A dramática situação dos refugiados do Oriente Médio. Papa convoca os núncios da região

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11 Agosto 2014

Há alguns dias no Líbano, na sede de verão do Patriarcado Maronita, situado em Dimane, no norte do país dos cedros, houve uma reunião no mínimo dramática. Cerca de 20 bispos e auxiliares libaneses e sírios tornaram público o balanço da indiferença ocidental em relação à irrefreável ascensão do Califado.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada no jornal Il Messaggero, 08-08-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Os campos de refugiados estão explodindo de pessoas em fuga da Síria e do Iraque, importantes sítios históricos foram destruídos pela fúria iconoclasta das milícias de Al Bagdadi, as igrejas e as mesquitas profanadas já são incontáveis, mesmo que os cristãos continuem sendo os principais alvos da tempestade sem precedentes que está mudando a estrutura social de toda a região.

A denúncia

Já está claro que a situação está fugindo do controle. O tempo do terror coincide com a cegueira da Europa, dos EUA e da ONU, que chegou ao seu ponto mais alto. Em Dimane, lugar montanhoso a 1.400 metros de altura, os bispos delinearam um quadro sombrio. Por que se chegou a isso, apesar dos apelos feitos nos últimos meses?

As violências contadas pelos sobreviventes continuam, não param, incluindo – a mais recente de uma longa série de horrores – a de moças cristãs utilizadas como escravas de prazeres pelos milicianos da jihad.

A denúncia repercutiu até em Roma, chegando à mesa do papa, que, atônito e impotente, assiste a uma deriva sem fim. Mas a resignação não é do feitio de Francisco.

A cúpula

A ideia que está tomando corpo nestas horas em Santa Marta é a de convocar em breve, talvez dentro das duas primeiras semanas de setembro, uma reunião de todos os núncios apostólicos da área diretamente afetada pelos efeitos da difusão jihadista.

Líbano, Síria, Iraque, Jordânia, mas também a Turquia, já que, no seu território, continuam chegando, atravessando a fronteira, refugiados desesperados. A cúpula contará com a presença do Papa Francisco e do secretário de Estado, o cardeal Parolin, e poderia ajudar a unir todas as peças do mosaico, coletar informações valiosas e servir de base para uma ação diplomática de longo alcance. O objetivo é o de sensibilizar as chancelarias dos países europeus e daqueles que se sentam no Conselho de Segurança da ONU.

O medo

O grande temor facilmente perceptível do outro lado do Tibre é que o conflito no Iraque e na Síria possa progressivamente perder a atenção dos grandes e acabar no esquecimento coletivo, como se fosse um dos tantos focos do mundo.

Uma pena que o equilíbrio do Oriente Médio, sem a presença milenar das comunidades cristãs, esteja fadado a entrar em colapso com efeitos nada secundários também para a Europa. "Infelizmente, o conflito na Síria está prestes a ser esquecido por várias causas. E isso causará várias perturbações", resume Dom Zenari, núncio em Damasco.

Nas últimas horas, o quadro se agravou ainda mais por causa das notícias do fronte iraquiano. De acordo com o patriarca caldeu de Kirkuk, Dom Sako, 100 mil cristãos estão fugindo das cidades do norte conquistadas pelos jihadistas. "Tiraram as cruzes das igrejas e queimaram antigos manuscritos." O enésimo desastre humanitário depois que os milicianos tomaram o controle de Qaraqosh e de três outras localidades próximas.

"Eles fugiram com nada mais do que as roupas que tinham no corpo, alguns a pé, para chegar à região do Curdistão", disse Sako. Nesse massacre, cerca de 1.500 antigos manuscritos cristãos foram perdidos para sempre.

Os pedidos

No Líbano, um apelo foi lido pelos bispos: "Pedimos ao mundo e ao Papa Francisco que lidem com a situação que se criou no Iraque. Onde está a consciência mundial que fala de direitos humanos perante o drama da comunidade de Mosul?".

Lojas queimadas, casas ocupadas, chantagens, violências, estupros estão na ordem do dia. O arcebispo maronita de Beirute, Dom Boulos Matas, espera que a ONU possa intervir através de uma resolução a favor do retorno dos proprietários dos territórios confiscados e dos bens que lhes foram confiscados à força.

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