eu acho que isso vai ser uma grande coisa", disse Bernabeu.

El Salvador não conseguiu se recuperar muito desde a guerra civil, disse ela.

Há alguma reconciliação, principalmente em imagens simbólicas, tais como as do Monsenhor Oscar Romero, arcebispo de San Salvador, que foi assassinado durante a guerra e cuja imagem pode ser vista por toda a cidade.

Mas há outros exemplos concretos, também, disse Bernabeu, como a liberação de registros militares e mais investigações sobre os milhares de desaparecidos durante a guerra. "Há muito a fazer", disse Bernabeu. "Mas há uma abertura. Algo está tremendo, com certeza".

A comemoração do massacre será uma reflexão sombria. A delegação do CJA vai assistir a uma missa vespertina no sábado em honra aos padres jesuítas na UCA, precedida por uma procissão de velas pelas ruas da universidade.

Na sexta-feira, a delegação vai se reunir com Sánchez Serén, presidente recém-eleito de El Salvador.

Bernabeu espera que a viagem seja profundamente comovente. Os assassinatos dos padres jesuítas chocaram os norte-americanos de uma forma nunca antes vista, disse ela.

"Todo mundo se lembra dos assassinatos", acrescentou Bernabeu. "A sociedade norte-americana estava extremamente informada sobre o que estava acontecendo em El Salvador, as pessoas nas universidades, os progressistas, as pessoas que se opunham à política externa dos Estados Unidos em El Salvador por apoiar financeiramente as forças armadas.

"Foi uma guerra horrível. Quando os jesuítas foram mortos, foi um dos momentos mais horríveis, quase como um soco no estômago. Depois de todo esse sofrimento, todas essas tentativas de acabar com a guerra, os jesuítas foram mortos".

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